quarta-feira, 29 de setembro de 2010

UM ACRE QUE SÓ PRENDE

População carcerária do Acre cresceu 34,82% nos últimos cinco anos.
Número de presos por 100 mil habitantes saltou de 420 para 495,71

Dulcinéia Azevedo - A população carcerária do Acre cresceu 34,82% nos últimos cinco anos, saltando de 420 presos por 100 mil habitantes (2005) para carceraria cresceu 2495,71 (2010). Dados do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), contidos no relatório emitido pelo Conselho Nacional de Justiça, por força de mutirão carcerário realizado no Estado nesse ano revelam ainda que, as taxas de encarceramento foram superiores ao crescimento populacional registrado no mesmo período (5,9%). 

De acordo com o Depen, no ano de 2005, o número de vagas para homens e mulheres era de 1.029, enquanto a população carcerária era composta de 2.541 pessoas, entre presos provisórios e condenados, o que corresponde a um déficit de 1.512 vagas em todo Estado. O percentual de presos provisórios em relação a condenados é classificado pelo CNJ como alarmante: 71,22 %. 

“Esse percentual sugere que, os presos que aguardam julgamento são, na verdade, os responsáveis pela maior parte da superpopulação verificada. O quadro atual é, pois, muito preocupante, não apenas sob a ótica da superlotação, mas também e principalmente, pela constatação que nem mesmo o auxílio do Poder Executivo no que tange ao provimento das vagas no Sistema irá atender à demanda que parece advir de posturas inadequadas do Poder Judiciário [...]”, diz o relatório. 

O CNJ também verificou inloco a estrutura física de cada um dos presídios do Estado. No Francisco de Oliveira Conde – que abriga 1.492 presos condenados e 669 provisórios e 09 em cumprimento de medida de segurança – constatou-se “grave problema de escassez de água, detentos doentes misturados aos sadios, superlotação superior a quatro presos por vaga e esgotos a céu aberto em vários pontos”. 

O relatório também registra a inexistência de áreas destinadas a visitas familiares, que ocorrem nas próprias celas ou nos solários. Não há distinção quanto à idade dos presos, mas são separadas celas para os mais idosos, nos mesmos pavilhões dos jovens e adultos. Apesar de a direção informar que os presos sentenciados ficam separados dos provisórios, tal constatação não ocorreu durante a inspeção. 

Outro dado assustador: por mês são recolhidos das celas, em média, 100 instrumentos ilícitos, entre estoques, facas e ferros, além de 20 ou 30 aparelhos celulares. Não há registro de apreensão de armas de fogo. No último ano, o presídio registrou duas mortes naturais, por ataque cardíaco e insuficiência renal; uma morte por estrangulamento e um suicídio. Situação semelhante foi encontrada nos presídios do interior. 

Recolhimento feminino inadequado - O relatório do CNJ também faz referências a Unidade Penitenciária Feminina, localizada no mesmo terreno onde funciona o presídio carcerariacresceestadual Dr. Francisco de Oliveira Conde. No local estão recolhidas 163 mulheres. Deste total, 91 são presas provisórias, 37 condenadas no regime fechado, 14 no regime semiaberto, 20 no regime semiaberto com direito a trabalho externo e 01 cumpre medida de segurança. Apenas 47 reclusas trabalham. 

“Este local, além de inadequado para o recolhimento feminino, é cercado por matagal alto e por um alagado mal cheiroso, que costuma infectar o pavilhão de mosquitos transmissores de doenças. O pavilhão não tem local adequado para a permanência de crianças, embora abrigue as que estão em período de amamentação. Não são respeitadas, igualmente, as peculiaridades de gênero, no que tange aos banheiros das celas [....]”, destaca o relatório.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

