segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

CLAMOR INDÍGENA


Cem dias “sem” nada resolvido
Desde o dia 29 de novembro de 2010, uma segunda-feira, indígenas de vários povos ocupam a frente do prédio da FUNASA em Rio Branco em reivindicação para melhorias no atendimento à saúde e cumprimento das obrigações devidas àquele órgão, além do pedido de urgência nos reparos na CASAI (reparos físicos e administrativos) e uma investigação para apurar o desaparecimento de recursos destinados a saúde indígena e que nunca chegaram aos destinatários de direito.
Muitos, maldosamente e sob orientação da própria FUNASA, falam que os indígenas querem apenas cargos. Ora, se é assim, porque não resolvem logo o problema. È só construir uma CSAI descente, não desviar recursos ou pelo menos explicar como está sendo gasto, e punir quem tiver que ser punido. Em outras palavras, assumir a responsabilidade. Para isso não precisa dar cargo para nenhum indígena ou quem quer que seja. Mas, não é isso que querem as autoridades de saúde!
É triste ver que depois do fracasso do convênio entre a UNI AC e a FUNASA, apenas o lado indígena do convênio tem sido penalizado. Nenhum diretor da FUNASA foi condenado ou mesmo indiciado. A Uni faliu e os índios passaram para a história como maus administradores e até mesmo como criminosos. E a FUNASA? Bem, seus diretores e outros diretamente envolvidos na gestão fraudulenta do convênio nada sofreram e até nos dá a impressão de que foram promovidos por serem “espertos” e “competentes”. É preciso que a justiça realmente investigue e puna. Mas não podemos admitir que somente os indígenas sejam punidos.
Cem dias e “sem” nada. Sem saúde, sem educação escolar, sem assistência à produção, sem transporte, sem serem consultados quando por ocasião de assuntos que lhes dizem respeito (etnoturismo e exploração de petróleo e gás...), sem nenhuma terra indígena demarcada ao longo desses 13 anos, e, principalmente, sem atenção digna e respeito devido.
Não é mais possível admitir este tipo de situação. A manifestação dos indígenas é legítima e, depois destes cem dias “sem” nada resolvido, queremos nos somar e pedir às autoridades que tomem as providências devidas, pois além de “sem” nada, os índios estão sendo humilhados e desdenhados enquanto povos historicamente e atualmente importantes para este Estado do Acre e Sul do Estado do Amazonas. O Estado brasileiro tem uma dívida com esses povos e nenhuma autoridade pode se furtar à obrigação de fazer valer os direitos conquistados, sob pena de se tornarem autoridades indevidamente nomeadas ou eleitas para tal.
O sangue derramado desses povos irrigará nossas consciências e fará germinar um novo mundo, um novo Brasil, um novo Acre e seremos, então, melhores e felizes.
Lindomar Padilha - Coordenador Conselho Indigenista Missionário Acre/Amazonas

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