sexta-feira, 22 de maio de 2009

CLÉLIO RABELO, DESABAFA

Pessoal, depois de quase cinco anos desempregado, dos quais metade deste tempo sem qualquer renda formal, não me restou outra saída. Faço este desabafo ciente de que dele resultarão críticas, ataques, calúnias e difamações, mas não temo tudo isso.

Espero que seja, antes de tudo, redentor. Fui militante do PT de 1988 até idos de 2003, quando excluíram-me do partido à minha revelia. Embora tenha ocupado cargo comissionado entre 1999/2001 (aproximadamente), fui ignorado e execrado em face disso posteriormente. Conto com os verdadeiros democratas para divulgar o artigo que se segue e que autorizo a reprodução, desde já.

(Primeiro, um breve histórico meu. A seguir, o desabafo)

CURRICULUM VITAE
Clélio Borges Rabelo (FOTO), (Registro Profissional nº 0137/MTb/Ac) é jornalista há cerca de 30 anos, com experiência profissional em diversos veículos de comunicação (jornal, rádio, TV e assessoria de imprensa). Começou na profissão atuando como estagiário na TV Globo Brasília, na década de 1970, de onde despontou para a mídia impressa e televisada regional e nacional.

Foi repórter, apresentador, redator, chefe de redação e editor-chefe da TV Gazeta de Rio Branco (Acre) entre os anos 1989 a 2001. Em períodos alternados, exerceu funções semelhantes nas afiliadas das redes: Globo (TV Acre – Rede Amazônica de Televisão), Bandeirantes (TV União), Record (TV-5) e TV Aldeia (emissora governamental acreana afiliada da TV Cultura de São Paulo). Matérias suas foram veiculadas em nível nacional na extinta Rede Manchete de Televisão, Rede Record, Rede Amazônica, e Canal Rural.

À frente da TV Gazeta, canal 11, de Rio Branco, compartilhou os Prêmios Líbero Badaró de Jornalismo (Televisão), concedido pela fundação de mesmo nome, e Prêmio CNT/Ministério dos Transportes, categoria documentário.

Na mídia impressa, foi correspondente da revista Veja e dos jornais Notícias

Populares e O Globo. Trabalhou como repórter e colunista político e cotidiano em: ORio Branco, (ex-integrante do condomínio Diários e Emissoras Associadas, de Assis Chateaubriand), e A Gazeta, onde exerceu também a função de editor temático (meio ambiente), e ainda: jornais Página 20 e A Tribuna, todos em Rio Branco, Acre.

Foi assessor de imprensa do SEBRAE Acre e dos sindicatos dos Bancários, Trabalhadores em Educação, Servidores Públicos Federais e da Polícia Civil.

Atuou como repórter e redator-chefe em diversas campanhas no horário eleitoral gratuito no rádio e TV para variados partidos políticos, sendo o mais recente a propaganda eleitoral de Tião Bocalom, candidato a prefeito de Rio Branco nas últimas eleições municipais pelo PSDB e que, por menos de 3% dos votos, não foi para o segundo turno (ele começou a campanha com 11% das intenções de voto, saltando para cerca de 26% ao final do pleito, sem participar de um único comício).

Por fim, trabalhou ainda como Coordenador de Divulgação do Governo do Estado do Acre durante o primeiro mandato do ex-governador Jorge Viana (PT), entre 1999 e 2002.

Ressalte-se que todas estas informações são verdadeiras e passíveis de comprovação documental, se necessário.

“Ir para o Acre”

*Por Clélio Rabelo

O Zé Leite dizia que ninguém vem para o Acre impunemente. O curioso é que a frase, sub-repticiamente, denota um sentido preconceituoso, como a admitir que trata-se de uma terra de forasteiros ou de gente de estirpe duvidosa. A assertiva partiu de alguém que hoje é reverenciado como ícone da acreanidade e do jornalismo Aquiri. Não é bem assim.

O direito sagrado de ir e vir é intrínseco a todos os seres. Dá ao homem a liberdade de escolher onde quer viver, trabalhar, constituir família. Exerci esses direitos desde que aportei aqui há 22 anos. O fiz de bom grado e liberto de qualquer amarra pregressa. Me deparei com uma terra e uma gente esplêndidas. Me apaixonei, constitui família e vivi grande parte de meus melhores e piores momentos pessoais e profissionais. Estes antagonismos independem do lugar em que se vive.

Tive o privilégio de vivenciar os grandes momentos do jornalismo acreano e as transformações sociais, políticas e econômicas das últimas duas décadas.

Me exauri em busca do melhor de minha profissão, graças ao que foi possível dadas as condições materiais e humanas oferecidas, e às limitações atinentes à minha atividade.