SUSTENTABILIDADE ACREANA

Uma produção diária de 96 mil litros de esgoto ‘in natura’ é lançada diretamente no Rio Acre e igarapés da Capital.
Dulcinéia Azevedo - É o que revela Acórdão unânime proferido pela 5ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF), nos autos da Ação Civil Púbica proposta pelo Ministério Público Federal (MPF) contra o Serviço de Água e Esgoto de Rio branco (Saerb), o Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Fundação Nacional de Saúde.
No Acórdão, o TRF confirma sentença já proferida em primeiro grau pelo juiz federal da 1ª Vara da Seção Judiciária do Estado do Acre, David Wilson de Abreu Pardo. A ação tem como objetivo obrigar o Saerb e os demais réus a elaborar e executar projeto de tratamento adequado de esgoto “in natura” que vem sendo despejado dentro do Rio Acre e afluentes.
A decisão faz menção a relatório fornecido pelo Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac) no qual consta a existência de aproximadamente 12 mil ligações residenciais conectadas à rede coletora de esgoto. A produção proveniente das residências, estimada em 96.000 litros/dia, é lançada diretamente na principal fonte de abastecimento de água do Estado, causando danos irreparáveis ao meio ambiente e aos moradores.
A partir da decisão, a direção do Saerb terá seis meses para elaborar o projeto de tratamento adequado do esgoto, identificar os focos de poluição, além de ser obrigado a fazer análises microbiológicas para saber o grau de contaminação. Em juízo, a direção da autarquia alegou que o tempo estipulado para a adoção das providências é muito pouco.
Em seu recurso, o Saerb alega que seriam necessários, no mínimo, dez anos para desenvolver o processo de despoluição do Rio Acre. Alega ainda ausência de orçamento para a execução de “vultoso” empreendimento. Segundo a direção da autarquia, somente a partir de convênios a serem firmados com entidades federais seriam possível à captação de recursos. Alega, por fim, “ser impossível o tratamento de todo o esgoto produzido em uma cidade, em face da relação custo/benefício”.
Na decisão, a Funasa foi condenada a buscar recursos que ajudem o Saerb a melhorar a rede de esgoto. De acordo com o coordenador do órgão, José Carlos, o último convênio firmado entre a Funasa e o Saerb para melhoria da rede de esgoto data do ano de 1999. Na época, uma Tomada de Preços Especial detectou que os recursos federais não tiveram a correta destinação.
Com relação ao Ibama, o TRF determinou que o órgão faça a identificação dos locais que estão sendo poluídos, utilizando bandeiras de cor preta como sinalização, de forma que a população possa se proteger de um possível dano. A superintendência do instituto no Estado do Acre ainda não se posicionou acerca da decisão.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

MANIFESTO PELA DEMOCRACIA

“Em uma democracia, nenhum dos Poderes é soberano. Soberana é a Constituição, pois é ela quem dá corpo e alma à soberania do povo.

“Acima dos políticos estão as instituições, pilares do regime democrático. Hoje, no Brasil, inconformados com a democracia representativa se organizam no governo para solapar o regime democrático.

“É intolerável assistir ao uso de órgãos do Estado como extensão de um partido político, máquina de violação de sigilos e de agressão a direitos individuais.

“É inaceitável que militantes partidários tenham convertido os órgãos da administração direta, empresas estatais e fundos de pensão em centros de produção de dossiês contra adversários políticos.

“É lamentável que o Presidente esconda no governo que vemos o governo que não vemos, no qual as relações de compadrio e da fisiologia, quando não escandalosamente familiares, arbitram os altos interesses do país, negando-se a qualquer controle.

“É inconcebível que uma das mais importantes democracias do mundo seja assombrada por uma forma de autoritarismo hipócrita, que, na certeza da impunidade, já não se preocupa mais nem mesmo em valorizar a honestidade.

“É constrangedor que o Presidente da República não entenda que o seu cargo deve ser exercido em sua plenitude nas vinte e quatro horas do dia. Não há ‘depois do expediente’ para um Chefe de Estado. É constrangedor também que ele não tenha a compostura de separar o homem de Estado do homem de partido, pondo-se a aviltar os seus adversários políticos com linguagem inaceitável, incompatível com o decoro do cargo, numa manifestação escancarada de abuso de poder político e de uso da máquina oficial em favor de uma candidatura. Ele não vê no ‘outro’ um adversário que deve ser vencido segundo regras da Democracia, mas um inimigo que tem de ser eliminado.

“É aviltante que o governo estimule e financie a ação de grupos que pedem abertamente restrições à liberdade de imprensa, propondo mecanismos autoritários de submissão de jornalistas e de empresas de comunicação às determinações de um partido político e de seus interesses.

