quarta-feira, 19 de agosto de 2009

APOLIMA ARARA AMEAÇAM INVADIR FUNAI DO ACRE

Estamos tentando evitar derramamento de sangue nas aldeias”, disse Francisco Arara liderança indígena. Os índios afirmam que se não houver demarcação de suas terras urgente e, providências dos órgãos públicos vão radicalizar o movimento.

Já completou duas semanas o manifesto dos índios da tribo Apolima Arara, localizados no Rio Amônia no município de Marechal Thaumaturgo (região do Vale do Juruá) na fronteira com o Peru, que ocuparam o prédio da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), em Rio Branco. Os índios reivindicam demarcação de suas terras e melhores condições de vida.

No total são cerca de 14 índios da tribo que estão acampados na Funai. É neste local que eles fazem as necessidades fisiológicas, dorme, comem e fazem a higiene pessoal, mesmo sem ter nenhuma estrutura. Entre eles estão crianças. O acampamento improvisado está sujeito a chuva, sol e o vento. Apenas o Conselho Indigenista Missionário – CIMI, órgão ligado a Igreja Católica, tem doado mantimentos e oferecido apoio.

A terra indígena do povo Arara compreende uma área de aproximadamente 20,664 hectares, onde vivem 32 famílias totalizando 286 pessoas e cerca de 180 crianças. Hoje os índios não conseguem mais caçar, pescar, retirar madeira e outros produtos da floresta apenas para sua subsistência. Ao longo dos últimos anos, famílias de brancos iniciaram a ocupação desordenada e ilegal da terra proibindo os índios de explorar a floresta para a própria sobrevivência.

De acordo com Francisco Siqueira Apolima Arara, liderança do povo, “dos cinco lagos da comunidade, apenas um hoje nós temos acesso. Estamos passamos dificuldades para alimentar nosso povo. Sem permissão para caçar, pescar em nossas próprias terras, estamos tentando plantar e colher: milho, arroz, banana, pelo menos para dar de comer aos nosso parentes.”

A tribo já luta a doze anos pela demarcação e reconhecimento de suas terras. Segundo as lideranças, a Funai fez estudos antropológicos de reconhecimento, identificação e levantamento fundiário. Os dados foram repassados para a Justiça Federal que por meio do Juiz Jair Facundes determinou há 90 dias que as terras fossem demarcadas. Porém o Ministério da Justiça, ainda não publicou a portaria de homologação das propriedades.

“Estamos procurando as instituições para evitar um um conflito maior nas aldeias entre índios e brancos. A qualquer hora pode haver troca de chumbo e flechas, não queremos que ninguém morra por isso, mas pode haver derramamento de sangue nas aldeias a qualquer instante se nossas terras continuarem nas mãos dos invasores. Hoje não temos mais domínio do que é nosso, os brancos usam cachorro para caçar. O único lago que pescamos tem cerca de 800 metros de frente e está secando”, disse Francisco Arara.

Segundo Francisco, órgãos como o Ministério Público Federal foram procurados para intervir na disputa de terras. Ele disse que documentos foram encaminhados para o Governo Federal, pedindo providências, mas ainda não houve nenhuma resposta.

Produtores rurais e ribeirinhos podem ser impedidos de navegar no principal rio que interliga municípios e reduz o isolamento na região do Vale do Juruá. A situação pode se agravar ainda mais. “Vamos continuar ocupando a Funai por tempo indeterminado até darem uma solução para a gente, não temos pressa em sair daqui, mas temos pressa que tudo seja resolvido O que vamos fazer é fechar o rio Amônia e deixar passar apenas nosso parentes”, explicou Francisco.

As liderança não reconhecem ações do assessor especial dos Povos Indígenas do Estado. “Pra gente não existe assessoria dos povos indígenas, eles nunca fizeram nada pela gente. O assessor passa todo dia pela nossa aldeia para chegar na aldeia dele, e, nunca parou para falar com nosso povo e perguntar qual são nosso problemas”, finalizou Francisco Apolima Arara.

Nesta quarta-feira, 19, os indigenas ameaçam invadir o prédio da Funai em Rio Branco, armados com lanças, flechas, com o corpo pintando como se fossem para a guerra. Eles decidiram que é hora de radicalizar o movimento, já que as instituições públicas não estão dando importância para as reivindicações. Todos os funcionários da Funai serão impedidos de trabalhar e serão expulsos de suas salas. Os indigenas estão preparados para tomar chaves do prédio e ocupar toda estrutura por tempo indeterminado, até que alguém apresente uma proposta viável.

Um comentário:

  1. Por vários motivos venho atraves deste dizer também que os brancos daquela area tem sofrido muito por ter saido de uma area indigena que hoje são dos Ashaninkas do Rio Amônia. Sofreram com filhos pequenos e tendo hoje que passar pelo mesmo sofrimento, injustiça, sera que eles são animas pra serem escurraçados dessa maneira, cadê os direitos daqueles agricultores que habitam o Rio Amônia à mais de um século. Eles tambem são brasileiros e merecem ter os mesmos direitos que vocês de morar e ter onde produzir os alimentos para seus filhos sera que não basta tanto sofrimento ou sera qyue só os "parentes" tem direitos hoje no Brasil.

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