sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

APÓS TRINTA ANOS ELES CONTINUAM OS MESMOS

Archibaldo Antunes


Pra mim não existe nada mais irritante que a trapaça intelectual. Sobretudo quando o trapaceiro está convencido de que é mais esperto que o resto dos mortais. É claro que isso, via de regra, não é verdade, e nos comentários a seguir vou provar por quê.


O artigo do ex-governador Jorge Viana (“Trinta anos e um país mudado"), publicado ontem nos quatro diários da capital, será objeto da análise a seguir. Suprimi alguns trechos para não tornar o post cansativo. O resultado é bem extenso, mas creio que vale a pena ler.

O texto dele vai entre aspas; sigo-lhe as pegadas em negrito.


"O Partido dos Trabalhadores faz 30 anos tendo uma história extraordinária para contar".


E outras nem tanto, já que criou o mensalão, pagou por dossiê falso contra adversários, grampeou ministros do Supremo Tribunal Federal, acoitou corruptos, cooptou adversários e não pára de flertar com a censura.


"Mas o sonho não acaba e é preciso seguir mudando este Brasil mudado. Para tanto, o PT deve valorizar os princípios que o levaram a se tornar o maior partido do país, especialmente a ética e a participação política como qualidade da cidadania".


Ética e cidadania viraram palavras ocas na era do petismo. A ética agora é a da conveniência, como não se constrange de alardear o mais pragmático dos companheiros neste artigo; e cidadania virou sinônimo de Bolsa Família, essa excrescência que encurtou o comprimento do cabresto.


"É bom lembrar, sobretudo aos jovens, que a participação faz a política transparente e transformadora, enquanto a corrupção prospera na sombra e a desqualificação da atividade pública é uma espécie de reserva de mercado dos aproveitadores".


Não esqueçam os companheiros que há onze anos não há participação popular no governo deles e menos ainda transparência em sua administração. O governo se nega a exibir a contabilidade de seus gastos, e alguns dados, como os da Segurança Pública, são tratados com absoluto sigilo.

Além do mais, quem desqualifica a atividade pública são os que se encastelam no poder e passam a controlar a imprensa, consagrar aliados e demonizar adversários, e a esquecer que existe uma linha demarcatória entre o público e o privado.


"Recentemente, até os mercados mais refratários às intervenções de Estado fizeram um reconhecimento global à política, pedindo aos políticos solução para a crise mundial criada pelos próprios mercados".


Ah, essa é a parte que mais gosto! Trata-se da autocoroação, de onanismo em público. Jorge Viana é o político salvador, e por isso os empresários devem paparicá-lo, pois dele depende a manutenção da economia e a felicidade geral.


Ora, a crise econômica mundial contou, sim, com a ajuda dos governos, os maiores interessados em que a marolinha não virasse tsunami. Há décadas o mercado, esse demônio, disponibiliza dinheiro aos governos a preços baixos, o que possibilitou a ascensão de alguns países emergentes, entre eles o Brasil. De onde vem, por exemplo, o dinheiro que o BID empresta ao governo do Acre em seus momentos de aperto (que por alguma razão sempre coincidem com a proximidade das eleições), senão de captações no mercado financeiro? Além do mais, o argumento embute uma noção equivocada, pois se a intervenção estatal fosse a solução, a Venezuela não seria o grandiloqüente fracasso do esquerdismo na América Latina.


"Da política tudo depende, desde decisões para economias mais justas até a concretização de ajuda humanitária nas horas mais dolorosas, como estas vividas agora no Haiti ou aqui no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Minas Gerais".


Neste ponto vou me ater ao que falta no texto e não ao que ele contém. Quando o autor diz “aqui no Rio de Janeiro”, a ausência da vírgula a separar o advérbio de lugar do resto da frase passa a impressão de que o texto vem de lá, da Cidade Maravilhosa, e estando o ex-governador aqui no Acre, é de se intuir que a encomenda veio de longe.


"(...) a prioridade do projeto nacional é indiscutível, mas deve ser trabalhada com inteligência e atentar para o risco do enfraquecimento do PT na base da sociedade. É preocupante que este risco se agrave justamente nos estados mais populosos, ricos e influentes do país, como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais".