“É repugnante que essa mesma máquina oficial de publicidade tenha sido mobilizada para reescrever a História, procurando desmerecer o trabalho de brasileiros e brasileiras que construíram as bases da estabilidade econômica e política, com o fim da inflação, a democratização do crédito, a expansão da telefonia e outras transformações que tantos benefícios trouxeram ao nosso povo.

“É um insulto à República que o Poder Legislativo seja tratado como mera extensão do Executivo, explicitando o intento de encabrestar o Senado. É deplorável que o mesmo Presidente lamente publicamente o fato de ter de se submeter às decisões do Poder Judiciário.

“Cumpre-nos, pois, combater essa visão regressiva do processo político, que supõe que o poder conquistado nas urnas ou a popularidade de um líder lhe conferem licença para ignorar a Constituição e as leis. Propomos uma firme mobilização em favor de sua preservação, repudiando a ação daqueles que hoje usam de subterfúgios para solapá-las. É preciso brecar essa marcha para o autoritarismo.

“Brasileiros erguem sua voz em defesa da Constituição, das instituições e da legalidade.

“Não precisamos de soberanos com pretensões paternas, mas de democratas convictos.”


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ELEIÇÕES 2010: VOTAR NULO OU NÃO?

terça-feira, 21 de setembro de 2010

JORNALISMO ACREANO EM DEBATE

Alunos da Ufac realizam debates sobre o jornalismo acreano. A primeira das quatro rodadas mensais acontece dia 27, com Nilda Dantas e Ayres Rocha discutindo sobre o telejornalismo no Acre

Ezi Melo - As mudanças ocorridas nas últimas décadas, dificuldades, pontos positivos e negativos e desafios do jornalismo acreano. Estes serão temas de quatro rodadas de debates promovidos pelos alunos do 7º período de Comunicação Social / Jornalismo da Universidade Federal do Acre (Ufac). A primeira rodada acontece no dia 27, na Biblioteca da Floresta Marina Silva, a partir das 19h, quando será debatido o telejornalismo acreano.

As rodadas de discussões fazem parte do “Projeto de extensão Em Pauta - O jornalismo acreano em debate”, elaborado como conteúdo de uma das disciplinas do curso. O projeto tem à frente o professor Wagner Costa. Ele diz que o objetivo é apresentar um pouco da história do jornalismo no Acre, assim como sua realidade, a partir da experiência de profissionais que estão no mercado há algum tempo.

A primeira rodada de discussões terá a participação dos jornalistas Nilda Dantas e Ayres Rocha. Nilda foi uma das primeiras apresentadoras de telejornais locais, na TV Acre, que integra a Rede Amazônica de Televisão, retransmissora da Rede Globo. Passou por outras emissoras e há mais de 20 anos também comanda programas na Rádio Difusora Acreana. Ayres, há mais de 20 anos trabalha na TV Acre, onde apresenta telejornais desde 1990.

No dia 20 de outubro, a discussão será em torno do fotojornalismo no Acre, também com a participação de profissionais consolidados no mercado. O jornalismo impresso será debatido em 12 de novembro e o radiojornalismo em sete de dezembro. Os debates são abertos a toda a comunidade e terão a participação de profissionais e estudantes de Jornalismo. Os participantes terão direito a certificado de quatro horas.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

COMITÊ DE MARINA É INVADIDO NO ACRE

Freud Vasconcelos - Ladrões invadiram o comitê de campanha da candidata a presidente pelo PV, Marina Silva, em Rio Branco (AC), durante o final de semana. Não havia ninguém no local na hora do crime. Foram furtados apenas tintas utilizadas na campanha, comida e um bebedouro.

Segundo o coordenador da campanha da candidata no Acre, Júlio Eduardo Gomes Pereira, o arrombamento só foi notado na manhã desta segunda-feira (20), quando encontraram material de campanha e móveis revirados.

O crime ocorre um dia após a sede estadual do PV de São Paulo ser furtada.

"Acredito que os bandidos entraram pela porta dos fundos. Eles também cortaram os fios dos computadores, do telefone e da internet, mas não levaram mais nada", o coordenador.

Pereira informou que a polícia técnica foi chamada e já realizou uma perícia.

