sexta-feira, 31 de julho de 2009

LETICIA YAWANAWÁ É ESCOLHIDA PRA REPRESENTAR MULHERES INDIGENAS DA AMAZÔNIA

IX Assembléia Geral da COIAB elege nova diretoria do CONDEF e cria a União das Mulheres da Amazônia Brasileira


A Coiab iniciou dia 20 de julho , na aldeia Krikati São José, no estado do Maranhão, sua IX Assembléia Geral, que este ano comemora os 20 anos da entidade. O principal objetivo do evento foi deliberar sobre a proposta de avaliação do movimento indígena amazônico, revisão e aprovação do estatuto, eleição dos novos coordenadores da COIAB e ainda a discussão da conjuntura política indígena, direitos humanos, impacto de mega projetos nas terras indígenas e mudanças climáticas, dentre outros.


Uma apresentação do povo Krikati, anfitriões do evento, deu as boas-vindas aos participantes e antecedeu a mesa de abertura, que contou com a participação do atual coordenador geral da entidade Jecinaldo Sateré Mawé; o vice coordenador Marcos Apurinã; o presidente do CONDEF, Agnelo Xavante; o coordenador-tesoureiro, Kleber Karipuna; o Presidente da Funai, Márcio Meira; o coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (APOINME), Zé de Santa; o representante da Coordenação das Articulações dos Povos Indígenas do Maranhão (COAPIMA) Lourenço Krikati; a coordenadora geral da recém-criada União das Mulheres Indígenas da Amazônia Brasileira (UMIAB), Conserlei Sumpré Xerente. Além dos representantes da Coordenação das Organizações Indígenas da Cuenca Amazônica (COICA), José V. Muiba (Bolívia), Juan Carlos Juntiachi (Equador), Diego Escobar (Colômbia); e do Cacique José Krikati, maior autoridade local, que abriu oficialmente o encontro.


Mulheres Indígenas - Durante o período de preparação da Assembléia, na véspera do encontro, já na aldeia São José, aconteceu o III Encontro de Mulheres indígenas da Amazônia, no qual foi definida a criação de uma organização autônoma de mulheres, que atuará de forma independente, em estreita parceria com a COIAB, e que foi denominada União das Mulheres Indígenas da Amazônia Brasileira – UMIAB.


Foram eleitas para a UMIAB : Concerlei Sumpré Xerente (coordenadora-geral). Edilene Krikati (vice-coordenadora), Matilde Madikai (coordenadora), Letícia Luiza Yawanawa (coordenadora). A iniciativa para a criação da nova organização nasceu a partir do Departamento de Mulheres da COIAB, coordenado por Maria Miquelina Machado Tukano. “Este foi um dos maiores avanços das mulheres indígenas da Amazônia na última década, mas precisamos sempre melhorar e qualificar o trabalho. A UMIAB me deixa bem animada e motivada quanto a isso. A nossa nova organização veio para somar com o trabalho que já vem sendo feito pela COIAB com as mulheres indígenas”, afirmou.


A UMIAB terá como primeiro desafio se firmar junto aos parceiros do movimento indígena e buscar recursos para as ações da organização, que inicialmente funcionará na sede da COIAB em Manaus, onde todas as coordenadoras irão trabalhar, com exceção da representante que será responsável pelas articulações em Brasília. Para o cargo foi eleita Geici Mura, do Amazonas.


Eleição do Conselho Fiscal - No mesmo período houve também a eleição do Conselho Deliberativo Fiscal (CONDEF), que discutiu uma proposta de novo Estatuto para a COIAB, que será apreciado durante a assembléia. O CONDEF é o responsável pela fiscalização e aplicação dos recursos financeiros da COIAB. Para a nova diretoria foram escolhidos Agnelo Xavante, reeleito para a presidência; Letícia Luiza Yawanawa, vice-presidente; Ivan Guarani, secretário-geral e Maximiliano Tukano, assessor do presidente.


IX Assembléia Geral da COIAB: debates dominam o segundo dia - O segundo dia de atividades da IX Assembléia Geral da COIAB começou com a aprovação do regimento e da programação do encontro. Por sugestão das lideranças indígenas, a programação foi modificada e a eleição da nova coordenação foi marcada para quarta-feira, dia 22, o que acelerou as articulações políticas para sucessão do atual coordenador. A nova proposta de Estatuto para a COIAB e CONDEF será analisada e votada depois da eleição. A proposta que será apreciada traz algumas mudanças em relação ao documento atual. Entre elas destaca-se a mudança do tempo de mandato da coordenação da COIAB, que de acordo com a nova proposta, pode passar de três para quatro anos.