Aquilo que é preocupante para os petralhas é muito esclarecedor para mim. A influência do PT está restrita a regiões pobres, onde o governo é o maior empregador, como no Acre, e a população vive pendurada no Bolsa Família, como no Nordeste.


"Não faz sentido o PT não postular o governo em pelo menos um destes estados, pois tal ausência contradiz o próprio caráter nacional do partido".


Claro, já que o caráter nacional do partido tem, digamos, como marco internacional o transbordamento de seu modelo de governar, que coincide com o de Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia), Fernando Lugo (Paraguai) e Cristina Kirchner (Argentina).


"Na extensão desse problema, nem a forte expressão do PT na região Nordeste impede o PMDB de cobiçar a Bahia, com a força de um ministério de grande importância projetando uma candidatura de enfrentamento à reeleição do governador petista Jacques Vagner. Sabidamente, nosso velho aliado desconversa sobre a Bahia e insiste em Minas, onde também não é governo, mas quer chegar lá ao custo da abdicação da candidatura petista".


Eu li direito? “Velho aliado”, o PMDB? Talvez Jorge Viana esteja confundindo a carreira pessoal, que começou com uma mãozinha de Flaviano Melo, com a aliança de conveniência entre Lula e José Sarney, o maior batedor de carteira da história, segundo o atual presidente – ou foi Fernando Collor quem disse isso? Ah, agora que estão todos juntos é difícil saber quem disse o quê...


"A política de alianças também é indiscutível, mas o malabarismo do seu encaminhamento deve incluir a possibilidade do endurecimento pontual de algumas negociações, como não pode aceitar o “subfaturamento” de espaços políticos importantíssimos, a exemplo do comando da Câmara e do Senado, de ministérios estratégicos e até da candidatura à Vice-Presidência da República".


Aos companheiros menos atentos, vou repetir o que disse o guru de vocês: a política de alianças é indiscutível, entenderam? Não adianta espernear. Narciso Mendes, Orleir Cameli, Flaviano Melo – é tudo gente boa e honesta.


"A aliança com o PMDB é fundamental, mas não se pode negar que seja um casamento de conveniência. O que a faz honesta e politicamente recomendável, é justamente o fato de essa aliança ser celebrada às claras, diante do testemunho público e remetida à aprovação de milhões de eleitores".


Isso de que basta ser "à luz do dia e sob testemunho" que uma coisa má se torna boa é o argumento mais bisonho do artigo. O autor poderia ter se esforçado mais para nos convencer de que simples raios de sol podem nos livrar dos ácaros da política brasileira.


"A necessidade de fortalecer o projeto nacional pelo equilíbrio das alianças regionais tem a ver com a própria sustentabilidade do PT, como partido político e como condutor de um projeto de desenvolvimento sustentável para o país. O que não podemos é repetir o PSDB, que esgotou seu projeto nos 8 anos que permaneceu no Governo e agora, à falta de um discurso construtivo, apequena o debate e desce a um nível inimaginável para um partido de príncipes".


Ah, a ironia, como é doce... O mais tucano dos petistas, o mais nobre palaciano da política do Acre, até ele tem direito à alguma picardia.


"O PT tem obrigação de ser contemporâneo e capaz de acompanhar as transformações da sociedade moderna, para sua perspectiva de desenvolvimento sócio-ambiental não envelhecer".


Quem envelheceu foi Jorge e Tião Viana no poder. Repararam como um tem cabelos brancos demais e o outro, cabelos de menos?


"Isso me lembra um texto de Affonso Romano de Sant’Anna sobre fazer 30 anos. Dizia que 'chegar aos 30 é hora de se abismar. Por isto é preciso ter asas e sobre o abismo voar'. Então é tempo de o PT mostrar a cara, sair às ruas e revelar os sonhos desse Brasil mudado".


Não se pode negar que a aliança com o PMDB seja um casamento de conveniência.


