segunda-feira, 21 de setembro de 2009

TESTEMUNHA CHAVE PODE INOCENTAR HILDEBRANDO PASCOAL

Vídeo autorizado de apátrida pode dar um novo rumo ao julgamento de Pascoal. Promotores, juízes e procuradores podem ficar em maus lençóis com esses depoimentos.


O sul-africano Emannuel Opok Sphiel, ex-traficante de armas que virou noticia nacional durante as investigações contra os acusados de pertencer ao esquadrão da morte no Acre, pode ressurgir durante o julgamento de Hildebrando Pascoal. Opok, pedalava pelas ruas de Rio Branco carregando um caixa de isopor para vender salgadinhos e sustentar os quatro filhos. Fama e poder foram fugazes. Naquele período, ele era uma das 52 testemunhas arroladas no processo por fazer parte da organização criminosa liderada pelo ex-deputado Hildebrando Pascoal.


Apátrida, Sphiel foi expulso da África do Sul durante o regime de apartheid. Era policial em seu país e foi acusado de vender armas aos movimentos de rebeldes negros. Morou em São Paulo (Araçatuba) e em Mato Grosso. Veio para o Acre em 1993, foi condenado por furto a três anos de prisão em Rio Branco, na cadeia passou a fazer parte do esquema de tráfico, corrupção e extermínio que seria comandado por Hildebrando. Virou traficante de cocaína. Depois, declarou-se disposto a revelar tudo o que sabia sobre o ex-deputado - desde que o governo brasileiro lhe mandasse de volta à África do Sul. Opok virou a principal testemunha da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico na Câmara dos Deputados.


Emannuel Opok Sphiel era o alvo fácil dos comparsas de Hildebrando Pascoal e foi incluido no programa de proteção de testemunhas. E procurou o Ministério Público Federal (MPF) para denunciar que dois homens numa motocicleta dispararam três tiros contra ele, à noite, enquanto caminhava pelas proximidades do hotel onde estava hospedado. Os homens estavam a mais de 200 metros de Sphiel, que escapou sem ferimentos. Foi à primeira tentativa de apagar o arquivo vivo.


Hoje não se sabe o paradeiro de Opok, dizem que foi executado e que ainda circula pelo Brasil, ou, em outros países. Mas antes de sumir do mapa, o sul-africano deixou gravado com autorização para divulgação: vídeos e áudios com advogados e jornalistas do Acre, onde conta uma nova versão inocentando Hildebrando Pascoal e delata um esquema para tomar poder no Judiciário Acriano, no Governo e em outras instituições públicas e federais.


As gravações ficaram durante anos muito bem protegidas, agora se usadas podem dar um novo rumo no julgamento de Hildebrando Pascoal. No total são quase 3 horas de gravação. Nos depoimentos Opok revela que cenas de crimes foram montadas, que Hildebrando não comandava o narcotráfico e grupos de extermínio. Diz ainda que políticos influentes do Acre queriam tomar o poder de narcotraficantes, fala que testemunhas foram intimidas e obrigadas a decorar depoimentos a mando do Ministério Público Estadual, Federal e envolve nomes de juízes, procuradores e promotores numa sujeira sem tamanho, em troca de poder e muito dinheiro.


Durante esta semana o público acriano tomará conhecimento das declarações de Opok. Talvez, nem a própria defesa de Hildebrando tenha conhecimento das gravações contraditórias, ao que sempre se falou de Pascoal.


Fique atualizado e leia tudo sobre o caso Hildebrando Pascoal, clicando aqui.

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