quarta-feira, 4 de agosto de 2010

ISSO NÃO É SER JORNALISTA

No centro da foto cercado por jornalistas, aparece o Senador da República, Tião Viana, candidato ao governo do Acre pelo Partido dos Trabalhadores, mesmo grupo politico de Dilma Roussef e Lula.

Ambos defendem um encontro de jornalistas das américas no Acre, em 2012, e como pano de fundo a campanha eleitoral desse ano.

A pauta eleitoreira é do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Acre, (Sinjac) que tem na presidência Marcos Vicentti, reeleito para o cargo, é funcionário nomeado da equipe de Raimundo Angelim (PT), prefeito de Rio Branco.

Juntando o útil ao agradável, o sindicato fez seu momento de campanha para o candidato favorito.

E um dia sonhei com jornalismo imparcial, ético, responsável, que não fosse pelego no Acre. E ainda culpam os patrões, mas alguns profissionais insistem em balançar bandeira vermelha para defender o pão de cada dia.

Muitos arrotam moralidade, mas entre teoria e prática existe uma grande diferença.

Desta forma jogam séculos de construção de conceitos do jornalismo no lixo.

É um exemplo negativo para quem ainda sonha em exercer a profissão, ou, senta no banco de uma faculdade para tentar concluir o curso.

Jornalistas que se curvam ao poder, não merecem respeito e credibilidade pública, também não tem moral para exercer a profissão.

3 comentários:

  1. Francisco, me permita fazer um adendo. A aproximação entre instâncias representativas da sociedade não é antiética. Seria, se nesta aproximação um deles fosse um indivíduo, com interesses privados, e o outro um ente público.
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    Um sindicato (qualquer sindicato) e o Senado da República partilham em comum o princípio da representatividade social, portanto, política. Logo, podem e devem dialogar para realizar ações concretas que possam resultar em benefícios diretos a toda a sociedade.
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    Não é antiético o senador fazer rapapés para quem quer que seja, já que está em campanha (o que também não é antiético). Aliás, não é incorreto sequer o sindicato declarar voto no seu candidato de preferência, como ocorre, por exemplo, nos Estados Unidos, na Grã-Bretanha e em outros países de democracia consolidada.
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    O que seria incorreto, antiético (o que você deixa subentendido no seu texto) é o sindicato deixar de cumprir sua agenda com os filiados em troca do apoio do senador, qualquer que fosse os termos desse acordo, e independentemente de quem partisse (senador ou sindicato).
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    O mesmo se aplica na dimensão privada: incorreto, antiético, seria um jornalista propor ao senador matérias "brandas" em troca de um cargo, dinheiro etc. E vice-versa: o senador prometer tais coisas, exigindo em contraparte uma "imprensa amiga", seria antiético.

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  2. Caro Francisco,

    O que o senador e principalmente "o candidato" está fazendo é o que sempre fez, garantir que a imprensa acreana, no geral, lhe seja subserviente como de regra tem sido.

    Bom trabalho

    Lindomar Padilha

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  3. Lindomar, desculpe pela chatice, mas há um problema lógico no seu comentário. Garantir a subserviência da imprensa - o que vem ocorrendo não só no governo petista, mas ao longo de toda a história da imprensa acreana - não pode ocorrer por meio da doação de coisas ao órgão representativo da categoria.
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    É inviável pensar que a doação de um terreno (feita pelo governo, isto é, pelo Estado) ao sindicato force jornalistas a se tornarem subservientes ao governo futuro, ou mesmo o atual. Sindicatos não têm esse poder. Especialmente em se tratando do Sinjac, cuja realidade de fragmentação e pulverização interna é um problema antigo e causada exatamente por divionismos plantados por facções políticas entre os próprios filiados.
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    O sindicato é um órgão representativo, com autonomia jurídica.
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    Já a histórica subserviência da imprensa acreana é conhecida por quem trabalha nas redações. Ela passa por lobby dos empresários em relação aos governos, passa pela prática de autocensura, e passa pela exigência de alinhamento editorial que o próprio governo exige baseado nesse financiamento.
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    Enfim, é um problema complicado, porque é histórico, e somente a união dos trabalhadores em informação pode resolver por meio da consciência de classe. Não é por meio da troca de acusações, da caça desvairada por culpados por esse quadro, que a categoria vai adiantar um único passo. É precisamente o contrário, quanto mais se acusarem, menos se resolverá qualquer coisa.
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    Abraços fraternos.

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