Não sabia que o ex-governador lia Romano de Sant’Anna, poeta e cronista de mão cheia. Achei que Jorge só se interessava por Maquiavel, Mao Tse-tung, Lênin e outros da mesma laia. Talvez a leitura da poesia lhe esteja abrandando o coração, daí o mea culpa. Seu artigo, aliás, é o primeiro passo público do lado petista na direção dos peemedebistas da aldeia.


Ao contrário do que se percebe, essa perspectiva não deveria constranger Jorge Viana e sua corte – todos sempre tão atentos às conveniências do momento.


Leia mais no blog Contraponto


quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

TIÃO VIANA É DESTAQUE NO CORREIO BRASILIENSE

Publicidade em ambulância rende acusação de propaganda eleitoral antecipada ao senador Tião Viana

Lúcio Vaz


O Ministério Público Eleitoral do Acre acionou o senador Tião Viana (PT-AC) e o prefeito de Jordão (AC), Hilário de Holanda Melo (PT), por suposto crime de propaganda eleitoral antecipada. A causa é a exposição de um adesivo com o nome do senador em um carro doado pela Polícia Federal e transformado em ambulância pela prefeitura. O veículo circulou pelas ruas de Jordão e Tarauaca com os dizeres “Apoio: Sen. Tião Viana”. O senador confirmou ao Correio que intermediou com a PF a doação do carro, mas afirmou que a iniciativa de colocar o adesivo partiu do prefeito. Acrescentou que apresentará a defesa na Justiça Eleitoral quando for interpelado. Os acusados estão sujeitos a multa de R$ 25 mil.

Viana reconhece ter intermediado a doação do carro ao município de Jordão, mas diz que a ideia de colocar a publicidade na ambulância foi do prefeito local, Hilário de Holanda (PT).

Viana reconhece ter intermediado a doação do carro ao município de Jordão, mas diz que a ideia de colocar a publicidade na ambulância foi do prefeito local, Hilário de Holanda (PT)
O caso gerou a abertura de um inquérito civil na Procuradoria da República no Acre em fevereiro do ano passado. Como foi verificado o uso de verba municipal na aplicação da publicidade, foram encaminhadas cópias dos autos ao Ministério Público Estadual para apuração de possível improbidade administrativa. O MP Eleitoral explicou a inclusão do nome do senador na ação: “Em razão de tratar-se de exposição de nome de pessoa sabidamente pré-candidata ao governo do Acre, o que configura propaganda eleitoral, o Ministério Público representou ao TRE/AC para a apuração das responsabilidades no âmbito eleitoral”.

Retirada - Segundo entendimento do procurador regional eleitoral substituto Paulo Henrique Ferreira Brito, “a mensagem veiculada no automóvel se mostra evidente no sentido de captar eleitores e é eficiente para anunciar que o candidato continuará defendendo os interesses dos cidadãos, já que o veículo é visto diariamente pela comunidade não só daquele município, como também da cidade vizinha Tarauacá, onde a ambulância é frequentemente estacionada”.

Tião afirmou ontem que solicitou ao prefeito, assim que tomou conhecimento do fato, em fevereiro de 2009, a imediata retirada do adesivo. O prefeito teria cumprido o pedido e enviado carta ao Ministério Público assumindo a responsabilidade sobre o fato. Segundo o senador, o prefeito alegou desconhecer a legislação que impede a veiculação de propaganda em bens públicos. Também foram acionados na Justiça a empresa Wilken Perez Comunicação, que colocou o adesivo no carro; o filho do prefeito, Zózimo Garcia; e a servidora Mirna Borges, nora do prefeito.

No fim de 2008, Tião envolveu-se em outra confusão no Acre. Uma emenda individual de sua autoria financiou a distribuição de 1,8 mil cadeiras de rodas, muletas e bengalas para pessoas com deficiência. A entrega teve início no período pré-eleitoral e estendeu-se até o início da campanha para as eleições municipais. Tião participou da distribuição nos 22 municípios do estado. Em Epitaciolândia (AC), a solenidade foi suspensa pela Polícia Federal, a pedido da Justiça Eleitoral.

