terça-feira, 18 de agosto de 2009

MEMBROS DA CPI DA PEDOFILIA PODEM TER ABUSADO SEXUALMENTE DE ÍNDIGENAS


Letícia Yawanawá depõe hoje na CPI da Pedofilia: “Vou reafirmar tudo que eu já disse sobre o caso Pianko”, disse. A índia pode revelar na CPI nomes de mais pedófilos, entre eles estariam supostos integrantes da Comissão.

O depoimento na CPI da Pedofilia da índia Letícia Yawanawá, agendado para esta terça-feira, 18, às 15 hr na Aleac, promete causar muito barulho entre os integrantes da Comissão e o público que for prestigiar. Especula-se que os estragos podem ser maiores do que o primeiro depoimento, que foi da ativista em direitos humanos e advogada, Joana D’arc.

Letícia é atualmente uma das maiores lideranças dos povos indígenas do Acre e Amazonas. Ela não só denunciou ao Ministério Público Federal e a Policia Federal, um integrante da equipe do governo de Binho Marques (Francisco Pianko – assessor dos Povos Indígenas), por envolvimento em crimes de abuso sexual nas aldeias, como também promete revelar mais nomes em seu depoimento, se for provocada, inclusive pelo seu irmão Joaquim Yawanawá com que vem tendo intensivas discussões desde que assumiu novos cargos e foi indicada para depor na CPI.

O ac 24 horas, apurou que entre os novos pedófilos podem estar supostos integrantes da CPI (deputados estaduais), que freqüentemente costumam visitar as aldeias e teriam mantido relações sexuais com menores de idade. Letícia não revela os nomes, mas diz de maneira cautelosa ter testemunhas que possam comprovar tudo, e que deve levar a CPI apenas se sentir confiança e seriedade nas apurações. Para Letícia, basta apenas relembrar quais os políticos que freqüentemente visitam aldeias para entender o que vem acontecendo com seu povo.

Uma das lideranças indígenas disse ao ac 24 horas que existem relatos de que parlamentares acreanos que visitaram as aldeias teriam sido flagrados aos “amassos” com uma índia menor de idade atrás de malocas e, teria sido penalizado de maneira discreta. Dizem ainda, que as taras são maiores com as meninas mais jovens, bonitas e virgens. E que não foi Pianko, o único gestor público que abusou de índias nas aldeias. Se Letícia revelar os nomes, pode derrubar completamente integrantes da Comissão e descaracterizar o trabalho dos deputados. Mas não será tão fácil tirar essa lista dela; além de tímida, Letícia tem a desconfiança natural dos indígenas.

O depoimento da índia deverá ser acompanhado por diferentes lideranças indígenas que se preparam para lotar o auditório da Assembléia Legislativa. Letícia deve aparecer na CPI com vestimentas de seu povo e, que lembre inclusive sua atuação em defesa das etnias, ela vai sentar na cadeira dos depoentes com rosto pintado como se fosse para uma guerra entre tribos. Um dos momentos emocionantes e marcantes para a índia deverá ser a presença do seu pai, Raimundo Tuinkuru, se aparecer entre a platéia. Tudo indica que Letícia não vai usar quatro horas para fazer suas declarações na CPI, tempo que Joana D’arc precisou para fazer suas provocações.

“Vou reafirmar tudo que já disse no Ministério Público Federal, sobre o caso Pianko”, disse a liderança indígena aparentando segurança e tranqüilidade. Letícia revela que não vai aceitar provocações, ofensas e desrespeito com seu povo e, quer apenas que os valores e costumes sejam perpetuados. Para ela já basta o sofrimento que seus “parentes” passam pela violação das legislações e a falta de políticas públicas dos governos.

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