terça-feira, 14 de julho de 2009

PIANKO: "NÃO TENHO MUITO PARA ACRESCENTAR NA CPI DA PEDOFILIA"


Assessor dos povos indígenas disse que a imprensa vem lhe tratando como bandido


Em março deste ano o procurador da república, Paulo Henrique Ferreira Brito, pediu que Policia Federal do Acre investigasse o assessor especial dos Povos Indígenas do governo estado. Francisco Pianko é acusado de estupro e atentado violento ao pudor contra pelos menos duas adolescentes índias da aldeia Ywanawá, com idades entre 12 e 14 anos.


De acordo com a denúncia relatada pela ativista em direitos humanos e advogada Joana D’arc e a índia Letícia Ywanawá, Pianko negociava garotas virgens e bonitas nas aldeias. Em troca, Pianko, entregava aos pais das menores utensílios essenciais para a sobrevivência dos índios como: gasolina, fardos de açúcar, consertos de motores e até casa própria. Aos homens da tribo, Pianko, ainda oferecia cachaça. Segundo três testemunhas, o assessor indígena do governo Binho Marques, gostava de presentear as adolescentes nas aldeias e tinha um apetite voraz por índias novas.


Segundo os depoimentos feitos ao MPF, Francisco Pianko teria estuprado a adolescente C.Y, de 12 anos, da aldeia Yawanawá. Após o estupro, a menina teria sangrado 24 horas seguidas, obrigando os pais a levarem ao pajé da tribo. O caso deixou o pajé intrigado. É que, mesmo depois de consultada, a febre e as dores que a indiazinha sentia não passavam. Outra vítima foi S.Y, de 14 anos. Ela também teria sido estuprada por Pianko na mesma aldeia. Os dois estupros teriam ocorrido em 2008.


Na época o assessor indígena do governo se manifestou condenando as acusações. Francisco Pianko, considerou “um ato criminoso de total irresponsabilidade” as denúncias de abuso sexual, que supostamente teria cometido contra duas crianças da aldeia Yawanawá. Ele responsabilizou a advogada Joana Dárc e a Sra. Letícia Luiza Yauanauá, que se opõe desde o início à sua presença na Assessoria Especial dos Povos Indígenas, pelo que chamou de “falsas denúncias de ordem pessoal contra mim, com o objetivo de me indispor com as comunidades indígenas e também com a sociedade acreana da qual também faço parte”.


Segundo autores da denúncia o governo do Acre por meio de assessores sabia que as índias menores de idade estavam sendo negociadas nas aldeias por sexo. O Procurador decretou sigilo do processo e o caso está nas mãos até hoje da Policia Federal.


Na Assembléia Legislativa do Acre, deputados que compõem a CPI da Pedofilia, votaram para que o índio Pianko fosse convocado para depor nas oitivas da comissão. Os deputados acham que o índio teria mais informações para acrescentar e seria uma oportunidade para fazer sua defesa pessoal em público. Também tiveram requerimento de convocação aprovado, Letícia Ywanawá e Joana D’arc, delas os deputados esperam ouvir mais denúncias contra pedófilos. Ambos serão ouvidos na CPI na segunda semana de agosto, logo após o retorno do recesso parlamentar da Aleac.


DEPOIMENTOS DE PIANKO - Por telefone o indígenas Francisco Pianko, desabafou. Disse que inicialmente não tem nada a dizer para imprensa que passou a lhe tratar como bandido, mas acabou falando bastante. “Fui convocado para depor, então e vou falar o que tiver que falar, mas não tenho muita coisa para acrescentar na CPI”, disse o índio.


Pianko, se mostrou muito chateado com as acusações que vem sofrendo, segundo ele, pela a imprensa e de pessoas ligadas aos direitos humanos. “Quando tudo isso terminar eu vou avaliar o que tem por trás de tudo isso e devo tomar providências. Não se faz uma denúncia só por fazer. Quando a Policia Federal e o Ministério Público Federal terminar o trabalho deles eu vou me manifestar”, ressaltou Pianko.


O assessor do governo afirmou que seu desejo e ver concluído as investigações contra ele, para que possa provar sua inocência. “Acho um grande desrespeito tudo isso. Não se faz com nenhum cidadão o que estão fazendo comigo. Direitos humanos não é simplesmente fechar uma posição em cima de uma única pessoa, como se ela não tivesse filhos, família e direitos. Eu ainda não fui ouvido pela Policia Federal”, disse se referindo a ativista Joana D’arc.


Francisco Pianko, enfatizou durante vários momentos na conversa que ainda não teve oportunidade para se defender das acusações, afirmou que espera uma apuração séria do caso e disse ainda que a CPI não deve apenas tratar de um caso isolado, “a coisa é mais ampla”, mandando um recado aos deputados para investigar outras pessoas, e não apenas ele.


Sobre sua convocação para depor na CPI ele ainda acrescentou: “Eu vou responder as perguntas que me forem feitas, apenas isso.”


AS INVESTIGAÇÕES DO CASO PIANKO - Uma fonte do blog, afirmou que o delegado federal que investiga as denúncias envolvendo o assessor indígena deve ser transferido para outro estado. Nossa reportagem apurou ainda que durante as investigações os policiais estariam tendo dificuldades para localizar três testemunhas, uma delas estaria sendo escondida no Rio de Janeiro, mas se apresentou na semana passada para depor e negou tudo. Quanto aos exames médico que poderiam comprovar os abusos, ainda não foram efetivados. Os pais, e as vitimas se negam a depor e confirmar à denúncia.


Porém há indícios que Francisco Pianko seja acusado de improbidade administrativa, recursos públicos teriam sido desviados para supostamente comprar testemunhas. O delegado do caso deve relatar ao juiz e aos procuradores, que existe uma grande consistência no depoimento de Letícia e Joana D’arc, mas as provas consistentes ainda não teriam sido efetivadas.

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