Para ler a matéria na íntegra, acesse, o Correio Brasiliense

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

TERRA TREME NA FRONTEIRA DO ACRE


Terremoto não foi sentindo no Acre, mas foi registrado no pais vizinho, o Peru

Um terremoto com magnitude de 5,8 graus na escala Richter, que ocorreu no Peru foi registrado pelo Serviço Sismológico Americano (USGS - na sigla em inglês), a 153.40 km de profundidade, distante da fronteira brasileira já a 230 km de Cruzeiro do Sul (AC), e 400 km de Tarauacá, no extremo-oeste brasileiro.


O epicentro do tremor, ocorrido às 18h52 local, (20h52 em Brasília) desta segunda-feira (25), aconteceu na região das cidades de Pucallpa e Campoverde já próximo do Rio Ucayalli, no Peru. É uma região onde a área do solo é de densa floresta, se mais próximo da superfície teria causado destruição. E não foi sentido pela população do Acre.


Pela escala Richter, o tremor ocorrido na região é considerado moderado. E pode causar danos maiores em edifícios mal concebidos em zonas restritas. Pode ainda provocar danos ligeiros nos edifícios bem construídos. Esses terremotos são comuns no Acre. Em Porto Príncipe, no Haiti, o tremor foi registrado a 10 km de profundidade.


Tremores de terra no Acre - No dia 22 de gosto de 2008, a terra tremeu na mesma região peruana. Um terremoto de 6.3 na Escala Richter foi sentido em Rio Branco, a capital do Acre, às 16 horas - 17 horas em Brasília. O epicentro aconteceu a 95 quilômetros de Pucallpa, a capital do departamento de Ucayally, no Peru, a 152 km de profundidade. Nas cidades de Cruzeiro do Sul, e Marechal Thaumarturgo os moradores sentiram os abalos. Prédios na capital acreana ficaram sem energia elétrica. Quem estavam em lojas e escritórios fugiram pelo elevador à tempo. Servidores públicos também abandonaram em pânico seus postos de trabalho. Ninguém ficou ferido.


Outro tremor foi registrado em abril de 2009, com 4.5 graus de magnitude, o epicentro foi a 81 quilômetros de Santa Rosa do Purus, na fronteira Brasil-Peru, entre os rios Envira e Purus.


Na semana passada, o pesquisador e geógrafo, Claudemir Mesquita, em reportagem do jornal A Tribuna alertava para o risco de a Amazônia e o Acre, ser alvo de um terremoto com magnitude maiores, ou, semelhante ao que ocorreu no Haiti. Segundo o pesquisador, o motivo para que o evento natural possa se repetir no Acre, é que a mesma placa mexicana de Nazca que passa pelo país destruído (Haiti) também atinge o Brasil, passando por baixo da placa Sul-Americana. As duas estão em constante movimentação que causa atrito, liberando energia ou tremores que foram sentidos e noticiados no Acre entre 2002 e 2008.


Claudemir Mesquita explica que a intensidade de um terremoto em nossa região pode ser maior ou menor que o haitiano. "Não sentimos tanto os tremores, porque possuímos centros urbanos que estão espalhados, e a maior parte dos tremores ocorreram em zonas que não eram habitadas", explicou o especialista.


Mesquita lembra que a região entre Brasiléia e Assis Brasil já foi atingida pelas movimentações de terra há cerca de cem anos, ocasionando as ladeiras, ou seja, os morros. "Antes, aquela região era uma planície, mas o choque das duas placas, que ficam uma sobre a outra, gerou todas as ladeiras e montanhas. Os Andes continuam a crescer por conta disso", afirmou o especialista.


De acordo com o especialista, nossas construções atuais não estão preparadas para o impacto de um sismo, o que faria de vítima todos os acrianos. "Acontece que nem todos possuem dinheiro para investir em prevenção, então não é gasto dinheiro em uma base estrutural boa para a absorção do impacto, com isso acabamos construindo casas que não conseguiriam agüentar tremores", disse o geógrafo ao repórter de A Tribuna.