Na semana passada, dois homens armados invadiram a produtora responsável pela confecção dos áudios e vídeos do candidato ao governo do Estado Tião Bocalom (PSDB), que faz oposição ao atual governador.

Segundo a Polícia Civil, os envolvidos já foram presos. A informação também foi confirmada pelo proprietário da produtora, Fabiano Lira, que disse ter sido convocado para identificar os supostos bandidos.

domingo, 19 de setembro de 2010

ONDA DE ATAQUES NA WEB

Hackers invadiram página de noticias do Governo do Acre

Os ataques se extenderam durante todo fim de semana

No último domingo (19/09) à noite alguns sites e portais pelo Brasil foram invadidos por hackers - individuos que agem de maneira ilegal para modificar programas de informática. No Acre o portal de conteúdo institucional do Governo do Estado teve sua página principal completamente alterada.

A imagem de um suposto líder turco com bandeira de seu país tremulando ficou por diversas horas no ar. Os primeiros ataques iniciaram por volta das 22h.

Usuários do Twitter - microblog - alertaram em suas páginas sobre a ofensiva do hackeadores.

A Localweb, empresa que hospeda sites e conteúdo na internet em diferentes países, foi vitima de ataques de criminosos virtuais durante o fim de semana.

Já no sábado (18/09) muitos endereços da Locaweb apresentaram uma bandeira da Turquia na home page acompanhada de um rosto humano e a mensagem “BY iSKORPiTX -(TURKISH HACKER) - ALEMiN KRALI - best regards to all world.”

O site do PSOL (Partido Socialista e Liberdade) do Rio de Janeiro (RJ), também foi hackeado, e ficou durante horas exibindo a mesma mensagem na tela principal.

Em nota a imprensa a Localweb tentou se explicar e prometeu melhorias. "A Locaweb, líder em hosting na América Latina segundo a IDC, informa que está analisando os comentários em relação a alguns sites terem sido alterados indevidamente", diz a nota. De acordo com a nota, os clientes que solicitaram informações à Locaweb "serão avisados assim que a verificação for concluída".

Ainda não se sabe se os hackers conseguiram danificar arquivos ou causar danos maiores durante as invasões. Nenhum grupo assumiu os atentados virtuais e nem se sabe de onde partiu as ofensivas, ainda não há registros de denúncias para policia.

sábado, 18 de setembro de 2010

JUSTIÇA PEDE RETIRADA DE FAMILIAS DE ÁREAS DE RISCO

MPF/AC: Justiça determina que famílias em área de risco sejam removidas e recebam novas casas

Áreas nos bairros Cidade Nova e Aeroporto Velho devem ser imediatamente desocupadas

A sentença prolatada pelo Juiz Federal Jair Araújo Facundes determina que a Prefeitura de Rio Branco, a União Federal e o Estado do Acre removam, em conjunto, as famílias atingidas pela erosão em áreas do cruzamento da Rua Beira Rio com a Rua Palmeiral, no Bairro Cidade Nova, e em áreas de desbarrancamento próximas ao Terminal do Aeroporto Velho e vizinhas ao Centro Cultural Lídia Hammes, no bairro Aeroporto Velho. O prazo para remoção é de 90 dias, após esse prazo, as famílias terão 15 dias para retirar material que lhes interesse (madeira, telhas, etc), devendo os imóveis serem demolidos após essa retirada.

O magistrado sugere, na sentença, que imóveis de programas de habitação popular como o “Minha Casa Minha Vida” sejam destinadas para as famílias removidas por força da sentença. O Juiz destaca que, se tal projeto visa pessoas necessitadas, entre estas devem destacar-se aquelas que estão em situação de risco.

O Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac) e o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) deverão fiscalizar as áreas de preservação permanente alvo da desocupação evitando novas ocupações irregulares. Estes órgãos deverão informar à Justiça as providências que tomaram para cumprir a sentença.

O julgador da ação determinou o cumprimento imediato da sentença, estabelecendo multa ao agente público responsável pelo retardo ou descumprimento do determinado, além de multa revertida em favor das pessoas situadas nos locais de riscos indicados no valor de R$ 2 mil mensais para cada família não removida.

