quinta-feira, 9 de julho de 2009

INDIOS ORGANIZAM PROTESTO E AMEAÇAM INVADIR FUNAI DO ACRE

Deliberação sobre invasão ao prédio da Funai no Acre

Representantes de várias etnias ameaçam invadir prédio da Funai, caso assuma o cargo alguém que eles não indicaram. Para eles a exoneração foi uma armação política.


Lideranças de etnias do Acre, sul do Amazonas, noroeste de Rondônia estiveram reunidos durante toda à tarde desta quarta-feira, 08, no Centro de Antropologia da Ufac, para avaliar os prejuízos causados pela exoneração repentina de Antônio Apurinã que assumia a coordenação da Fundação Nacional do Índio (Funai), na região. Os indígenas exigem que ocupe a pasta alguém que represente a maioria das todas as etnias, caso contrário vão radicalizar.


Participaram do encontro lideranças das etnias Yawanawá, Shanenawá, Apurinã, Jaminawá, Caxinará. Ambos concordam que a saída de Apurinã da representação federal dos povos indígenas foi um equivoco.


"Nós estávamos participando de um encontro sobre a BR 317 nas nossas terras, quando pediram nossas assinaturas para que fosse feito os estudos de impacto ambiental. O que a gente não sabia é que iriam usar nossos nomes contra um parente nosso. Levaram nossas assinaturas para o presidente nacional da Funai, e lá disseram que todos os indígenas que tinham assinado o documento estavam pedindo a exoneração do Antônio Apurinã da Funai. O que não é verdade. Estamos muito chateados com isso", desabafa o índio José Corrêia Jaminawá.


Os indígenas afirmam que Apurinã se preocupava mais em melhorar a qualidade de vida das aldeias do que o próprio Governo do Estado. "Ainda sofremos com falta de demarcação das nossas terras, não temos atendimento de saúde bom, faltam escolas e tem muita gente criando intrigas contra os parentes nas aldeias", comenta o cacique Francisco Apurinã, de Boca do Acre no Amazonas. Outro cacique que participou da reunião foi Abidias Franco Apurinã, que também criticou a forma como a política dos povos indígenas vem sendo conduzida pelo Estado, "sem contemplar maioria", segundo ele.


Sabá Manchineri é o nome mais indicado pelos próprios indígenas para ocupar a coordenação da Funai Regional. O nome de Sabá tem inclusive apoio de caciques de várias aldeias, dizem que "ele é um indígenas firme das idéias, tem liderança, comprometimento com o povo e não se curva a corrupções."


Outra indicação para o cargo seria o nome de Tóia Manchineri, que já não tem tanta aceitação entre os povos. O terceiro nome é de José Nogueira Anchieta, liderança do povo Arara em Rodrigues Alves; porém afirmam que a ligação partidária dele com a Frente Popular atrapalharia muito na promoção de políticas públicas para as aldeias.


Ao final da reunião ficou decidido que interinamente o cargo será ocupado por Júlio Barbosa, vice-coordenador da Funai, até que os povos fechem um consenso sobre um novo nome. A decisão virá de Brasília, mas os índios já estão sendo consultados e, se manifestando sobre qual seria o melhor nome.


As tribos ameaçam fazer um protesto se for indicado para a coordenação da Funai alguém que não tenha passado pela avaliação de todas as etnias. A idéia é acampar em frente ao prédio da instituição federal, ou, invadir o órgão.

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