Prevenção - No Twitter - microblog - o jornalista Altino Machado, escreveu trechos de uma entrevista que fez com um pesquisador da Universidade Federal do Acre (Ufac), horas depois do registro do tremor desta segunda. "Sugiro que a Defesa Civil e órgãos como o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA), por exemplo, analisem os riscos. O que importa é a freqüência de terremotos na região e a sua energia. Não tenho informações suficientes para avaliar o risco", disse o pesquisador Foster Brown, para Machado.


Conforme o paleontólogo e pesquisador Alceu Ranzi, os terremotos na fronteira brasileira com o Peru ocorrem na "ponta" da Placa de Nazca. Ranzi diz que já propôs ao diretor da Funtac (Fundação de Tecnologia do Acre), Cézar Dotto, a instalação de uma rede de sismógrafos no Acre, para estudar os fenômenos e emitir alerta em casos de incidentes maiores.

domingo, 24 de janeiro de 2010

CONTRATOS FEITOS POR JORGE VIANA ESTÃO SENDO INVESTIGADOS PELO MPF


Apurações começaram no fim do ano passado, depois de negócio firmado em Rio Branco, no Acre


Reportagem do Correio Brasiliense deste domingo (24), feita pela jornalista Alana Rizzo, revela que negociações de R$ 123, 7 milhões para a compra e a venda helicópteros para ao menos 14 estados está sendo investigada pelo Ministério Público Federal (MPF). A suspeita é de fraude nos processos licitatórios, incluindo direcionamento para que uma empresa fosse vencedora dos pregões e superfaturamento. Os recursos para a compra das aeronaves são do Ministério da Justiça e foram transferidos para os estados por meio do Fundo Nacional de Segurança Pública (Funsp). Desde 2000, a pasta investiu R$ 274 milhões em aviação.


No centro das investigações está a Helibras, empresa mineira que é a única fabricante de helicópteros na América do Sul. Com mais de três décadas de atuação, o capital da Helibras está dividido entre a francesa Eurocopter Participacions, a Bueinvest Representações Comerciais, do banqueiro Edmond Safdié, e a MGI Minas Gerais Participações, do governo mineiro.


A presidência do Conselho de Administração está nas mãos do ex-governador do Acre, o petista Jorge Viana (lobista), que já manifestou disposição de concorrer ao Senado este ano. Recentemente, a Helibras garantiu novos contratos milionários com o governo federal. Incluindo um projeto para a modernização de 34 helicópteros do Exército e a produção de 50 aeronaves para as Forças Armadas. Segundo informações da própria empresa, no segmento de bombeiros, polícia e entidades públicas, é líder de mercado com mais de 80% de participação.


A apuração das irregularidades começou no fim do ano passado, em Rio Branco, no Acre, berço político de Viana. No Estado, a empresa faturou num pregão contrato de R$ 7,9 milhões para fornecer um helicóptero para o Programa Nacional de Segurança e Cidadania (Pronasci), menina dos olhos do ministro da Justiça, Tarso Genro.


O modelo adotado pela administração estadual para a compra do produto foi considerado inadequado. “(O pregão) é para bens comuns e o helicóptero não é”, defende o autor do inquérito, o procurador Ricardo Gralha Massia (MPF-AC). A investigação questiona o alto valor pago pela aeronave e a constatação de que não houve participação efetiva de outro licitante no processo licitatório. A TAM, representante da montadora norte-americana Bell, desistiu e apenas a Helibras se manifestou, contrariando a legislação. O mesmo ocorreu em outros estados durante a compra de helicópteros.


Em relação aos preços praticados pela empresa, os valores são flutuantes. Análise dos processos licitatórios mostra que a mesma aeronave foi vendida com preços diferentes. O modelo multimissão registrou diferença de R$ 6 milhões até R$ 11 milhões. Já o Esquilo variou de R$ 6 milhões a R$ 7,3 milhões.


Com a intenção de criar um critério comparativo, todos os estados foram oficiados sobre compra de aeronaves para o mesmo fim. Nem todos responderam até o momento. O MPF pediu também a instauração de inquérito na Polícia Federal e processo de tomada de contas especial no Tribunal de Contas da União (TCU) para apurar possíveis irregularidades. De acordo com a Comissão de Aviação de Segurança Pública do ministério, 24 estados adquiriram aeronaves nos últimos anos.


