terça-feira, 7 de julho de 2009

JOANA D’ARC: “VOU TESTAR SE A CPI É PARA VALER COM AS DENÚNCIAS QUE VOU FAZER.”

A advogada e militante de Direitos Humanos Joana D’Arc foi um dos nomes relacionados pelo relator da CPI da Pedofilia, deputado Donald Fernandes (PSDB), para depor na CPI que irá apurar denúncias de abusos sexuais contra menores. Ela nega que tenha pedido a algum parlamentar para não depor.

“Vou com a maior tranquilidade do mundo. Já enfrentei batalhas mais pesadas, vou fugir de uma CPI de deputados e cabos eleito rais?”, disse Joana ontem à TRIBUNA. A advogada esclareceu que jamais pediu a intervenção federal na CPI, como um jornal publicou: “Não seria burra de propor isso, o que eu defendo é que os depoimentos na CPI sejam acompanhados por representantes da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, porque as denúncias que farei atingirão esferas altas do poder”, explicou. Abaixo, a sua entrevista.


A TRIBUNA - A senhora está com medo de depor na CPI? A senhora pediu para não ser ouvida?
Joana D’Arc -
Isso nunca existiu, eu lá vou ter medo de depor para uma CPI que nem o nome direito se sabe, formada por deputados e seus cabos eleitorais? Vou depor e testar se querem de fato apurar as coisas ou se é uma CPI para ficarem aparecendo na imprensa. Uma CPI de faz de conta.


A TRIBUNA- Por que a senhora pediu a presença da Polícia Federal e do Ministério Público na CPI se não tem medo de depor?
Joana D’Arc -
É porque a denúncia de abuso sexual que vou colocar sobre a mesa, com provas, inquéritos, despachos e sentença, envolve um juiz e um promotor. Quero ver se terão coragem de chamar os dois, porque eu vou dar os nomes de ambos. E vou citar outros casos. Que deputado não queira aparecer às minhas custas porque não vai aparecer! Não dizem que a CPI é para valer? Vamos ver se terão coragem de peitar os poderosos que vou nominar.


A TRIBUNA- E o caso Pianko?
Joana D’Arc -
Eu disse tudo o que tinha a dizer sobre o secretário Francisco Pianko. O caso já está no MPF. Chamar o Pianko é muito fácil, chamar a Joana é muito fácil, quero ver chamar os nomes que vou citar. Os deputados devem estar pensando que estão lidando com alguma criança quando vez por outra me citam. Essa não é uma CPI feita pela Joana. Esses deputados que transformam as aldeias em currais eleitorais não sabiam como o Pianko agia em relação às índias? Para cima de mim! Não vai se resolver a questão dos abusos sexuais com discursos na tribuna. Falta ação aos deputados. Eu já estou fazendo minha parte há muito tempo, levando os casos de pedofilia, de estupro para o MP e para a Justiça.


A TRIBUNA- Como falta ação?
Joana D’ Arc –
Onde está a tal de Comissão de Direitos Humanos na Assembleia Legislativa que até hoje não investigou a morte de um acusado de estupro dentro da penitenciária? Onde está a OAB que não se pronunciou até hoje para apurar esse tipo de coisa? Por que estão escondendo esse caso? A responsabilidade de enfrentar esses problemas de pedofilia não é só minha, os deputados não queiram colocar nas minhas costas suas atribuições e a do Conselho Tutelar da Criança.


A TRIBUNA - Que outros casos a senhora pretende levar para a CPI?
Joana D’Arc -
Estou juntando as provas finais contra um laureado escritor acriano que nesta semana levou uma menina para um prédio no Bosque, tentou estuprá-la e, como ela não aguentou a penetração, quase acabou com ela fazendo sexo oral. Pretendo levar esse caso para a CPI. Não querem trabalho? Não querem me testar? Pois eu vou para a CPI. Mas chamem quem eu citar, não brinquem comigo. Também estou fechando a prova contra um senhor que leva garotas menores para transar na frente da mulher. Querem apurar? Então vão ter que apurar.


A TRIBUNA - A senhora parece que não acredita muito nessa CPI, não é?
Joana D’Arc -
Da maneira como está, não acredito. Volto a dizer que é uma CPI de deputados e de cabos eleitorais. É o presidente da CPI saindo para ver jogo de futebol fora do Estado, é briga na tribuna, choro, reclamação, poesia, e querem que eu acredite? Sem uma ação conjunta do MPF a coisa não vai andar, porque, quando esbarrar em nomes que ocupam cargos de destaque no Acre, tremerão e não vão chamar ninguém. Mas, se protegerem alguém, eu vou denunciar, isso eu prometo. Tudo o que eu tenho dito e o que eu disser na CPI, eu estarei encaminhando cópias para o Ministério da Justiça e para os órgãos federais ligados à causa das crianças e dos adolescentes. Sou uma advogada, faço tudo dentro da lei.


A TRIBUNA - E a Letícia Iaunawá, que denunciou o Pianko?
Joana D’Arc -
Se a chamarem, vai ter de depor. Ainda agora, depois que saiu a notícia da convocação do Pianko, o marido dela foi demitido do cargo que ocupava na Funai. Se for depor, vou acompanhá-lo como advogada. Estou pronta para tudo.


A TRIBUNA - Como esta seu trabalho de ativista dos Direitos Humanos?
Joana D’Arc -
Vai continuar firme, sempre sou procurado por mães e por pais me pedindo ajuda em casos de abusos sexuais e sempre estarei à disposição. Minha atividade não se limita a um depoimento na CPI.


(A Tribuna)

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