Entenda o caso - Em 2005 o Ministério Público Estadual, por meio das promotoras de Justiça Meri Cristina do Amaral Gonçalves e Rita de Cássia Nogueira impetrou ação civil pública na Justiça estadual acreana pedindo, entre outras coisas, a retirada das famílias, a recuperação dos esgotos na área, o interrompimento do derramamento de esgoto no Rio Acre e cuidados com as áreas de proteção permanente das margens do Rio Acre nos locais mencionados.

O caso foi declarado de competência da Justiça Federal e o MPF passou a integrar o pólo ativo, trabalhando conjuntamente com o MP/AC. Vários laudos dos próprios órgãos requeridos identificavam as causas dos desbarrancamentos como sendo, além do problema dos esgotos, e a erosão natural do solo, a ocupação irregular e desordenada daquelas margens do rio.

O problema do derramamento de esgotos foi sanado, segundo a sentença, em outra ação, na qual o Estado do Acre e o Município de Rio Branco foram condenados a implementar políticas públicas para resolver a questão.

Assim, faltava julgar na ação a questão da remoção das famílias, que também se baseou em laudos dos próprios entes requeridos que, por vezes, afirmaram o risco iminente de desabamento dos prédios públicos e residências ali estabelecidas, indicando a necessidade da transferência dos moradores para outros imóveis fora da área de risco.

Da Assessoria de Comunicação do MPF/AC

terça-feira, 14 de setembro de 2010

ACRE TERÁ QUE DEVOLVER DINHEIRO DO HELICÓPTERO

MPF pede ressarcimento de valor pago por helicóptero do Governo do Acre

Helibrás poderá ter que devolver R$ 9,2 milhões aos cofres públicos

O Ministério Público Federal no Acre entrou com ação civil de restituição de patrimônio público para anular contrato celebrado entre a Helibrás – Helicópteros do Brasil S/A e o Estado do Acre em razão de irregularidades detectadas na compra de um helicóptero modelo Esquilo AS 350B2 adquirido em 2008 por R$ 7,9 milhões. A aquisição foi fruto de convênio celebrando entre o Estado do Acre e o Ministério da Justiça.

Segundo a ação, assinada pelo procurador da República Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, as irregularidades na aquisição vão desde o modelo licitatório aplicado, que não poderia ser pregão presencial, mas sim concorrência, até a também inclusão de outros itens no contrato que caracterizam venda casada, como o treinamento de pilotos e mecânicos cujo valor é obscuro no contrato.

Outra irregularidade apontada na ação é a excessiva quantidade de requisitos para a formação do projeto básico do helicóptero, que inclui itens disponíveis apenas em aeronaves fabricadas pela Helibrás, prejudicando o caráter competitivo da compra. Além disso, tais especificidades por si só, já descaracterizam o helicóptero como bem comum, impossibilitando o uso do pregão como modelo licitatório.

Com relação ao preço da aeronave a ação comparou valores de helicópteros fornecidos pela Helibrás para quase todos os estados brasileiros e apontou distorções, mostrando grandes variações entre as vendas. A ação demonstra que apenas a variação cambial da época dos contratos não justificaria a diferença abusiva de valores praticados para a venda do mesmo bem, como argumenta a vendedora.

O valor corrigido, a ser devolvido pela Helibrás com a anulação do contrato, é de R$ 9,2 milhões. Outro pedido da ação é para que sejam ouvidos os responsáveis pelo negócio, tanto por parte do Governo do Acre quanto por parte da empresa. A ação teve origem em inquérito civil público instaurado em novembro de 2009. Um inquérito policial federal continua em curso apurando eventuais responsabilidades pessoais.

Assessoria MPF/AC

domingo, 12 de setembro de 2010

JUSTIÇA E GESTORES PÚBLICOS PARA QUE TE QUERO?

Basta seguir a astag #Eletroacre no Twitter - microblog - para sentir a fúria dos internautas referente a única empresa que detém a distribuição e abastecimento de energia no Acre.

Na manhã deste domingo (12/09) sobrou calor e faltou energia elétrica em Rio Branco (AC) e, cidades vizinhas que são abastecidas pela companhia. Ficamos no escuro pelo menos durante umas quatro horas, mais ou menos. Não foi uma forma agradável de acordar, e teve gente que nem dormiu depois das 5h quando a energia sumiu.