De novo - Não é a primeira vez que a Helibras é suspeita de fraude em licitações. Em 2007, o TCU apurou as mesmas denúncias: superfaturamento e direcionamento na compra, pelo Ministério da Justiça, de mais de R$ 80 milhões em aeronaves para os jogos Pan Americanos. Os ministros aceitaram parcialmente a denúncia, apesar de a 6ª Secex ter concluído a existência de sobrepreço na proposta da empresa. O objeto do certame era o registro de preços para aquisição de aeronaves destinadas a ações e operações de segurança pública durante os jogos no Rio de Janeiro.


Procurada pela reportagem, a Helibras informou, por meio da assessoria de imprensa, que prestará os devidos esclarecimentos ao MPF quando for solicitada e que prefere não se manifestar publicamente sobre o assunto enquanto existirem investigações em andamento. De acordo com a empresa, todas as licitações de que participa são públicas e nos últimos anos forneceu helicópteros de diversos modelos, e em diferentes configurações, para diversos órgãos públicos, de acordo com a necessidade operacional de cada órgão, sendo que os valores destes contratos dependem dessas variáveis. Já o Ministério da Justiça afirma que ainda não foi notificado sobre o caso. O governo do Acre também foi procurado. Porém, a assessoria de imprensa não retornou as ligações.


Estrela na blindagem - O helicóptero que deu origem à investigação de superfaturamento e direcionamento de licitação foi alvo de uma outra apuração. Em setembro do ano passado, o Ministério Público Federal (MPF) recomendou que o governo do estado do Acre removesse uma estrela vermelha desenhada na aeronave comprada por meio de convênio com o Ministério da Justiça. O inquérito apura se a publicidade governamental à custa dos cofres públicos não teria como fim a promoção pessoal e do partido político.


Para o MPF, a estrela representa um favorecimento ao Partido dos Trabalhadores, do governador Binho Marques. “Apesar de a bandeira do Acre conter uma estrela vermelha, a enorme desproporção em que foi disposta aquela pintada na aeronave acaba por confundi-la, no plano fático, com a marca registrada do PT, partido que, por seus representantes, exerce a chefia dos dois poderes Executivos na aquisição do helicóptero”, aponta o texto da recomendação encaminhada ao governo. Segundo o documento, a pintura fere o artigo 37 da Constituição, que veta símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridade ou servidores públicos.


A secretária de Segurança Pública do Acre, Márcia Regina Pereira, afirmou, na época, que a pintura é uma referência apenas à bandeira do estado. Porém, o MPF reforça que o episódio não é isolado e o artifício teria sido usado em outras ocasiões.


As opções de modelos Helibras incluem o Colibri EC 120, toda a família Esquilo (AS 350, AS 355 e EC 130), os modelos EC 135 e EC 145, o Dauphin AS 365, o EC 155 e a família Super Puma, tanto nas versões civis quanto nas configurações militares.


Conheça algumas aeronaves:


Colibri, EC 120 B: O EC 120B é um novo helicóptero monomotor leve e polivalente, que integra alta tecnologia: cabeça do rotor principal articulada tipo "Spheriflex™ ", painel de instrumentos ergonômico e moderno incluindo o VEMD - Vehicle and Engine Multifunction Display, uma nova geração de rotor traseiro carenado "Fenestron", assentos e sistema de combustível anti-crash.

Equipado com uma turbina TURBOMECA Arrius 2F, o EC 120B é especialmente utilizado para treinamento e helicóptero de observação, devido ao seu tamanho, capacidade de pilotagem, design simples e cabine de ampla visibilidade. O EC 120 B apresenta ainda um baixo custo operacional


Fennec, AS 550 C3: O AS 550 C3 é a versão de combate do Fennec monoturbina. Sua capacidade de transporte e envelope de vôo fazem deste helicóptero a melhor aeronave militar.


