quinta-feira, 12 de novembro de 2009

ÍNDIO KAXINAWÁ FARÁ CONTATO COM TRIBOS ISOLADAS

Índio revelou a missão em visita feita ao Estado do Maranhão. Ele conduzirá a segunda missão com vistas aos contatos com tribos isoladas.

Por Jairo Carioca

De passagem por São Luís o jovem pajé Siã Kanabixi, 23 anos, que representa a Cultura do Povo Hunikuin (Kaxinawá), localizado no estado do Estado do Acre, falou da importante missão que vai realizar no próximo dia 9 de dezembro. Ele conduzirá à segunda expedição da Frente de Contato com os Índios Isolados da Fundação Nacional do Índio (Funai), que estão localizados na região do Alto Humaitá, fronteira com o Perú.

"Essa é uma função muito importante para a qual fui escolhido. Trata-se de um crescimento espiritual para minha vida. Espero que eles sejam mais uma família indígena, pela qual poderemos trocar conhecimentos, informações e nos unir por nossa causa. São seres humanos, e por uma falta de comunicação podem ser extintos", disse Kanabixi.

Esses índios, que até agora não foram identificados pela Funai, dispararam flechas contra o monomotor fretado pelo governo do Acre em maio do ano passado (2008). O objetivo da passagem do avião era fotografá-los do alto, uma vez que o contato direto com eles estava sendo agressivo, chegando a disparar flechas com veneno na ponta das lanças. Há registro da presença deles na região desde 1910.

Os índios que vivem na fronteira do Acre com o Peru estão sob ameaça de morte por parte de outras etnias. A Funai não sabe se são peruanos ou brasileiros, o que pode gerar um problema diplomático entre os dois países. São nômades, vivem nus, em ocas e ainda usam arcos e flechas. Seus roçados são cheios de plantação de macaxeira, milho, algodão, banana, cana, batata, mamão, urucu e possíveis outras variedades que não são detectáveis nas fotos. São seis malocas e pode-se afirmar que desde o primeiro sobrevôo, ocorrido há vinte anos, estes índios não dobraram de população.

Siã Kanabixi vem se preparando espiritualmente para esse encontro, pois conta com a ajuda do seu avô, Tuã, de 100 anos de idade, o pajé mais antigo de sua aldeia.

"Meu avô falou que eu podia ir e que nada ia acontecer comigo. Na expedição, ele ficará na última aldeia, próximo ao local onde os índios isolados estão. Fiz minha iniciação de pajé com ele, por meio de rituais com a ayahuasca, e estou preparado. Aos 12 anos de idade, tinha ido à primeira expedição, com meu tio Xané, agora, como ele não pode ir, fui convocado pela Funai para fazer o contato direto com eles.", explicou.

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