terça-feira, 2 de março de 2010

A VISITA DO "CAPITÃO-DO-MATO"

Quando o jornalista comete excessos, falseia a verdade, macula a imagem de pessoas, distorce informações, enfim, age contrário a moral, a ética e a verdade, ele pode - e deve - ser responsabilizado por isso. O direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem, está expressamente assegurado na Constituição de 1988, carta maior deste país.


Se não estiver satisfeito, o ofendido pode ainda formular queixa junto ao Conselho de Ética do sindicato da categoria e solicitar uma abertura de sindicância contra o mesmo, requerendo inclusive a suspensão ou cassação do seu registro profissional. O Código de Ética do Jornalista existe para isso.


Portanto, as reclamações contra jornalistas devem ser endereçadas a Justiça e ao sindicato profissional, para serem assegurados o devido processo legal e a ampla defesa do prejudicado. Caso não ache necessário tudo isso, resta ao ofendido uma reparação amigável, mediante uma simples conversa com o próprio jornalista, o redator-chefe ou o proprietário do veículo de comunicação que lhe dará o direito de resposta.


Numa democracia, a imprensa não deve ser controlada e nenhuma instituição tem o direito de enviar seus “capitães-do-mato”, disfarçados de assessores de Comunicação, às redações para decidir sobre o conteúdo dos jornais e macular a imagem de jornalistas, como já era corriqueiro no Acre e voltou a acontecer por estes dias.


A diferença desse caso, em particular, é que o “capitão-do-mato” incumbido da missão, está em início de carreira e não conta com a discrição e a sutileza de seus antecessores, atributos essenciais àqueles que querem se dar bem à custa da desgraça alheia, principalmente do povo, que desinformado não tem como reagir nas urnas.


O gestor municipal que pratica - ou deixa que pratiquem em seu nome - a censura atira no próprio pé, se demonstra vulnerável e indigno de respeito. Ademais, é necessário que se diga – e todos devem saber disso – que as autoridades públicas têm a obrigação de explicar as suas decisões e ações aos cidadãos, principalmente quando envolvem o suado dinheiro do contribuinte, portanto, de todos nós.


Isso se chama responsabilidade de governo e vale para todos: presidente, governador, prefeito, secretário de estado, enfim, a lista é extensa. Na ausência dessa conduta, a corrupção pode florescer, aparecendo inicialmente como um simples desvio de finalidade e podendo evoluir, caso não seja combatido, para um grande rombo nos cofres públicos.


Dessa forma, o cidadão precisa – e tem o direito – de ser informado sobre as decisões que os gestores públicos tomam em seu nome e cabe a imprensa, portanto, a nós jornalistas, assegurar a correta transmissão dessas informações sob pena de ficarmos em divida não apenas com a sociedade, mas com a própria história da humanidade. O governo que nos tira esse direito atenta contra o povo e fere de morte a democracia.


A propósito, capitão-do-mato era o termo utilizado para classificar o empregado público encarregado de reprimir os pequenos delitos ocorridos no campo, no período da escravidão. Gozava de pouquíssimo prestigio social, e conseguia se manter em suas funções por estar sempre disposto a utilizar todos os mecanismos – legais e ilegais – para agradar seus senhores. Não é por acaso que eles continham sendo necessários até hoje.


* Dulcinéia Azevedo é jornalista, bacharel em Direito e escreve para o jornal A Gazeta/Acre.

Um comentário:

  1. Caríssima Colega Dulcinéia Azevedo, Artigo Ímpar e Uma Sugestão, DIGA SEMPRE O NOME DESSES..." Capitães-do-Mato " N O M E !!! Nossas PRERROGATIVAS de FÉ PÚBLICA Nos Permitem! Diga o Nome Que Eu O tornarei Mais Um Famoso...Daqueles Metido à Macho Só Prá Cima de Mulher...Nomina Esse Ruminante!!! Joana D'Arc

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