segunda-feira, 3 de agosto de 2009

ACREANA REPRESENTARÁ MULHERES INDIGENAS EM ENTIDADE LIGADA A ONU


Letícia Luiza, do Acre, comandará organização indígena ligada a ONU. É a primeira vez que uma mulher assume o cargo


O mês de julho terminou com uma boa notícia para os povos indígenas. A índia Letícia Luiza Yawanawá irá representar as mulheres do Acre e Amazonas em uma entidade ligada a Organização das Nações Unidas (ONU): Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), sediada em Manaus (AM). A indicação é um momento histórico para as mais diferentes etnias e um indicativo de fortalecimento do movimento de mulheres em defesa de melhores condições de vida para as aldeias.


Letícia é da etnia Yawanawá do município de Tarauacá. A índia foi eleita para presidir a Comissão de Articulação e Fortalecimento do Movimento Indígena do Acre, Sul do Amazonas e Noroeste de Rondônia, e empossada na Coiab, na qual atuará na vice-presidência do Conselho Fiscal e Deliberativo (Condef), instância máxima da organização criada em 1988. É a primeira vez em 20 anos que uma mulher ocupa o cargo na direção da entidade.


A índia ocupará também a coordenação da União de Mulheres Indígenas da Amazônia Brasileira (Umaib), organização autônoma e independente integrada por índios do Tocantins, Maranhão e do Mato Grosso. Sua eleição e posse aconteceram na última semana de julho na aldeia Krikati São José, no Maranhão, durante a IX Assembléia Geral da Coiab. O encontro reuniu mais de 1.200 líderes indígenas.


O encontro da Coiab marcou os 20 anos da entidade e também serviu para fazer uma avaliação do movimento indígena amazônico, a conjuntura da política indígena, o impacto dos projetos energéticos sobre as terras indígenas, direitos humanos e outros assuntos que atingem os índios da Amazônia.


Legado de Chico Mendes - A Coiab é um dos legados do líder sindical e ecologista Chico Mendes, morto no dia 22 de dezembro de 1988 em Xapurí, no Acre. Antes de morrer, Mendes promoveu a união dos povos da floresta (seringueiros e índios) com a finalidade de lhes assegurar os direitos básicos previstos na Constituição aprovada em outubro daquele ano.


E graças a ajuda de Chico Mendes, a Coiab é hoje a maior organização indígena do Brasil – possui 75 organizações afiliadas nos nove estados da Amazônia. São associações locais, federações regionais, organizações de mulheres, professores e estudantes indígenas. Juntas, as comunidades somam aproximadamente 430 mil pessoas, o equivalente a 60% da população indígena do Brasil. No Acre, por exemplo, mais de 30 instituições ligadas às questões indígenas fazem parte da Coiab.


A Coiab recebeu, no ano passado, a visita de Julian Burger, responsável pelo programa para Povos Indígenas e Minorias do Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos. Burger assegurou total participação da Coiab nos debates sobre políticas indígenas e direitos humanos na Organização das Nações Unidas e ainda motivou o fortalecimento da instituição formada pelos indígenas.


"Emocionei-me, chorei bastante" - Única mulher a ocupar o cargo na entidade, Letícia Yawanawá não conteve a emoção. "Emocionei-me, chorei bastante no dia da posse", conta. "Fui carregada nos ombros pelas lideranças. Estávamos todas pintadas, sem roupas, e todos começaram a cantar". Segundo Letícia, esse tipo de acontecimento só é verificado quando uma mulher é autoridade. "Para ser reconhecida ela tem que ficar acima de todos os homens e de todas as mulheres, isso mostra uma responsabilidade muito grande", conta Letícia.


A índia diz que a receptividade demonstra valorização e reconhecimento dos outros estados e das lideranças para com as mulheres que lutam pela o bem estar das aldeias. "As palavras que eles falavam pra gente eram assim: a partir de hoje você vai receber um nome. Esse nome representa uma grande árvore que teria sombra. Os trabalhos dos povos indígenas tinham que sempre viver entre essas sombras. Quando você estiver vencendo uma luta se lembre que este espírito vai estar com você. Quando estiver triste lembre que terá uma pessoa ao seu lado, e quando buscar algo que seja difícil lembre-se que vai alcançar".


Além dos anfitriões, o povo Krikati, lideranças indígenas de renome nacional e internacionais, e autoridades brasileiras, marcaram presença na assembléia que elegeu Letícia Yawanawá para a direção da Coiab. Entre os dirigentes destacam-se o atual coordenador da entidade, Jecinaldo Sateré Mawé, e o vice-coordenador Marcos Apurinã. O presidente da Funai, Márcio Meira, e representantes da Coordenação das Organizações Indígenas da Cuenca Amazônica (Coica), José V. Muiba (Bolívia), Juan Carlos Juntiachi (Equador), Diego Escobar (Colômbia) também compareceram ao encontro.

Um comentário:

  1. PARENTE, YRIN TÁ VENDO,VOÇÊ NOS REPRESENTA A TODAS!ACREANAS GUERREIRAS,COMPETENTES,CAPAZES, ÍNDIOS E BRANCOS IRMANADOS EM DEFESA DOS DIREITOS HUMANOS e IGUALDADE RACIAL! Conta Comigo,em Todas as Nossas Lutas não Somos Duas,SOMOS UMA SÓ VOZ ECOANDO PELA AMAZÔNIA AFORA! PARABÉNS ! JOANA D'ARC NÍVIMI

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