quinta-feira, 29 de abril de 2010

NÃO PRECISAMOS DO PERU


Me lembro do tempo em que no Vale do Juruá, pra ser mais preciso Cruzeiro do Sul, tinha uma galera com sede de poder e transformação social e com enorme força de articulação, mobilização. Eles se diziam preocupados com os menos favorecidos, interessados em desenvolver aquela região, aquecer a economia, gerar emprego e renda.

Comunistas e petistas que colocava dezenas de alunos nas ruas, fechavam escolas por meses, tudo para assegurar direitos trabalhistas para professores e servidores da educação.

O Sindicato da educação não era pelego, a categoria era mais respeitada, unida, forte.

Entre eles professores que chegaram ao Congresso Nacional, sindicalistas que ocupam cadeira na Assembléia Legislativa acreana e montam nas costas do ex-governador Jorge Viana, para tentar uma vaga no senado.

Quantas vezes eles voltaram ao sindicato da educação, ou, foram as ruas acampar novamente com os trabalhadores de escolas durante os dias em greve?

Deve fazer muito tempo que não seguram cartazes de protesto, ou algo similar. O que sei é que as práticas não são mais as mesmas, e o poder como dizem os mais idosos "subiu à cabeça". O que condenavam no passado, hoje se submetem.

Eles assim como eu, sabem que o Juruá tem a melhor farinha de mandioca da região, precisamente as cidades de Cruzeiro do Sul e Rodrigues Alves. Nesta última, os ribeirinhos dominam as práticas. O mercado é tão grande que tem gente fazendo fortuna se aproveitando disso de forma ilegal.

A região tem um solo fértil, é uma terra economicamente viável para produção da agricultura familiar. O único problema é uma rodovia que há séculos prometem concluir. A BR 364 poderia ser a redenção da região, se não fosse eleitoreira é alvo dos gestores corruptos.

Ali tudo que se planta dar. Cruzeiro do Sul, por exemplo, tem uma variedade de feijão que não chegou ao conhecimento de todos. Tem até pesquisas oficiais indicando isso. O que falta é uma politica social intensa, ativa para a produção do homem do campo

Hoje ainda existem familias que sobrevivem nas colônias, seringais, vilarejos de forma tradicional, sem apoio de governos cultivando, extraindo do solo e das florestas sua sobrevivência.

Aquelas cidades do Juruá, nunca precisaram de ajuda internacional principalmente do Peru. Aliás esse país, ali vizinho, só trouxe prejuizos: tráfico de drogas, exploração e invasão de terras para extração ilegal de madeira, enfim.

Se é uma região que tem potencial sustentável, por que temos que trazer frutas, verduras, legumes e hortaliça do Peru para serem comercializados naquelas cidades?

É apenas mais uma proposta eleitoreira, como outros petralhas já fizeram para assegurar uma vaga parlamentar.

O vôo do Peru demorou 27 minutos e trouxe 22 toneladas de: tomate, batata, cenoura, beterraba, repolho, abacate, maçâ, uva e alho que estariam a venda nos mercados de Cruzeiro do Sul, se a Receita Federal não tivesse descoberto que aquilo estava ilegal; os fiscais reteram os ítens até conseguirem toda papelada pra liberação.

A maior desculpa pra esse vôo peruano é que um tomate que era vendido por cerca de R$ 8,00. Agora vindo do Peru seria comercializado por menos de R$ 4, 00. O custo do passeio das frutinhas é altissimo, seria mais conveniente investir essa grana em pólos produtivo.

Detalhe o tomate vendido por R$ 8,00 não é cultivado em Cruzeiro do Sul, se não vem de Rondônia, vem do Amazonas e até do centro sul do pais.

Isso mostra apenas que o projeto para o cultivo de gêneros alimenticios do estado não deu certo naquela região, as politicas de sustentabilidade e valorização da agricultura familiar não passam de fachada, pra pedir voto. Depois que fecham as urnas e sai o resultado da votação favorável a eles, tudo volta ao normal.

Na verdade o povo vai continuar pagando para colocar na mesa produtos inflacionados, e os comerciantes ficarão cada dia mais ricos para patrocinar campanhas eleitorais. De preocupação com o povo e interesse em desenvolver o Juruá, isso não tem nada, não passa de mais uma forma de enganar gente simples.

Não precisamos do Peru, mas, queremos novas e verdadeiras politicas públicas para viver do que a natureza nos oferece.


O texto é de Jackson Antunes Maciel, funcionário público aposentando, morando em Cruzeiro do Sul, e leitor deste blog.

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