terça-feira, 27 de outubro de 2009

ATO POLITICO

Sargento Ribeiro, presidente da AME, protestando contra o Estado

A prisão administrativa do Major Wherles Rocha, ex-vice presidente da Associação dos Militares do Acre e, os protestos do Sargento Ribeiro, devem ser interpretados apenas como atos sequenciais de promoção da imagem politica, já de olho em uma vaga na Assembléia Legislativa, ou, no Congresso.

Vamos aos fatos. Rocha, era um cidadão quase desconhecido à frente de uma entidade de proteção dos militares do Acre, e decidiu mobilizar sua categoria para reivindicar melhores salários e condições dignas de trabalho. Paralisaram as atividades por 24 horas, o governo não cedia e evitava conversar. Mas se Binho esnobou os trabalhadores de segurança, o presidente da Assembléia Legislativa, deputado estadual Edvaldo Magalhães (PCdoB), abriu as portas e horas depois o movimento foi encerrado, em maio deste ano, na calada da noite. Os militares ainda tentaram retomar a paralisação, mas estavam sem força e com medo das ameaças institucionais.

Rocha surge nos jornais como o organizador dos protesto, Binho Marques e o Coronel Romário Célio, comandante da Policia Militar concluiram que alguém deveria ser crucificado, por conta da "baderna", como denominaram. "O governo trata a segurança com descaso", chegou a dizer Rocha, mas não aguentou as pressões e recuou . Mas já estava decretado, o Major, não atenderia mais as necessidades da corporação e deveria ser expulso, a qualquer custo, a decisão veio do gabinete militar. A corporação já tem essa certeza, Rocha, com a pilha de punições que tem pra responder, pode ser expulso da PM a qualquer instante, a decisão cabe ao comando da PM com aprovação do governador. O Major foi acusado de motim, mobilização e realização de greve, e ainda se comentou que teria retirado militares do patrulhamento nas ruas (armados), para colocar no ato, mas depois desmentiu. Major não responde a dezenas de processos judiciais apenas por ter reivindicado melhores condições de trabalho para uma classe, mas por ter se colocado como oposição à Frente Popular.

O Major ficou cinco dias preso em uma sala do Comando de Operações Táticas, por ordens expressas do governo. Houveram ainda manobras administrativas para aumentar as punições e dar tratamento de bandido ao oficial. Foi um tiro no pé dos petistas que dizem administrar o Acre. Debilitado por conta da greve de fome, foi hospitalizado às pressas. Na saida da prisão, Wherles Rocha, foi saudado como herói: teve carreata, recepção de dezenas de pessoas e cobertura massiva da imprensa. Mas as ameaças do comando persistiam, e Rocha, foi sondado partidariamente para disputar uma vaga para deputado estadual, ou, federal. O oficial continua negando articulações politicas e interesses desse tipo.

Na sequência, um dos representantes dos militares teve suas falcatruas descobertas. Sargento Vieira (PHS), vereador eleito por Rio Branco foi acusado desvio de recursos públicos e pode ter o mandato cassado pelos pares. O esquema funcionava assim: quatro pessoas foram contratadas como assessores de vereador. Mas na verdade, não pegavam no salário. O dinheiro seguia direto para o presidente da AME, Natalicio Braga, que pediu pra sair depois que os crimes foram descobertos.

Com o nome na lama, a AME cria um novo fato para se autopromover e angariar votos para suas supostas lideranças: Major Rocha e Sargento Ribeiro. Seguido a nova prisão de Rocha decretada pelo comando da PM, o Sargento atual presidente da organização aparece amordaçado, e acorrentado num tronco de uma árvore atrás do Palácio do Governo. Em seguida Binho, manda prender o Sargento. Os militares tentam apagar a podridão que a AME se envolveu, e querem chegar ao poder, para fazer sabe-se lá o quer. Ficam algumas dúvidas: o Major e o atual presidente da AME, sabiam, participaram ou não desses escândalo? Qual motivo de fato teria provocado saida de Rocha da direção da Associação? Por que será que O governo na tentativa de remediar os prejuizos, com suas medidas arbitrárias acaba somando a AME.

Tudo isso ocorreu logo seguido a marcha nacional em favor da PEC 300, que unifica salário dos militares de todo país, aos de Brasilia (DF). O movimento reuniu em Rio Branco inclusive o deputado federal Capitão Assunção (PSB-ES), que declarou que, "[...] quero deixar registrado o meu protesto contra o governador do Acre, Binho Marques, e seu lambedor de botas, coronel Romário Celio, que vêm predendo de forma arbitrária as pessaos e tratando-os como bandidos de alta periculosiade, taxando da mesma forma também os familiares dos militares estaduais. Parabens aos militares estaduais, vocês não sao bandidos, bandidos aí nesse Estado só tem dois: é o Binho Marques e o Coronel Célio".

Resolver crises não é caracteristica da equipe do Coronel Romário Célio e de Binho Marques, colocar lenha na fogueira parece ser a maior habilidade deles. Ponto para os militares que, por enquanto, estão deitando e rolando na situação e se projetando para uma disputa forte em 2010.

Foto: Antônio Daniel.

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