Nem Eletroacre, e muito menos Eletrobrás se explicaram. O fato é que o serviço de ambas as companhias é precário, deficiente; as tarifas ainda são abusivas e não erram a casa do consumidor.

As experiências com ações na justiça não surtiram efeitos. Tanto Ministério Público Federal como o Ministério Público Estadual e até o Governo do Acre já acionaram a companhia judicialmente. Mas de nada adiantou, nem as multas devidas foram aplicadas.

A situação complica ainda mais quando percebe-se que o problema não tem solução a curto prazo, nem investimentos para minimizar.

O que desagrada o consumidor é ver candidatos e pessoas com mandato público utilizano esse problema social como fato politico, e não aparecem alternativas.

Como se não fosse suficiente a estiagem, a fumaça das queimadas, o desabastecimento de combustiveis e alimentos (entre outros), ainda temos que conviver com apagões.

Isso tudo ainda ocorre por que o Acre não tem mais usinas termoelétricas. Apenas a região do Vale do Juruá formado por cerca de 7 cidades não passa por problemas desse tipo, as termoelétricas ainda funcionam lá. Os demais municipios dependem do "Linhão" que vem de Rondônia. Enquanto as hidrelétricas do rio Madeira não são concluidas, e se também ajudarem, vai saber!

Uma dúvida paira no ar: Alguém sabe dizer se no Acre tem justiça, governo, senadores, bancada federal. Por que a Eletroacre já deixou bem claro que quem manda no Estado é ela. Faz o que bem quer, abusa da paciência do consumidor.

E voltamos ao velho seringal, com noites à luz de velas, porongas, lamparinas, lampião, etc.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

RO: SECA DO RIO MADEIRA MATA ANIMAIS


A paisagem lembra o sertão nordestino. Produtores já calculam prejuizos com a morte do rebanho bovino.

Moradores que vivem há mais de 25 anos em comunidades às margens do rio Madeira estão sofrendo com a falta de água e a estiagem amazônica.

Poços e cacimbas com mais de 40 metros de profundidade estão secos há mais de dois meses. Mutirões são realizados para retirar por dia 100 litros de água, do Madeira para cerca de 150 famílias desabastecidas.

Na última medição realizada pela Delegacia Fluvial de Porto Velho (RO), o rio Madeira estava com 2,58 (dois metros e cinqüenta e oito centímetros) de água, volume bem menor se comparado com o mesmo período em 2009, quando chegou a 4,80 (quatro metros e oitenta centímetros).

Famílias ribeirinhas que sobrevivem do extrativismo já passam por dificuldade para se alimentar. Caça, pesca, agricultura de subsistência e pecuária estão ficando comprometidos. A falta de água vem deixando os pastos secos, acarretando na morte de bovinos. Em alguns locais a paisagem lembra o sertão nordestino.

Muitos ribeirinhos buscam alternativas de sobrevivência em rios ainda abastecidos. O governo de Rondônia ainda não se manifestou sobre um plano de emergência para ajudar as famílias.

Já a Prefeitura de Porto Velho (RO), demonstrou pouca preocupação com os danos ambientais na região e os impactos na vida dos moradores. “Aqui não temos uma política especifica, nem nada de emergência para atender o povo nessas horas. Isso é comum, não é novidade na Amazônia. Nem pós-estiagem temos alguma ação planejada”, explicou Nara Vargas, assessoria de imprensa do município.

Em Rio Branco, o desabastecimento já é visivel. Alimentos já estão em falta, combustiveis passaram a ser racionados em postos e pelos condutores de veiculos. O Acre depende da travessia da balsa sobre o rio Madeira para ser abastecido, o único acesso é pela rodovia BR 364.

Fotos: Luiz Junior/Rondoniaovivo

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

SUPOSTO CAIXA DOIS NO ACRE

Depois do escândalo dos reais escondidos na cueca, envolvendo o Partido dos Trabalhadores (PT), e os Democratas (DEM) terem protagonizaram mensalão do dinheiro na meia, agora surge mais uma história curiosa na Amazônia acreana.

Agentes da Superintendência da Policia Federal do Acre apreenderam nesta segunda-feira (06), a quantia de R$ 472.130,00 (quatrocentos e setenta e dois mil e cento e trinta reais), que estavam guardados numa caixa de papelão, com um homem ainda não revelado pela PF.

