quinta-feira, 16 de julho de 2009

BOLIVIA TRAZ PLANTAÇÃO DE COCA PARA A FRONTEIRA ACRIANA

Cultivo de coca na Bolivia

As famosas plantações de coca se espalham na Bolívia e agora chega à fronteira através de um projeto oficial do próprio presidente Evo Morales, que pretende assentar duas mil famílias de agricultores nativos na Província do Abunã, na Fronteira do Acre e Rondônia.


A denúncia e feita por parlamentares de oposição, eleitos pelo Departamento de Pando, na fronteira de Brasiléia, que pretendem, na próxima semana, oficializar a manobra do governo boliviano ao governador Binho Marques.


O senador Roger Pinto Molina - do partido de oposição PODEMOS -, mas conhecido por Chonta, e o deputado Paulo Bravo de Alencar, da mesma agremiação política, ambos com solidas bases eleitorais em Pando, afirmam que o projeto de Morales deve se concretizar ainda este ano.


Segundo os parlamentares, Evo Morales está fomentando a ocupação na fronteira dos dois estados brasileiros recrutando cerca de duas mil famílias da periferia de La Paz, todas com a cultura de plantadores de coca, para ocupar cem mil hectares.


O grande projeto de assentamento do presidente boliviano é justificado politicamente sob a bandeira da soberania do país vizinho que teme a ocupação da área por famílias brasileiras, e também de perder mais território para o Brasil.


Os parlamentares oposicionistas – e partidários do governador deposto de Pando, Leopoldo Fernandes – denunciam que a ideia do governo de Morales é distribuir, para cada uma das duas mil famílias, no mínimo cinco hectares de terra na fronteira Acre-Rondônia. Leopoldo Fernandes continua detido numa prisão em La Paz e, recentemente, um de seus advogados foi encontrado morto, com aparência de execução, mas a versão oficial e de que foi suicídio.


“A questão fronteiriça é uma obsessão do presidente Evo Morales que vê no tema uma oportunidade de retaliar o Brasil, por causa de episódios históricos já superados, esquecendo que os nossos povos hoje são irmãos latinos”, afirma o senador Roger Molina.


Já o deputado Paulo Bravo lembra que o recente episódio envolvendo a Petrobras e o governo boliviano ainda não e uma fatura liquidada para Morales. “O presidente acha que conta com a complacência do presidente para agredir a nação brasileira”, opina ele.


A migração - Para viabilizar seu intento de ocupar a fronteira brasileira com agricultores nativos, o presidente Evo Morales usa praticamente de uma estratégia militar, e transporta os colonos do país – a maioria desempregados de La Paz –, utilizando aviões Hércules da Força Aérea Boliviana, que desembarcam lotes de famílias no aeroporto de Cobija, fronteira com Epitaciolândia e Brasiléia.


De Cobija eles são transportados via terrestre pelas BRs 317 e 364 ate Plácido de Castro, por dentro do território brasileiro, ate o destino final, que é a Província do Abunã. “Tudo e supervisionado por equipe de militares, diretamente subordinados ao presidente Morales”, informam os parlamentares Roger e Paulo.


Outra estratégia de transporte, que segundo os denunciantes vem sendo levada a cabo pelo governo boliviano, é o transporte feito, também via aérea, até a cidade de Riberalta, no Departamento de Guajará-Mirim, de onde o grupo parte de barco do rio Paquara ate o rio Negro, nas proximidades da famosa Cachoeira do Carmo, onde existe forte atividade madeireira e de extração de palmito.


Fortaleza do Abunã ameaçada - Uma das áreas de lazer mais freqüentadas por acrianos e rondonienses, a Fortaleza do Abunã, pode deixar de ser o paraíso dos turistas, para se tornar um transtorno para os governantes dos dois estados, já que atividade dos agricultores será predominante na região circundante.


Aliás, na fronteira com o Abunã já existe uma aduaneira e um pelotão do exercito boliviano especialmente orientado para a guarda da fronteira do país. Abunã, que já foi um antigo centro de extração de borracha e castanha, e que hoje tem intensa atividade de turismo, pode mudar completamente. E isso deve preocupar, não só as autoridades do Acre e Rondônia, mas também o próprio governo federal.


Os brasileiros começaram a frequentar a região do Abunã para atividades de caça, pesca e lazer. E foi justamente que preocupou o governo peruano, que agora pretende ocupar a área com uma atividade tipicamente boliviana: a plantação de coca.


Jornal A Tribuna/Ac

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