quinta-feira, 14 de maio de 2009

RESPEITEM OS POVOS INDÍGENAS

Binho e Pianko são acusados de boicotar participação de índios em eventos

Governo teria recusado apoio e recursos, impedindo indígenas de participar da Conferência Municipal e Estadual de Igualdade Racial.

O governador Binho Marques (PT), continua fortalecendo o assessor especial dos Povos Indígenas Francisco Pianko, acusado de abuso sexual e atentado violento ao pudor contra duas índias da etnia Yawanawá. O Ministério Público Federal, abriu inquérito para apurar as denúncias e solicitou uma investigação rigorosa da Policia Federal. O escândalo criou um movimento separatista envolvendo lideranças Yawanawá, Apurinã , Shanenawa e o governo. Agora em represália a denúncia de índias contra Pianko, que continua no cargo, várias etnias estariam sendo boicotadas pelo Governo do Estado na participação de eventos onde são discutidas políticas públicas essenciais para as aldeias.

De acordo um pequeno grupo de mulheres que dizem representar a Comissão de Articulação do Movimento Indígena do Acre e Sul do Amazonas, o governo bloqueou recursos no valor de quase R$ 60 mil que seriam utilizados nas despesas de alimentação, transporte e hospedagem de quase 48 lideranças de 10 municípios, que fariam representação na Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial. O evento será realizado dias 14 e 15 de maio no Centro de Treinamento da Diocese de Rio Branco, na Avenida Getúlio Vargas. A segunda edição da conferência convocada pelo governo federal tem foco no Acre nas populações negra, indígena e árabe. Delegados foram escolhidos durante a realização das pré-conferências regionais, eles representam organizações sociais e integrantes de movimentos em defesa da igualdade social. Dos debates serão retiradas propostas de políticas públicas que poderão ser implementadas pelo governo federal nos próximos anos nas aldeias, mas antes as idéias seguem para a conferência nacional.

As índias Ivonilde Shanenawa e Nazaré Apurinã, fazem parte da comissão que desde fevereiro negocia com o governo a participação dos delegados indígenas no encontro. Ivonilde e Nazaré afirmam que participaram de várias conversas com o Hildo Montysuma assessor de Francisco Pianko e Henrique Corinto, secretário de direitos humanos (SEDH). Os gestores tinham assegurado a participação das pessoas selecionadas para o encontro. Uma semana antes de o evento ser realizado, as lideranças foram surpreendidas com a suspensão dos repasses, impedindo o deslocamento dos índios até a capital. As duas índias dizem que os escolhidos pelo governo não representam o movimento.

De acordo com as mulheres, a negativa do estado tem haver com as denúncias envolvendo abuso sexual do índio Pianko. Como forma de retaliação, segundo elas, Binho e Pianko estaria usando o poder que tem para afastar alguns índios do processo de organização administrativo e político. As reclamações e as denúncias são muitas envolvendo o assessor indígena de Binho Marques.

Francisco Pianko, não foi localizado. Por telefone Henrique Corinto, representante do estado, negou tudo. Segundo Corinto, o movimento indígena do Acre está todo representado na Conferência. De acordo com o secretário estadual de direitos humanos, não existe nenhum tipo de represália ou boicote as populações indígenas pelo governo. Ressaltou que as etnias continuam recebendo o tratamento adequado que o estado sempre ofereceu, regulamentado por decreto lei. Corinto forneceu ainda a relação das entidades representadas no encontro.

Veja:

OPIRJ - Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá;

OPITAR - Organização dos Povos Indígenas do Rio Tarauacá;

OPIRE - Organização dos Povos Indígenas do Rio Envira;

OCAEJ – Organização Comunitária Agroextrativista Jaminawa;

Federação Huni Kui;

SITOAKORE - Organização das Mulheres Indígenas do Acre, Sul do Amazonas e Noroeste de Rondônia;

OPIAC - Organização dos Professores Indígenas do Acre;

AMAAIAC - Associação do Movimento dos Agentes Agroflorestais Indígenas do Acre.

FOTO SECOM/AC - CLIQUE NA IMAGEM PARA VER EM TAMANHO MAIOR.

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