quarta-feira, 14 de abril de 2010

Acre emPACado

Não fosse preo-cupante o caso do Airbus atolado, encalhado, emperrado (não importa o verbo) na pista do Aeroporto de Rio Branco, seria hilário. Mas, muito mais do que motivos para chacotas, o episódio nos faz refletir sobre a precariedade da infra-estrutura acreana em aeroportos, portos e rodo-vias. O Acre enfrenta o mesmo problema de todo o país, que mantém um ritmo acelerado de crescimento, mas com uma estrutura logística ainda da segunda metade do século passado.

Com mais de cem anos de história, o Acre não possui uma rodovia que interligue suas duas pontas. Sabe-se das inúmeras dificuldades que existem em pavimentar a BR-364 entre Rio Branco e Cruzeiro do Sul, mas a falta de vontade política e os incontáveis casos de corrupção em torno da obra postergam o sonho da sociedade de um dia, finalmente, o Vale do Juruá e Vale do Acre estar interligados.

Graças ao São Lula que tantas verbas liberou ao Acre, enfim o governo petista, aos trancos e barrancos, conseguirá pavimentar uma rodovia tão essencial para o desenvolvimento econômico e humano do Estado. Por outro lado, temos milhares de acreanos isolados em pequenas propriedades que não conseguem escoar a produção agrícola por conta das péssimas condições dos ramais.

Com uma das bacias hidrográficas mais ricas da região, o Acre não sabe tirar proveito de seus rios. Rio Branco, por exemplo, desenvolvida às margens do Rio Acre, não dispõe de um porto digno, com a estrutura mínima necessária para embarque e desembarque de mercadorias e pessoas. A situação é pior nas cidades do interior, que denominam de porto qualquer barranco que ofereça condições de atracar as embarcações.

Cidades isoladas, como Santa Rosa do Purus e Jordão, que têm nos rios sua principal fonte de sobrevivência não contam com locais apropriados para os batelões que passam semanas subindo e descendo os mananciais da região “estacionarem” para descarregar os produtos que vão garantir o sustento de seus moradores. Nestas pequenas cidades, também, a situação aeroportuária é ainda pior.

A pista do aeroporto de Santa Rosa é de barro. Os pilotos precisam ser peritos para pousar suas pequenas aeronaves naquele terreno baldio. Situação não muito diferente é em Jordão. Ambas as pistas não são homologadas pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). É preciso que o governo corrija esses problemas urgentemente. Um Estado sem uma infra-estrutura miníma somente almejará o desenvolvimento, sem nunca alcançá-lo.

O Acre é um dos estados que mais recebe recursos do PAC, o propalado Programa de Aceleração do Crescimento, que promete tirar o Brasil de seu atraso estrutural. Neste ano eleitoral, ao invés de só ouvirmos ataques de um lado e do outro, seria bom se nossos candidatos apresentassem propostas concretas para tirar o Acre desse atraso maléfico, que ainda nos distância anos-luz do já atrasado Brasil.

* Fabio Pontes é jornalista.
e-mail: fabiospontes@gmail.com
twitter.com/fabiospontes

Nenhum comentário:

Postar um comentário