segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A CONTRADIÇÃO DE BINHO

Por Edmilson Alves

Com o lançamento do “Floresta Digital” - projeto pelo qual a sociedade acriana passaria, a partir deste fevereiro de 2010, a ter acesso gratuito à rede mundial de computadores - o governador do Acre, Binho Marques [foto], contradiz a própria lógica de sua gestão.

Marques consolidou, como nem um outro governante da recente história do Acre, a rendição de quase a totalidade dos veículos de comunicação do Estado ao seu projeto de poder.


Nem o ex-governador Jorge Viana, com forte aprovação popular, obteve tanta benevolência por parte da imprensa acriana.

Com sua agência de notícias, o senhor de cavanhaque e sorriso fácil, edita jornais, blogs, sites noticiosos. Pauta TVs, rádios e assim determina os assuntos a serem discutidos pela agenda social, do diálogo do bar as discussões acadêmicas.

Binho consegue pautar até os programas policialescos, uma vez que a violência alastrada pelas cidades não é controlada pela força repressiva do Estado que governa.

A contradição de Binho é permitir ao acriano acesso à livre “arena” representada pela internet. Aquilo que a imprensa teima em esconder - na Web aparece.


O Acre mágico e magnífico que estampa as páginas dos jornais é desconstruído pelo mundo real, pelo dia-a-dia da sociedade que cedo ou tarde descobre não viver no “paraíso”. Que tristemente, pela dor do analfabetismo, da ausência de moradia, de saúde, segurança, descobre que seus líderes celebraram o velho contrato do “façamos a mudança antes que o povo a faça”.

Ironicamente, o meio virtual – a rede – vem contribuir para que o mundo real enxergue as ilusões entorpecestes das campanhas orquestradas pelo maldoso sistema midiático montado para confundir o acriano.

Binho Marques é inteligente, mesmo sabendo que deve lealdade ao seu grupo, quer deixar alguma herança positiva de sua gestão, quer dar liberdade a parte de uma sociedade, sufocada pela péssima educação proporcionada pelos veículos informacionais.

É triste constatar que os benefícios do “Floresta Digital” nunca chegarão a todos, pois, esquecemos-nos de ofertar escola a milhares de acrianos. Esquecemos-nos de proporcionar comida a outro tanto.

Aqueles que lhes foram negados o direito de acesso ao mercado de trabalho, se quer ousam sonhar ser dono de um computador.

Os governistas deveriam parar de criar projetos para os “incluídos” e lembrar-se daqueles que nada possuem.

E se a mim couber pedir. Peço apenas que inclua nossas crianças no sistema educacional, porque atualmente elas frequentam prédios bonitos nos quais escreveram a palavra “escola” em suas fachadas.

2 comentários:

  1. São raras as pessoas que têm esta compreensão clara do que seja o nosso Acre! Um lugar que "deve" tornar-se "o melhor lugar para se viver", um mundo no qual habitarão e habitam a elite acreana e no qual não há lugar para os menos favorecidos. Tenho certeza de que muitos dos alunos que receberão laptops nas escolas, prefeririam receber outras coisas, das quais são carentes. O único lugar em que o Governo da Floresta pouco consegue "meter o bedelho" é na Internet. Possivelmente, distribuindo acesso e hardware grátis esteja "criando monstros" que através da informação, num futuro próximo, vendo que o Acre não é aquilo que o governo fala, irão cravar seus dentes no traseiro dos petistas.

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  2. Caro jornalista, o editor do site Acre Notícias - José Carlos de Oliveira - foi proibido de ter acesso ao setor de imprensa da Aleac.

    De acordo com Oliveira a proibição foi tomada após o jornalista ter divulgado informações sobre gastos de dinheiro público com o encontro de vereadores promovido pela Alec.

    Zé Carlos é o único que foi proibido de ter acesso.

    Ainda de Acordo com Zé, a imprensa está proibida de falar sobre o assunto. Ele procurou TVs e sites. Mas o silêncio impera.

    Peço sua interferência no assunto. Precisamos pelo menos saber o motivo pelo o qual o repórter foi proibido de entrar naquele espaço.

    Mais informações em: www.edmilsonalves.com

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