terça-feira, 19 de janeiro de 2010

MARINA PONTO COM

"A internet é um meio barato e eficiente de fazer campanha. Não é coisa de candidato rico, nem de candidato pobre. É coisa de candidato criativo”


Marcelo S. Tognozzi *


A campanha de Marina Silva estreou na internet em abril. A grande mídia ainda nem sequer especulava se a ex-ministra sairia ou não do PT de Lula rumo ao PV de Fernando Gabeira e seus seguidores já pediam voto. Abrigada no Movimento Marina Silva Presidente, a campanha passou a distribuir eletronicamente cartazes, logomarca, fotos, arte para ser impressa em camisetas e tudo o mais para colocar o bloco na rua em grande estilo, incluindo o jingle MahatMarina de R. Arthur. No início de agosto, antes mesmo de Marina anunciar oficialmente sua saída do PT, já havia um cartaz com o V do Partido Verde. O movimento virou uma grande rede social, na qual os participantes também podem criar seus próprios materiais de campanha e colocá-los à disposição.


“Só o TSE poderia tirá-la do ar e assim mesmo não creio nesta possibilidade, porque o presidente do tribunal já declarou ser favorável a dar o tratamento de território livre para a internet”, opina o professor Walter Costa Porto, ex-ministro do TSE e um dos maiores especialistas em legislação eleitoral. O Movimento Marina Silva Presidente já conta com 11,6 mil membros efetivos e um sem-número de simpatizantes. Grupos (ou tribos) lá instalados são 265.


Pela segunda vez em menos de um ano o PV surpreende fazendo bom uso da internet. A primeira foi na campanha de Fernando Gabeira a prefeito do Rio, de excelente qualidade técnica. E isso aconteceu justamente no momento em que os políticos se recusaram a dar um tratamento digno à rede, tentando amordaçá-la no remendo de lei relatado pelo deputado Flávio Dino (PCdoB-MA). Ainda bem que o presidente Lula decidiu vetar algumas barbaridades. A lei que ficou não é uma Brastemp, mas já é alguma coisa.


A qualidade do trabalho dos apoiadores de Marina se traduz em dois aspectos: o primeiro é a agilidade na distribuição do material de campanha; o segundo é a fidelização dos apoiadores, que podem participar e dar ideias, exatamente como fez a campanha vitoriosa de Barak Obama.


Esses dois aspectos, aliados à simplicidade e boa navegabilidade do site, podem fazer a diferença em favor de Marina na conquista de novos eleitores. Uma militância espontânea, coisa cada vez mais rara hoje em dia e ainda mais com característica de rede, é ouro puro. Essa iniciativa já está sendo desdobrada no Twitter, no Orkut, no Facebook e outras redes sociais mantendo o nome da candidata em evidência.


A internet é um meio barato e eficiente de fazer campanha. Não é coisa de candidato rico, nem de candidato pobre. É coisa de candidato criativo, para dizer o mínimo. Um bom site não custa caro, e as redes sociais têm plataforma pronta, à espera de um bom conteúdo. Sem requerer orçamentos astronômicos ou gastos exorbitantes, a internet é desprezada por uma maioria de políticos acostumados ao “voto é dinheiro” e “eleição é negócio”.


A era da campanha de papel, que durante tanto tempo fez a felicidade do setor gráfico, está chegando ao fim. O Twitter e o SMS substituirão o velho santinho de guerra e o You Tube movido a câmeras de celular vai obrigar as produtoras a reverem seus conceitos. A interatividade está tornando as campanhas permanentes. Entender isso significa sobrevivência, manutenção do poder. Dentro de no máximo uma década só haverá voto.com.


* Jornalista, é diretor da empresa A+B Comunicação.

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