Após dois mandatos à frente da entidade, o coordenador geral Jecinaldo Sateré Mawé deixa o cargo, mas garantiu que continuará atuante no movimento Indígena e que pretende conhecer as aldeias indígenas da Amazônia que não teve oportunidade de visitar devido a intensa agenda de atividades da COIAB. “Quero agora visitar as aldeias da Amazônia que ainda não pude conhecer. Não mais como coordenador da COIAB, mas como um índio que quer continuar a contribuir da melhor forma possível com a defesa dos direitos dos povos indígenas de nossa região e de todo país”, afirmou.


O período da tarde foi dedicado a apresentação de dois painéis e o debate sobre atual conjuntura do movimento indígena brasileiro abordando assuntos como a instalação de projetos em Terras Indígenas e mudanças climáticas.


O primeiro painel foi apresentado pelo representante da Coordenação das Organizações Indígenas da Cuenca Amazônica (COICA), Diego Escobar, onde foram descritas as atividades desenvolvidas pela organização, suas entidades filiadas e propostas para os povos indígenas amazônicos.


O segundo painel, apresentado por Jecinaldo Sateré Mawé foi dedicado a COIAB e tratou das realizações da entidade e a atuação em relação a assuntos como o Estatuto dos Povos Indígenas, tema principal do Acampamento Terra Livre 2009; a criminalização de lideranças Indígenas e demarcação de terras.


O coordenador chamou a atenção para o trabalho desenvolvido em parceria com organizações indigenistas e também com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, onde a COIAB é representada por Valéria Paye, que integra a Comissão Nacional Permanente em Brasília. Ele destacou, principalmente, a luta contra os Projetos de Lei (PLs) que tramitam no Congresso Federal e ameaçam os direitos dos Povos Indígenas, com destaque para o projeto que imputa aos Indígenas brasileiros a prática do infanticídio e o que transfere para o Legislativo a decisão sobre demarcação de terras Indígenas.


Assembléia Geral da COIAB comemora 20 anos de lutas pelos povos da Amazônia - Muita emoção e algumas surpresas marcaram a comemoração dos 20 anos da COIAB na noite de terça-feira, dia 21. A cerimônia foi aberta com o hino da COIAB, seguida pela primeira surpresa da noite, todos os presentes receberam uma camiseta especialmente feita para a ocasião.


Em seguida, Jecinaldo Sateré Mawé, em seu último dia como coordenador geral, fez um retrospecto da história da COIAB, relembrando cada uma das oito assembléias e a atuação de todos os coordenadores nos últimos 20 anos.


Logo depois, Lúcio Terena, ex diretor do Centro Amazônico de Formação Indígena (CAFI), apresentou o projeto “Universidade Indígena da Amazônia”, que será uma das prioridades da COIAB nos próximos anos. A universidade terá como diferencial a valorização do conhecimento tradicional e da sabedoria indígena aliado a oferta de cursos, incluindo mestrado e doutorado, nos mesmos moldes dos oferecidos pela instituições não-indígenas. “Nessa comemoração deixamos um desafio para as próximas gerações e esse desafio é a criação da Universidade Indígena da Amazônia”, afirmou Jecinaldo.


Sebastião Machinery também apresentou o livro “COIAB : 20 anos construindo nosso futuro”, ainda em fase de elaboração e que deve ser lançado em breve.


A última surpresa da noite foi o reconhecimento da atual coordenação àqueles que tiveram papel fundamental na história da organização. Membros da atual direção da COIAB entregaram diplomas aos ex coordenadores e conselheiros presentes ao evento com os dizeres: “Minha escola é o Movimento Indígena. Minha faculdade é a natureza e meus professores são as lideranças indígenas”.


COIAB elege nova Coordenação Executiva - No dia 22, cerca de 170 delegados indígenas representando os 09 estados de abrangência da COIAB elegeram a nova coordenação executiva da COIAB.


Com 148 votos a favor e 18 contra, Antônio Marcos Alcântara de Oliveira Apurinã – Rondônia foi eleito o novo coordenador geral da COIAB, logo após ocorreu à eleição para vice-coordenador(a) onde foi eleita Sonia Bone Guajajara – Maranhão com 106 votos a favor e 63 contra.


A eleição para o cargo de secretario (a) da COIAB foi eleito Cleiton Javaé – Tocantins, com 84 votos a favor e 74 contra.


Para o cargo de tesoureiro da COIAB foi eleito Kleber Luiz Santo dos Santos Karipuna – Amapá, com 99 votos a favor e 63 votos contra.


A eleição foi conduzida pelo coordenador executivo da APOINME, Zé de Santa; a advogada indígena Fernanda Kaingang e o representante da COICA, Diego Escobar.


Momentos antes da eleição, foi aprovado pela Plenária e todos os delgados presentes que a nova coordenação executiva da COIAB e o CONDEF terão mandato de 4 anos, ao invés dos atuais 3 anos.


Assessoria COIAB.

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