quarta-feira, 20 de maio de 2009

MAURA DE OLIVEIRA, VÍTIMA DE PEDOFILIA EMOCIONA DEPUTADOS COM DEPOIMENTO


Durante a sessão especial alusiva ao Dia Nacional de Combate à Violência e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, a ex-menina de rua Maura de Oliveira emocionou todos os presentes com seu depoimento.


Hoje, aos 40 anos, Escritora, Fundadora e Presidente da ONG Life, atua na coordenação de projetos sociais, ministra cursos profissionalizantes e promove eventos, autora do livro que mostra toda sua historia ‘Menina de Ontem', nem de longe se imagina que ela tem uma linda e comovente história de coragem e superação para contar. Com uma infância difícil, jogada de casa em casa, ela teve que lutar desde cedo contra maus tratos, medo e contra a pedofilia.


Mais do que ninguém sabe a dor de uma criança que teve sua inocência e seus sonhos roubados por seres aparentemente sem coração. "Tive a oportunidade de acompanhar dois pedófilos um de 50 anos e outro de 60, na época tinha apenas 6 anos. Falar das dores é muito difícil, falar uma vez já é difícil imagina repetir a história várias vezes, porque falando você automaticamente revive a cena novamente. "A criança vive aquela dor e consegue até imaginar o agressor, digo por experiência própria, e não digo que hoje não vejo mais, uma vez que são marcas que ficam para a vida toda", explica emocionada.


Para ela até mesmo os momentos mais difíceis como aqueles em que não tinha um teto, um alimento, um cobertor, condições básicas para que um ser humano possa viver dignamente, nada disso se compara aos dias de horrores de maus tratos e violência sexual que sofreu. Aos 16 anos no Estado do Acre teve a oportunidade de lutar na justiça por sua liberdade e saiu vitoriosa. "Descobri aos 8 anos que a maldade existia. Muitas famílias me viam nas ruas me levavam para casa, chegando lá eu era recebida com uma vassoura na mão, ainda era agredida quando a dona não gostava do serviço, me xingavam de todos os nomes possíveis, difíceis ate para uma criança assimilar.


Foram muitos os momentos de desespero que passei, quando tive a oportunidade de denunciar no Fórum daqui do Estado os agressores. Relatei só a parte da violência doméstica, não tive coragem de contar a parte da pedofilia, porque essa parte a criança prefere pular, dói falar, ela se sente culpada e, afinal de contas, quem iria se voltar na época contra um membro pedófilo do Exército e uma diretora da Fumbesa?", questionou. Ainda emocionada falou da satisfação de retornar ao Estado do Acre e também de retornar a Assembleia Legislativa onde trabalhou na década de 80 como redatora. "Aos 26 anos revisava textos para o Diário Oficial desta Casa e neste mesmo período prestei concurso para Secretaria de Educação. Passei e lecionei no Colégio Acreano. Hoje, sento no banco da praça e lembro das vezes que tive que dormir ali. Superei tudo isso com muito trabalho e tudo isso devo a vocês", agradeceu. Maura apresentou ainda uma boneca chamada Maurinha, que faz parte do trabalho que realiza com crianças vítimas da pedofilia.


Ela contou que fez alguns cursos necessários e que não usa técnicas até porque os resultados não são alcançados da noite para o dia. "Essa boneca faz parte do trabalho pedagógico que realizo com as crianças, faço também massagens, trato as crianças do mesmo jeito que gostaria de ter sido tratada na minha infância, com carinho, respeito e atenção", ressaltou. Dia histórico Para concluir, Maura disse que acredita no trabalho da CPI aprovada pela Aleac, uma vez que a mesma será importante para a sociedade. "Acredito nessa CPI, precisamos ser fortes para andar de cabeça erguida e com dignidade. Só através das autoridades, juntamente com a sociedade, poderemos combater esse crime, estou com vocês nesta luta. Hoje estar aqui, novamente neste Estado é um dia histórico para mim. Não sou daqui nem sei de onde vim,, então escolhi o Acre como meu Estado", concluiu.


Agência Aleac

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