sábado, 6 de junho de 2009

ASSOCIAÇÃO DOS MILITARES DIZ QUE OFICIAL PODE SER PRESO A QUALQUER MOMENTO


Punição já estaria há vários dias na mesa do comandante geral. Rocha responde dezenas de processos judiciais por ter coordenado protestos por melhores salários para a categoria


O blog da Associação dos Militares do Acre (Ameac) revela que, o major da Polícia Militar do Acre, Wherles Rocha, (foto) um dos principais lideres da manifestação da PM, ocorrida no mês passado, pode ser preso a qualquer momento. Segundo o blog, as informações não oficiais, mas de fontes seguras, dão conta da prisão do major sob as ordens do Comandante Geral da PM, coronel Romário Célio.


No mês passado [dia 4], a Associação dos Policiais Militares liderou uma manifestação pacífica, em que os policiais reivindicavam melhores condições de trabalho e salários. Na ocasião, os militares se concentraram em frente ao gabinete do Governador e sobre gritos de ordem pediam para ser atendido pelo chefe do executivo. Desde então, o major Rocha têm respondido a vários processos judiciais, inclusive pelas suas declarações a imprensa de que tinha revelações a fazer de supostas irregularidades na corporação. Aparentemente Rocha vem incomodando, e muito, a rotina do coronel Romário Célio.


“(...) mas, se me apertarem vou abrir a boca sobre umas coisas que sei que acontecem dentro da corporação, não sou homem de recuar. Não temo nada, estou numa luta que é da categoria”, disse o major ao ac24horas no calor das manifestações à época. Mas o comando não tem aliviado. Esta semana Rocha esteve por várias vezes no Ministério Público Estadual (MPE), respondendo denúncias da Procuradoria Geral do Estado e da juíza Regina Longuine da 1ª Vara da Fazenda Pública e Corregedoria Militar.


Rocha é acusado de puxar um movimento de greve na PM, ter provocado interrupção das ações militares como também prejuízos por conta do bloqueio durante o manifesto feito na Avenida Brasil em frente a “Casa Rosada” – gabinete do governo. Os denunciantes acusam ainda os manifestantes de estarem armados e de folga no ato público, e de terem descumprido ordens para o encerrar o movimento.


Não é a primeira vez que boatos da prisão do oficial circulam no batalhão. Há militares que afirmam que o comando já recuou de várias tentativas de prender o major por infringir o regimento da PM. A repercussão da prisão do oficial seria muito negativa para Romário Célio.


De acordo com as informações do blog da Ameac, o oficial recebeu semanas atrás o seu “Deveis Informar” (documento ofertado para o militar acusado para a realização de sua defesa) e respondeu como foi designado. Entretanto, sua punição aguardava uma oportunidade, dia propício, sobre a mesa do comandante geral.

“Eu não sei de nada, mas estou preparado para o que vier”, disse o oficial. O comandante Romário Célio não foi localizado para comentar o boato.


Nos corredores da PM já se comenta que é quase uma questão de honra para o comando não promover mais o major por conta da sua conduta, apesar de ele está habilitado para receber patente e ainda não ter sido julgado. Porém o comando da PM não enxerga que sua imagem já vem enlameada há bastante tempo: vários oficiais sentenciados por crimes no grupo de extermínio “Esquadrão da Morte” continuam ligados diretamente a PM, recebem salários, cumprem jornada de trabalho regular e não tiveram baixas de suas patentes.


Existem ainda outros “abacaxis que PM tem que descascar”. A advogada Joana D’ Arc Valente Santana pediu a intervenção da Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH), da Presidência da República, na Polícia Militar do Acre para apurar uma série de crimes que estariam sendo praticados na corporação. Os crimes incluem o ingresso ilegal de policiais, tortura psicológica e moral subseqüenciadas, perseguição e até discriminação a deficiente físico. O casos foram levado às Comissões de Direitos Humanos da Câmara e do Senado e à ONG Justiça Global.


Pelos cálculos da advogada, a Polícia Militar do Acre possui atualmente em seus quadros mais de sessenta militares irregulares. São em sua maioria oficiais de alta patente e, alguns deles, recebem vantagens e condecorações que, legalmente, seriam destinadas aos militares que prestaram concurso e passaram de forma lícita e com boa pontuação.


Há poucos dias a PM cometeu mais um ato ilicito. O Major Marcos Aurélio Palladino, que estava nomeado como Ajudante Geral do comando, foi afastado recentemente sem nenhuma explicação do cargo. Agora o major está encostado nos corredores do quartel, cumpre expediente normal e nenhuma atribuição a mais lhe foi dada.

Palladino fez uma carta onde dizia que Binho Marques não realiza promoções na PM por merecimento, mas por escolha. O documento foi arrancado do mural do quartel e logo veio o decreto de silêncio para todos os militares. Em seguida Binho autorizou várias promoções, inclusive de PM’s enrolados judicialmente em escândalos de corrupção e oficiais de sua plena confiança. Já militares que esperam há anos pelo mesmo beneficio, foram colocados no “final da fila”.


Sem falar ainda que existe também uma lista com nomes de militares preparada pela própria corporação, onde aponta o envolvimento de mais de 100 homens em um desvio milionário de R$ 1,2 milhão dentro da PM por meio do pagamento de gratificações irregulares.

Nenhum comentário:

Postar um comentário