segunda-feira, 27 de julho de 2009

E AGORA PT?


E agora, PT?
E agora, PT?


A farsa acabou,
a estrela apagou,
você nos traiu,
a arrogância esfriou,
e agora, PT?
e agora, você?


Você que tinha nome,
que zombava dos outros,
você que era guardião,
de quem tinha um sonho,
e agora, PT?


Está sem parceiro,
está sem discurso,
está sem caminho,
Que possa trilhar,
já não pode enganar,
já não pode fingir,
culpar já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, PT?
E agora, PT?


Sua doce palavra,
seu ímpeto, sua verve,
sua gula incomum,
seu discurso inflamado,
seus militantes aguerridos,
sua coerência,
seu ódio - e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para as bases,
bases não há mais.
PT, e agora?


Se você gritasse,
se você se arrependesse,
se você se dobrasse,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você remisse...
Mas você não o faz,
você não é nada, PT enganador!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem militante na rua
para te respaldar,
sem cavalo vermelho
que fuja a galope,
você marcha, PT!
PT, para onde?


Esta é uma versão interessante e atualizada do poema de Drummond (E agora José?) que circula na internet.

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