sexta-feira, 14 de agosto de 2009

INOCÊNCIA ROUBADA

Por Pitter Lucena


Quem em sã consciência deixaria sua cria a mercê dos predadores? A resposta lógica seria ninguém, claro. E a vida, a inocência de uma criança? A Constituição Brasileira garante à essa criança saúde, educação e segurança. É lei máxima. Mas não é o que acontece no Brasil, principalmente nas famílias pobres. Elas são saqueadas diariamente em seus direitos elementares de cidadãs. São humilhadas e torturadas psicologicamente pelo seu estado de ser pobre. São calvários da sobrevivência, vividas diariamente.


A realidade nua e crua nos mostra uma outra Constituição. Aquela do mundo selvagem, onde os fracos não têm vez. E, isso, acontece com milhares de famílias pobres do Acre, quando o assunto é abuso sexual contra crianças e adolescentes. Essas famílias não têm voz, imagem e a própria sombra são aspectos figurativos de um mundo sem sentido. Dez reais em casa, no boteco ou algo que valha a pena, é um mundo a ser olhado de forma diferente. Dessa miséria humana nasce o predador da inocência humana: o pedófilo.


O pedófilo é sempre alguém que tem dinheiro para comprar alguém. E, esse alguém, sempre é uma criança de origem marginalizada pela pobreza. Crianças que os pais se matam para dar comida no dia seguinte, mas elas, sem ter o que fazer, brincam na rua em frente de casa em bairros periféricos: ponto dos marginais do sexo. Elas não entendem nada de vida. Um chocolate, um picolé, uma voltinha de carro são o suficiente para uma nova amizade com um desconhecido. Pronto, firmou-se o começo do crime para os animais pedófilos. Até hoje não soube que a filha de uma pessoa rica tenha sido vítima desse tipo de crime.


Geralmente, quando acontece um caso de um pobre ter tido relações com uma menor de idade, ou enfrenta o padre ou vai para a cadeia e não se fala mais nisso. Agora quando um endinheirado, promotor, juiz, desembargador, advogado, jornalista, empresário, deputado e tantos outros mais, o rumo é diferente. Basta ter dinheiro ou poder para não ser denunciado à justiça. Existe uma compra ou ameaças para calar a voz da inocência. Se não existe denúncia não há nada e ponto final.


Exemplo: quando uma criança de 11 anos foi estuprada e levada para a Maternidade Bárbara Heliodora, tanto a criança, quanto a mãe sabiam do animal que havia cometido o crime. Criança e mãe foram levadas na mesma noite para prestar queixa na delegacia da mulher. A delegada quando soube quem era o acusado, mesmo a mãe dizendo o nome do criminoso, colocou no Boletim de Ocorrência “sujeito não identificado”. O que vale é a palavra da “autoridade” e assim caminha a humanidade.


O nome Antonio Manoel foi relevado na delegacia, mas retirado da ocorrência, por ser gente do governo, gente “da alta” como dizem. E assim foram outras dezenas ou centenas de casos. Para essa gente pobre que tiveram ou têm filhas ou filhos envolvidos nessa situação, sofrendo ameaças de serem presas e outros tipos de punição, o silêncio é o melhor remédio. A dor de uma mãe, a humilhação de um pai de não ter voz foi embora pela porta de frente da vida.


A CPI da Pedofilia do Acre tem por obrigação aceitar todas as denúncias, denúncias essas, na sua maioria, conhecidas por todo mundo. Outras que serão feitas, em curto espaço de tempo, para a sua grandiosidade. Uma CPI desse porte é para lavar a alma da sociedade acreana. Dizer um basta para as atrocidades contra milhares de famílias destruídas por esse tipo de crime, o tempo é agora.


A advogada Joana D`arc revelou em depoimento na Aleac nomes de pessoas envolvidas com pedofilia. Agora pense na pressão que as vítimas passaram ou estão passando para não falarem nada. Digo, vítimas, as famílias algemadas pelo medo do silêncio. Agora é a vez da Aleac dá sua contribuição num trabalho que, no mínimo, levará a paz para um grande número de famílias destroçadas. Tudo isso depende da CPI da Assembléia Legislativa do Acre.

Um comentário:

  1. Reflexão do cotidiano
    Tenho agora mais admiração e respeito pelos deputados Donald Fernandes e Luiz Calixto, entre outros, pois ao ler e ouvir seus comentários sobre o depoimento da exibicionista Joana Darc, depoimentos estes vazios, e fundamentados no “ouvir dizer”, “ouvir falar” e “me contaram”. A sociedade acriana não pode aceitar que a imagem das pessoas seja lançada na lama baseadas em denúncias irresponsáveis e levianas.
    Alguém que se diz representante dos Direitos humanos, jamais poderia acusar alguém baseadas em fofocas, pode sim, como cidadã exigir que se investiguem tudo dentro do devido processo legal, buscar justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade democrática, e não tentar se promover, aparecer, manchando as imagens das pessoas, buscando uma futura candidatura em eleições vindouras ou algum cargo político, se não algo desse gênero. A sociedade acriana e’ inteligente e já percebeu isso.
    Uma verdadeira ativista dos direitos humanas, deve proteger os direitos e a dignidade da pessoa humana, mas como temos visto faz justamente o contrário, em prol de sua própria promoção. A Declaração dos Direitos humanos nos ensina que todo homem acusado de um ato delituoso tem o direito de ser presumido inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias a sua defesa. Ainda afirma que ninguém será sujeito a interferências na sua vida privada, nem a ataques a sua honra e reputação. Todo o homem tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques.
    Uma árvore demora anos para se tornar grande e forte, porém em minutos pode ser destruída, assim e’ a imagem e a honra das pessoas. Ações poeris como estas não podem prosperar numa sociedade que busca a justiça social e a dignidade da pessoa humana.
    Uma ativista dos direitos humanos que desconhece tais princípios universais, não merece a mínima credibilidade da sociedade acriana, pois se contradiz! Suas declarações são fantasiosas e sem quaisquer respaldo quer seja jurídico ou moral, são apenas palavras ao vento que em nada contribuem para o engrandecimento de nosso querido Estado e de nossa gente.
    OBS: foi muito feliz nosso saudoso Dep. Donald Fernandes, em suas reflexões no a gazeta.net, veja aqui.
    http://www.agazeta.net/index.php?option=com_content&view=article&id=7283:pedofilia-e-midia-na-era-da-informacao&catid=19:acre&Itemid=145
    Quando observou que a oportunista Joana D’arc não acusou nenhuma pessoa não publica, sabe por quê? Isso não da ibope.
    Mas ao final fico mais tranqüila, ao ver como nossos políticos, entidades, enfim, toda a sociedade acriana, em geral, tem repudiado os atos dessa oportunista, mal amada e aparentemente desequilibrada, como temos visto nos diversos comentários postados por usuários da internet.
    Parabéns a toda a sociedade Acriana.

    nete

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