É equipado com portas deslizantes, trem de pouso alto, painel de instrumentos adaptado a vôos táticos e provisões para vôos noturnos com óculos de visão noturna.


Pode ser equipado com armamentos axiais, tais como canhão de 20 mm, lançadores de foguetes, armamento lateral ou, na versão anti-carro ou ar-ar, pode transportar 04 mísseis


EC 635 P2/T2: O helicóptero utilitário leve EC 635 é a versão militar do EC 135, incorporando também as últimas inovações tecnológicas.


É uma aeronave biturbina leve multifunção de 8 assentos, na qual os materiais compostos são amplamente utilizados, equipada com assentos e sistema de combustível anticrash. Com uma nova geração de rotor principal e rotor traseiro tipo Fenestron, este helicóptero apresenta baixo nível de ruído (7 dB abaixo da exigência da ICAO) e segurança na operação.


As principais características do EC 635 são: grande eficiência operacional, capacidade operacional diurna e noturna em condições climáticas adversas, alto desempenho com reserva de potência e avançado conceito de manutenção.


O EC 635 é apresentado com duas opções de motorização. As potentes turbinas controladas eletronicamente (FADEC) Turbomeca Arrius 2B2 ou Pratt & Whitney 206 B2 proporcionam maior performance em vôos mono ou biturbina, tornando o EC 635 um helicóptero excepcional em quaisquer condições operacionais e climáticas.


O EC 635 é particularmente adequado para operações militares além de transporte utilitário, treinamento, transporte de tropas, reconhecimento e SAR. A cabine espaçosa e desobstruída do helicóptero, acessível através de portas laterais deslizantes e de duas grandes portas traseiras, é bem adaptada para missões de resgate e defesa civil


Cougar, AS 532 AL / SC; COUGAR AS 532 AL: Esta é a versão "alongada" da família Cougar. Este helicóptero pode transportar 25 combatentes ou 6 feridos em macas, e mais 10 passageiros.


Como as outras versões, pode levantar 4,5 toneladas no gancho. O AS 532 AL pode ser equipado com o sistema "Horizon'' de monitoramento do campo de batalha.


A versão AL é a versão armada e pode ser equipada com metralhadoras montadas em casulos laterais e armamentos axiais como canhões de 20 mm ou lança-foguetes 2 x 19 – 2,75”.


Várias Forças Armadas optaram pela instalação VIP para transporte de autoridades governamentais.


COUGAR AS 532 SC: Esse helicóptero é a versão naval da família Cougar, equipado com 2 turbinas Turbomeca Makila 1A1. Suas principais missões são: Guerra anti-superfície (ASUW), equipado com mísseis AM 39. Guerra anti-submarino (ASW), com sonar de profundidade variável e torpedos. Patrulhas marítimas de Busca e Salvamento. O Cougar AS 532 SC pode ser equipado com arpão para fixação rápida por ocasião de pouso sobre o deck de navios e pode ser operado facilmente no mar com máxima segurança


EC 725: O EC 725 é um helicóptero biturbina médio da classe de 11 toneladas, com performance garantida pela já experiente família Super-Puma/Cougar, que conta com mais de 550 unidades fabricadas e um total de horas de vôo acima de 2.300.000.


O EC 725 possui excelente reserva de potência, sendo um helicóptero rápido com grande alcance de capacidades. Tem grande volume para carga e acomodações permitindo diversificado lay-out de transporte de tropas para até 29 combatentes, além dos 2 pilotos.


Desenvolvido pela Eurocopter com avançadas tecnologias, inclui projeto modular dos conjuntos mecânicos, o uso intensivo de materiais compostos, agrega o estado-da-arte em aviônicos, incluindo LCD Multi-funções, Sistema de Monitoramento do Veículo e Sistema de Controle Automático de Vôo – AFCS.


O EC 725 também incorpora a nova geração de turbinas TURBOMECA Makila 2A, motorização esta que proporciona elevado desempenho e máxima segurança, graças a sua total redundância com duplo canal no sistema FADEC - Full Authority Digital Engine Control.


Com informações do Correio Brasiliense.