sábado, 15 de agosto de 2009

O ACRE DO JÁ TEVE

Em Feijó já teve açaí

O Acre já teve açucareira Rio preto que vendia material de construção, Banho de Cheiro que vendia eletrodomésticos, ainda resta o Barriga Verde, que nem de longe se parece com restaurante e uma Agroboi, que nunca vendeu um produto veterinário e assim por diante. A introdução é para exemplificar o que ocorre com o Festival do Açai, na distante Feijó, onde semana passada estive lá, de segunda a sexta-feira, e não achei uma gota de açaí.

Esposo de uma feijoense, ir a Feijó durante o festival do açaí já faz parte da programação de férias da minha família. Ocorre que este ano decidi ir uma semana antes do evento. Durante minha estadia, como turista, naquela cidadezinha do interior da Amazônia, o que mais me chamou a atenção, e confesso, me deixou frustrado, foi a falta do produto que leva o nome da maior e principal festividade do município, o Açaí.

Para quem saiu de Rio Branco, sonhando em tomar um açaí de qualidade, pior que demorar nove horas e meia para chegar a Feijó, devido às condições da estrada, foi não encontrar uma gota sequer do produto. É verdade! Há uma semana do festival do açaí, não tinha açaí em nenhum lugar de Feijó. É mole?

Locais onde se vendem açaí em Feijó não faltam, em todas as ruas tem três ou quatro casas com placas “vende-se açaí”, mas por incrível que pareça em nenhuma tinha o produto. Ai então eu decidi, se não encontro para comprar um ou dois litros, vou pelo menos tomar um copo de suco, dessa fruta tão desejada, na lanchonete mais próxima. Foi outra decepção, nem na principal lanchonete, no centro da cidade, tinha sequer um picolé da polpa dessa semente.

Comecei então a questionar os tiradores de açaí, comerciantes, agricultores, enfim, queria saber o motivo da falta de Açaí em Feijó, e entre as respostas, as principais foram: “o Prefeito pediu que esperasse um pouco para tirar o açaí, visando o festival, mas como choveu muito, quanto foram colher o produto metade das sementes já tinha caído do cacho. Daí, com medo de faltar açaí durante o festival, o prefeito mandou comprar tudo o que fosse produzido”, ou seja, em outras palavras, o Prefeito praticamente proibiu a venda de açaí diretamente ao consumidor.

Senti-me desrespeitado como turista! Diferente de quem vai na época do festival! Ora, na frente da imprensa todos são bem tratados, merecem respeito, o máximo de atenção. Longe do foco das câmeras, do olhar atento dos jornalistas, parece que ninguém de fora merece respeito. É como se os gastos que o visitante tem na cidade, ou o dinheiro que levou para gastar no consumo daquilo que seria um dos principais itens da produção local, um dos principais atrativos turísticos, não tivesse a menor importância para a economia.

O mais engraçado nessa minha corrida em busca do então “liquido preciso”, o açaí, teve até quem me aconselhasse a ir conversar com o Prefeito para ele me vender um pouco do produto, pode? Só quem não me conhece para pensar que eu me submeteria a essa situação. Apesar de conhecer o Prefeito Juarez Leitão, desde quando, acho, que ele nem imaginava ser Deputado, quem dera Prefeito, achei a idéia de procurá-lo para comprar açaí, simplesmente absurda!

Comemorei quando cheguei a Rio Branco e encontrei açaí na mercearia da esquina mais próxima da minha casa. Matei o desejo de tomar o suco da polpa dessa semente.

Já em Rio Branco, fiquei sabendo que o Prefeito de Feijó tinha comprado uma grande quantidade de açaí de Jurupari, cidade amazonense. Soube até em que as sacas de açaí tinham sido transportadas de Jurupari para Feijó. Mas isso não conto, sob pena de perder um grande amigo e quem sabe o caso até acabar em CPI.

Sou Lázaro Barbosa (FOTO), jornalista, empresário e concludente do curso de direito. e-mail: lazarobar@globo.com

Um comentário:

  1. Não ter açaí em Feijó não é algo tão desastroso como vc sugere. Sabe que a natureza pode surpreender? Foi isso que ali aconteceu: por causa de um evento natural a produção de açaí caiu assustadoramente. Isso não é culpa do povo de Feijó, nem do prefeito.
    Não dava pra perguntar porque faltava o produto na cidade? Ah, não dava! O povo de Rio Branco tem suas verdades absolutas!
    Outra: normal o prefeito comprar o açaí da cidade e guardar para o festival. Normal tb, faltando o produto na cidade, o prefeito comprar de uma outra para que o festival não seja prejudicado.
    Menos drama, meu caro!

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