quinta-feira, 16 de julho de 2009

PIANKO DEPÕE NA POLICIA FEDERAL

Delegado que investiga o caso pode ser transferido para outro Estado. Testemunhas chave no processo estaria sendo protegidas pelo irmão de uma das autores da denúncia. Indigenas querem saber se Joaquim Yawanawá é advogado de Pianko ou de seu povo.

Francisco Pianko, liderança do povo Ashaninka e Assessor Especial dos Povos Indígena do Governo da Floresta, passou a tarde desta quarta-feira, 15, prestando depoimento ao delegado Ivanov, da Policia Federal no Acre. Pianko é acusado de atentado violento ao pudor e abuso sexual contra duas índias menores de idade moradoras da aldeiaYawanawá.

O caso ganhou repercussão em março deste ano quando Joana D'arc ativista em Direitos Humanos e advogada, junto com a índia Leticia Yawanawá. ofereceram denúncia ao Ministério Público Federal, afirmando que Pianko tinha a prática de negociar índias virgens, bonitas e menores de idade em troca de bens pessoais para os pais. Joana e Letícia em seus depoimentos afirmaram que para manter relações sexuais com as meninas e ganhar autorização dos pais, Pianko fornecia para as famílias: gasolina, fardos de açúcar, consertos de motores e até casa própria. Segundo autores da denúncia o governo do Estado por meio de assessores sabia que as índias menores de idade estavam sendo negociadas nas aldeias por sexo. O Procurador da República, Paulo Henrique Ferreira Brito, decretou sigilo do processo e recomendou que a Policia Federal iniciasse as investigações. Várias lideranças indígenas que diziam representar movimentos de diferentes etnias se posicionaram contra Leticia e Joana, e em favor de Pianko. O governador Binho Marques, mesmo diante das denúncias negou o afastamento do índio, de sua equipe de governo.

Logo após o escândalo o assessor indígena do governo condenou as acusações. Francisco Pianko, considerou “um ato criminoso de total irresponsabilidade” as denúncias de abuso sexual, que supostamente teria cometido contra duas crianças da aldeia Yawanawá. Ele responsabilizou a advogada Joana D'arc e a Sra. Letícia Luiza Yawanawá. que se estavam se opondo desde o início à sua presença na Assessoria Especial dos Povos Indígenas, pelo que chamou de “falsas denúncias de ordem pessoal contra mim, com o objetivo de me indispor com as comunidades indígenas e também com a sociedade acreana da qual também faço parte”.

Na última sexta-feira, 10, a Policia Federal ouviu duas testemunhas consideradas peça chave para avançar nas investigações. As lideranças indígenas Mariazinha e Olindina Yawanawá estiveram na frente do delegado que apura o caso, após várias tentativas de intima-las. Mariazinha, que é liderança maior da aldeia, e Olindina Yawanawá são parentes das adolescentes e de Letícia. O depoimento dessas duas indígenas poderia, ou não, confirmar as denúncias.

“A Letícia não mora na aldeia e nem vai lá pra saber o que acontece lá”, frisou Mariazinha. “É isso que a gente vai dizer aqui. A gente não sabe dessas coisas que tão falando. Isso não aconteceu”, disse Olindina a um site local. Indigenas confirma que as duas mulheres são protegidas por Joaquim Yawanawá (irmão de Letícia). De acordo com integrantes das aldeias, dizem que inclusive foi o próprio Joaquim o primeiro índio a sair em defesa de Pianko. Um outro indio Biracy Yawanawá, contesta que Joaquim seja realmente uma forte liderança do povo Yawanawá. O que se questiona é se Joaquim, seria ou não advogado de defesa de Pianko, ou, se estaria agindo em favor das aldeias.

Dias antes de depor na Policia Federal, Pianko conversou com o site ac 24 horas. Por telefone o indígenas desabafou sobre as denúncias e sua convocação para depor na CPI da Pedofilia. “Fui convocado para depor, então e vou falar o que tiver que falar, mas não tenho muita coisa para acrescentar na CPI”, disse o índio.

Pianko, se mostrou muito chateado com as acusações que vem sofrendo, segundo ele, pela a imprensa e de pessoas ligadas aos direitos humanos. “Quando tudo isso terminar eu vou avaliar o que tem por trás de tudo isso e devo tomar providências. Não se faz uma denúncia só por fazer. Quando a Policia Federal e o Ministério Público Federal terminar o trabalho deles eu vou me manifestar. Acho um grande desrespeito tudo isso. Não se faz com nenhum cidadão o que estão fazendo comigo. Direitos humanos não é simplesmente fechar uma posição em cima de uma única pessoa, como se ela não tivesse filhos, família e direitos. Eu ainda não fui ouvido pela Policia Federal”, disse se referindo a ativista Joana D’arc.

Francisco Pianko, enfatizou durante vários momentos na conversa que ainda não teve oportunidade para se defender das acusações, afirmou que espera uma apuração séria do caso e disse ainda que a CPI não deve apenas tratar de um caso isolado, “a coisa é mais ampla”, mandando um recado aos deputados para investigar outras pessoas, e não apenas ele.

Sobre sua convocação para depor na CPI ele ainda acrescentou: “Eu vou responder as perguntas que me forem feitas, apenas isso.”

Uma fonte do ac 24 horas, revelou que a Policia Federal estava encontrando dificuldades para comprovar os abusos contra as menores praticados por Pianko. Os pais estariam evitando que as meninas fossem submetidas aos exames médicos que poderiam evidenciar o crime, também estariam escondendo as crianças, já as menores não teriam sido localizadas pelos federais. Outra informação ainda não confirmada é a de quê, o delegado do caso teria sua transferência sugerida para outro Estado da federação.

No processo há indícios de que Francisco Pianko também possa responder pelo crime de improbidade administrativa, recursos públicos teriam sido desviados para supostamente comprar testemunhas. O delegado do caso deve relatar ao juiz e aos procuradores, que existe uma grande consistência no depoimento de Letícia e Joana D’arc, mas as provas consistentes ainda não teriam sido totalmente efetivadas.

Foi a repercussão do caso Pianko que provocou a criação de Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar as redes de Pedofilia do Acre, mas ainda não houveram grandes avanços.

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