segunda-feira, 25 de maio de 2009

NO ACRE, UM LAR PARA AS VÍTIMAS DA PEDOFILIA

Na Casa Lar Ester, em Rio Branco, meninas abusadas sexualmente resgatam a esperança no futuro

Por Cecília França

Bruna* chegou a Casa Lar Ester, em Rio Branco, capital do Acre, com 13 anos, grávida em decorrência de um abuso sexual. Desesperada, pensou em tirar o bebê. Hoje, quatro anos depois, ela continua vivendo no abrigo, em companhia da filha, que é considerada a alegria da casa. Atualmente Bruna estuda e, segundo a coordenadora do lar, é uma mãe exemplar. Vítima da pedofilia, ela deu a volta por cima e reconstruiu sua vida após o trauma. Infelizmente, nem todas conseguem, mesmo no novo lar.

A Casa Lar Ester mostra-se aconchegante logo à primeira vista. A construção em formato de triângulo lembra uma casa de bonecas e a pintura clara, em tons pastéis, dá o ar de tranquilidade de que as moradoras tanto precisam. Nas portas dos quartos estão pendurados quadros com imagens de meninas angelicais, representando a inocência roubada das moradoras daqueles cômodos. Atualmente, a casa abriga nove meninas entre 7 e 18 anos, encaminhadas pelo Conselho Tutelar, Ministério Público ou Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) após sofrerem abuso sexual.

De acordo com Ana Márcia Lima da Silva, 25, coordenadora interina da casa, a rotatividade de moradoras é muito alta e eles já chegaram a abrigar 20 meninas ao mesmo tempo. Desde 2002, a Casa Lar atendeu cerca de 200 garotas. Ana Márcia conta que o projeto nasceu há sete anos, idealizado pela Jocum (Jovens com uma Missão), organização missionária evangélica, com o objetivo único de propiciar um futuro para as vítimas de abuso.

“Algumas moram com a gente há quatro anos, mas tem aquelas que ficam uma semana e saem, fogem. Cada uma tem uma reação dentro da casa”, revela a coordenadora. Ana Márcia conta que as meninas chegam no abrigo emocionalmente abaladas já que, além de terem sido vítimas de abuso, foram retiradas do convívio da família.

“Para amenizar isso a gente trabalha o lado espiritual e conta também com psicólogos e assistentes sociais. Elas chegam muito machucadas”, afirma. A rotina na casa é rígida, com atividades a partir das 6h30 e obrigatoriedade de frequência escolar e em cursos profissionalizantes. Cada uma é tratada e protegida como uma “estrela”, significado de Ester.

Futuro - Incentivar a esperança em dias melhores é um dos objetivos da Casa Lar Ester. Ana Márcia conta que os voluntários ensinam as meninas a sonhar e planejar o futuro. Ela destaca a história de uma garota que chegou ao abrigo com 13 anos e não sabia nem mesmo usar o vaso sanitário. “Ela morava com o pai em um barco, não sabia coisas básicas e sonhava em ir para a escola”. Hoje essa garota estuda e, segundo Ana Márcia, espera reencontrar o pai para cuidar dele na velhice.

As meninas abrigadas pela Casa Lar Ester não são obrigadas a deixar o abrigo assim que completam 18 anos, pois nem sempre as famílias estão prontas para recebê-las, econômica e emocionalmente. A coordenadora ressalta ainda que em 90% dos casos em que as meninas foram abusadas dentro da própria casa, as mães não se separam dos agressores.

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