segunda-feira, 10 de agosto de 2009

ABANDONO DA EDUCAÇÃO INDIGENA NO ACRE


Relatório do CIMI aponta falta de investimentos na educação indígena do Acre

Faz tempo que os recursos públicos para melhoria da qualidade da educação nas aldeias indígenas do Acre, não chegam ao seu verdadeiro destino. Pelo menos esta é a constatação inicial de lideranças do Conselho Indigenista Missionário do Acre (CIMI), órgão de proteção das etnias ligado a Igreja Católica.

Um relatório técnico minucioso será concluído nos próximos dias. Nas primeiras fotografias é possível já ter uma noção da precariedade em que crianças e professores índios são obrigados a tentar estudar a língua nativa, como forma de preservar o conhecimento tradicional.

No Alto Envira, município de Feijó, crianças estudam ao relento. As escolas que deveriam ser construídas com recursos públicos, até foram feitas, mas não tem paredes, cadeiras, o teto está desabando. As goteiras no inverno se espalham pelo telhado. O quadro negro usado para escrever as tarefas, já não serve mais. Não existe alimentação para os estudantes; material didático e pedagógico é luxo para a comunidade, e não existe. Mesmo assim o esforço de continuar ensinando é grande dos professores indígenas.

“È neste contexto caótico da educação escolar indígena que está marcada a I Conferência Regional de Educação Escolar Indígena a ser realizada na terra indígena Barão, do povo Poyanawa, nos dias 23 a 27 de agosto. O estranho é que, antes da conferência regional, deveriam haver conferências locais, nas aldeias, o que nunca aconteceu. Além disso, a Secretaria Estadual de Educação jamais convidou o CIMI para participar de qualquer reunião para tratar da conferência. Na prática, a Secretaria tem medo de que tornemos público que não houve preparação das comunidades e que a conferência só responde a interesses do próprio Estado. Os índios, como sempre, estão sendo manipulados”, disse Lindomar Padilha, coordenador do CIMI/Ac.

Mesmo diante de situações como estas, o governador Binho Marques ainda defende que o Acre será o melhor lugar da Amazônia para se morar até 2010. Já as lideranças da Frente Popular, dizem que o Estado valoriza os povos indígenas e suas culturas, e que, respeita as populações tradicionais.

Em abrir de 2009, para comemorar o mês dos povos indígenas, Binho Marques lançou na Aldeia Poyanawa, em Mâncio Lima, o Programa de Valorização dos Povos Indígenas do Acre. Consistia num conjunto de ações e programas que pretendiam investir mais de R$ 22 milhões nas comunidades indígenas do Acre de 2009 a dezembro de 2010. Só para incentivo e melhoria da situação escolar das aldeias, estava estimado em mais de R$ 11 mil, recursos que até agora não chegaram ao verdadeiro destino.

Lideranças indígenas defendem que é preciso que o Acre tenha um núcleo dentro Ministério Público Federal para atender as reivindicações das etnias.

Este ano alguns fatos chamaram atenção envolvendo as diferentes etnias. Os povos se revelaram indignados com a forma de como as políticas públicas estão sendo conduzidas no estado. Primeiro ameaçaram invadir o prédio da FUNAI em Rio Branco, depois que o coordenador Antonio Apurinã foi exonerado do cargo, quando assinaturas foram falsificadas para tirar o gestor do cargo. O assessor dos Povos Indígenas, Francisco Pianko, foi denunciado ao MPF por índios, acusado pela pratica de abuso sexual contra índias menores de idade, e, pode ser preso a qualquer momento pela Policia Federal. Em Cruzeiro do Sul, os Katukinas, invadiram a sede da FUNASA pedindo melhorias na saúde indígena, e redução da mortalidade infantil.

Na Casa de Apoio aos Povos Indígenas, CASAI, uma índia da tribo Madja (Santa Rosa do Purus), abortou uma criança por falta de assistência médica no local. A mulher veio para a cidade em busca de ajuda, mas não encontrou e ainda sofre complicações até hoje.

O governo já foi obrigado a assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o MPF, para melhorar as condições da CASAI, mesmo assim diversas irregularidades continuam ocorrendo no local, desde a falta de médicos, remédios, até o completo abandono.

2 comentários:

  1. Caro Francisco Costa,

    Dificilmente se conseguirá dar visibilidade a essa situação de descalabro e abandona da educação escolar indígena. Infelizmente não é conveniente que vozes destoantes sejam ouvidas. Mesmo assim é nosso dever seguir em frente. Boa sorte no seu trabalho e, siga em frente sempre.

    Lindomar Padilha

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  2. Carao Francisco,

    Infelizmente estou em viajem para tratamento. Gostaria que você desseuma olhada nos desdobramentos dessa nossa denúncia pois, a Socorro da Secretaria Estadual de Educação, garantiu em entrevista à TV Acre, que em setembro os problemas já estariam resolvidos. Estamos em novembro e os indios do Alto Envira dizem que nada foi feito por lá.

    Bom trabalho

    Lindomar Padilha

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