terça-feira, 13 de abril de 2010

VERSÃO CAFAJESTE


Archibaldo Antunes


Na versão cafajeste do governador Binho Marques, o jornalismo acreano "tem muita quantidade e pouca qualidade. E com pouca qualidade, muitos profissionais se escoram na desculpa que não têm liberdade".


A afirmação foi feita na manhã desta terça-feira a jornalistas escolhidos a dedo pela assessoria do governador, que gravou entrevista para a TV Aldeia. O blogueiro Francisco Costa fez um longo relato do ocorrido.


É uma pena que o ex-agitador cultural Binho Marques se escore na versão de que a imprensa do Acre é insipiente para justificar a censura imposta pelo seu antecessor e mantida por ele próprio. Com esse sofisma de quinta categoria, Binho tenta dar ares democráticos ao seu governo censor - e ainda coloca a culpa da rédea curta sobre os profissionais que se submetem ao comando petista instalado nas redações.


Vamos a um único exemplo. A estatal TV Aldeia nunca abriu suas portas para um parlamentar de oposição. Ali, no feudo petista, só quem tem voz são os petralhas e seus bajuladores. Como explicar que em uma emissora pública apenas um grupo político tenha voz? Como não há explicação possível para essa e outras contradições do governo, é mais fácil criar versões fajutas, como fez o governador.


Há muito tempo nenhum jornal acreano ousa publicar um artigo meu. E não preciso provar absolutamente nada sobre o meu trabalho ao petralha Binho Marques.


Sua fala é de um cinismo ímpar para quem continua a pagar com verbas públicas a complacência de uma imprensa que, acrítica e dócil, se põe a reproduzir cada uma das estultices ditas por ele e seus sequazes.


Do mesmo modo que São Pedro já foi culpado pelas chuvas que não permitem a conclusão das obras da BR-364, os jornalistas acabarão responsabilizados pelo fracasso da transformação do Acre no melhor lugar da Amazônia para se viver até o fim deste ano.


Essa gente é capaz de tudo.

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