De acordo com a Polícia Federal o dinheiro seria doado para uma empresa de telecomunicações (rádio e TV) em Rio Branco, capital do Estado. Um dos sócios do empresário seria um candidato ao cargo de deputado federal. Ambos não tiveram seus nomes publicados.

Em depoimento o homem preso com o dinheiro disse que a quantia, foi acumulada ao longo de quatro anos e é proveniente de parte do faturamento de seu estabelecimento comercial, situado numa cidade no interior do Amazonas.

Mas, a candidata a deputada federal, Antônia Lúcia (PSC), da coligação “Liberdade: Produzir para Empregar”, que é sócia de uma empresa de comunicação foi apontada por um site de noticias local como suspeita de ser dona do dinheiro. Ela faz parte do grupo político que defende a eleição do presidenciável, tucano, José Serra (PSDB).

Antônia Lúcia liderança do movimento evangélico não foi localizada para comentar o assunto, a PF não confirma o envolvimento dela. A assessoria da candidata convocou coletiva para essa quinta-feira, 09.

Foi aberto inquérito para investigar abuso de poder econômico, corrupção eleitoral e doação financeira não declarada na Justiça Eleitoral no pleito das eleições de 2010. O caso será mantido sob sigilo e, os nomes dos envolvidos serão preservados até o fim da apuração, diz a PF.

O dinheiro foi depositado na Caixa Econômica Federal e encontra-se à disposição do Juízo da 10ª Zona Eleitoral do Acre.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

VIOLÊNCIA ACREANA

Acre registra 24 mortes no mês de agosto; 12 no trânsito

Dulcinéia Azevedo

Na lista de mortos, há nomes conhecidos, como Jessé Santiago e Janete Silva de Morais

Durante os 31 dias do mês de agosto 23 corpos, provenientes de todo Estado, deram entrada no Instituto Médico Legal (IML) do Acre, com sede em Rio Branco. O trânsito ainda é o que mais mata, com o registro de 12 casos. A segunda causa é o homicídio (8) seguido de afogamento e suicídio, com dois casos cada.

Na lista de mortos, há nomes conhecidos, como o do presidente da Câmara Municipal de Rio Branco, Jessé Santiago, 38 anos, e da empresária Janete Silva de Morais, 47 anos. Jessé foi vítima de trágico acidente de trânsito na BR-364 e Janete foi morta na porta da casa da mãe, no bairro Bosque, durante um assalto.

O mesmo acidente que vitimou o presidente da Câmara de Rio Branco também matou a presidente da Associação dos Obesos do Acre e coordenadora de campanha do deputado estadual Luiz Tchê (PDT), Queline Souza Melo, 37 anos, e Carla Dinar Viana Livas, 5 anos.

O acidente aconteceu, ao amanhecer do dia 17 de agosto, na BR-364, no trecho da Terra Indígena katukina, a cerca de 100 km de Cruzeiro do Sul. A picape Hilux, transportando sete pessoas, caiu em uma galeria em construção para a instalação de uma ponte, próximo ao Rio Liberdade. Queline e a menor morreram na hora. Jessé ainda foi levado com vida para o Hospital Geral do Juruá, onde faleceu por volta de 11h.

Janete morreu com um tiro no peito na noite do dia 23 de agosto. O crime aconteceu por volta das 19h30min, na Rua Milton Matos, Bosque, próximo a paróquia Santa Inês. Ela estava na frente da casa da mãe quando foi abordada e morta pelos bandidos, que fugiram em uma motocicleta em seguida levando embora os pertencentes pessoais da vítima.

Número de óbitos é inferior ao que foi registrado no mesmo período de 2009

Se comparado ao mesmo período de 2009, houve redução no número de mortes registradas pelo IML. O mês de agosto do ano passado fechou com 61 mortes, quase dois casos por dia, contra 24 neste ano.

O trânsito, a exemplo deste ano, também produziu o maior número de vítimas, 23 no total. Seguido de homicídio (20), afogamento (12) e suicídio (6). A estatística do IML tem como base o número de corpos que dão entrada no instituto, o que significa que a quantidade de mortes violentas registradas no Acre pode ser bem maior. (D.A)