sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

HERÓIS NO HAITI


Os seis militares acreanos em missão de paz da Onu retornam para os braços dos familiares após o dever cumprido

Militares acreanos que ajudaram vítimas do terremoto em Porto Príncipe no Haiti, voltaram para os braços de suas famílias. Na bagagem histórias emocionantes pra contar de quem sobreviveu uma das mais recentes e maiores catástrofes naturais da humanidade e de um país que tenta sobreviver à miséria. Eles chegaram com suas famosas boinas azul, que é símbolo da Minustah (A missão das Nações Unidas para a estabilização do Haiti – sigla derivada do francês: Mission dês Nations Unies), e não quiseram falar muito com a imprensa.

A tropa de anjos de resgate desembarcou na manhã desta quinta-feira (05), no Aeroporto de Rio Branco, eles vieram num vôo comercial da empresa Gol Linhas Aéreo, direto de Manaus, no Amazonas onde passaram por exames médicos e foram saudados como heróis. Este será o melhor fim de semana dos oficiais. Largarão as armas, os veículos blindados e o uniforme camuflado, e ficarão protegidos pelo carinho dos filhos, da família e dos amigos. Deixam pra trás memórias e cenas tristes, e retornam para seus lares com a sensação do dever cumprido.

Os oficiais foram recepcionados pela banda de música do 4° Bis – Batalhão de Infantaria de Selva do Acre - , e oficiais como o coronel Cezar Augusto do Valle, do 7° Bec (Batalhão de Engenharia e Construções). Durante o desembarque no aeroporto muitas lágrimas, emoção e abraços apertados. Lá estavam os filhos com cartazes que tinham mensagem de manifestação de amor e afeto aos pais, alegres como se tivesse ganhado um grande presente, o maior de todos os brinquedos. Algo que ninguém jamais poderia ter oferecido aos pequenos – a vida, a coragem e a lição de solidariedade que seus pais [soldados] lhes deixam.

Os familiares que ficaram no Acre sofriam de aflição e saudade com as noticias do Haiti, após o terremoto. O coração deles estava apertado e na ansiedade do retorno dos guerreiros. O único contato com os familiares era por telefone, e via comunicadores na internet, mas após os abalos o contato ficou precário. Havia poucas informações e muita apreensão. A missão desses homens durou oito meses, uma semana antes do terremoto, eles deveriam ter voltado pra casa, mas a viagem foi cancelada por conta da tragédia. E os boinas azul foram novamente colocados à prova.

O cabo José F. da Silva, na chegada, expressou o sentimento de todos os colegas sobreviventes. Disse que viveram de perto o sofrimento de muitos haitianos, e que foram dias inesquecíveis e de muitas lições. De acordo com o comando do 7° Bec, outros nove militares seguiram do Acre, para reforçar as tropas no Haiti e ajudar as vitimas do terremoto.

O Brasil tem 1.266 militares na Força de Paz da ONU (Organização das Nações Unidas) no Haiti, dos quais 250 são da engenharia do Exército. Os militares já tiveram participação no socorro às vítimas dos furacões de 2004 e de 2008, que atingiram o Haiti.

Terremoto - O número de mortes causadas pelo terremoto de 7 graus de magnitude do último dia 12 de janeiro [2010] no Haiti já chega a 212 mil, segundo os últimos dados do governo haitiano divulgados pelo premiê Jean Max Bellerive. A terra já voltou a tremer na região mais de 30 vezes, de acordo com as agências de noticias.

Militares que retornaram do Haiti para o Acre:
Capitão Júlio André Damasceno
Sargento José Osmirlandes
Cabo Oziel Teles dos Santos
Cabo Francisco Socorro Lima
Cabo José Ferreira da Silva
Cabo Ronaldo Souza de Brito

Militares que seguiram em nova missão para o Haiti:
Capitão Fauri
Sargento Queiroz
Cabo Mota
Cabo Jelton
Soldado Olisnei
Soldado Samuel
Soldado Gomes
Soldado Marivaldo

Foto: Gleiciano Rodrigues.

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