Pude conviver e/ou entrevistar pessoas de todas as classes sociais e que me fizeram compreender melhor a realidade da qual fui expectador, personagem e agente do processo histórico deste período.

Conheci as histórias, os dramas, mazelas, virtudes, qualidades e defeitos de mendigos, garis, bêbados, prostitutas, trabalhadores braçais ou não – todos assentados na base da pirâmide social.

Nos outros estágios desta mesma escala, fiz o mesmo com funcionários públicos ou privados e personalidades de renome local,estadual, regional e ainda nacionais e estrangeiras: Al Gore (ex-vice-presidente dos EUA), Luiz Inácio Lula da Silva (“O cara”), Fernando Henrique Cardoso, José Sarney, Paulo Maluf, Wanderley Cardoso, Amado Batista, Angélica e tantas outras.

Também me deparei com a maldade humana de um Hildebrando Pascoal (para ficar apenas nesse exemplo). No entanto, filei cigarro de Chico Mendes e conheci as agruras e o trabalho social de pessoas como Bacurau, D. Moacir Grechi, ou artístico de um Betho Rocha e tantos outros ícones da cultura acreana.

Aprendi o sentido das expressões Amazônida e Acreanidade. Revelei, de forma inédita na TV, que o verbete “morrer” significa, dentre outras definições, “ir para o Acre”.

– É esse o cerne da questão.

Ao vir para o Acre, o fiz em busca da vida em sua plenitude. Todavia, ela foi ceifada pela conduta déspota e ditatorial de uma corrente política que eu, desavisada e ingenuamente, contribuí para a assunção ao poder. Capitaneada pela arrogância, prepotência e pela implacável perseguição política e ideológica, essa mesma corrente, há mais de uma década, conduz e direciona os destinos políticos do Acre. – A qualquer custo, a ferro e fogo.

Os senhores Jorge Viana, Tião Viana, Aníbal Diniz, Francisco “Carioca” Nepomuceno, Edvaldo Magalhães e Sérgio Roberto de Souza – além de tantos outros asseclas, abdicaram de todos os ideais de liberdade e justiça social que juntos apregoávamos num passado nem tão distante. Sobreviver profissional e politicamente no Acre dos dias atuais pressupõe abrir mão de nossos valores mais intrínsecos. Significa “rezar na cartilha deles” ou dizer “amém” aos seus ditames.

Minha formação moral e ética não aceita essa submissão. Me rebelei e paguei e ainda pago um preço muito alto por isso. Não me restou outra saída. Me despeço do Acre com a alma, o coração e a família em frangalhos. Fui incompetente para administraressas incongruências e até mesmo os meus conflitos pessoais.

Agradeço profundamente aqueles que foram solidários comigo (poucos). Torço para que os déspotas e obscurantistas sejam efêmeros no Acre. A tão propalada “florestania” significa confinar o cidadão acreano mais carente à imensidão da mata, dissociado de sua integração econômica, política e cultural do restante do país e do mundo.

Isso, em troca de um endividamento externo do governo estadual (erário) de proporções imprevisíveis para o futuro, travestido de obras ornamentais que, se por um lado transformaram cenários dos principais bairros da capital (centro e adjacências primordialmente), em nenhum momento resolveu de forma substancial os verdadeiros problemas da população: o desemprego, a violência, a falta de perspectivas e a reversão substancial do cenário de miséria preponderante na maior parte de Rio Branco e das periferias do interior.

Estes são cenários onde imperam, além de enormes índices de criminalidade, a pobreza e a falta de infra-estrutura. Florestania é a suma de um lema capitaneado por ONGs e entidades estrangeiras difusoras de um discurso inócuo e impreciso, mas que esconde o interesse pela tão propalada internacionalização da Amazônia.

A aldeia global de que falou MacLuhan é outra coisa. Deturparam tudo em nome dos propósitos provincianos de alguns asseclas que não medem esforços para aniquilar aqueles que ousam a se contrapor a suas práticas escusas, funestas e coisas tais.

O Zé Leite também se referia àqueles que chegavam ao Acre “puxando a cachorrinha” para depois se locupletarem. Volto sem a minha, que morreu junto com meus sonhos e ideais. Melhor ter sido assim do que chafurdar da lama onde hoje atola a matilha cuja sanha é alimentada pela cobiça e pelo esquecimento do significado da palavra decência.

*Clélio é jornalista e pai de família
cleliorabelo@pop.com.br

2 comentários:

  1. É meu irmão, entendo sua decepção. Também passei por isso. mas na vida encontramos tropeços para mais na frente recebermos um bom caminho para andar. Sonhamos um Acre melhor para todos mas ficou na mão de poucos. Infelizmente as pessoas nos decepcionam.
    Que Deus te abençoe ricamente.
    Ailton Oliveira.

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  2. É Clélio, infelizmente o povo acriano ainda é muito ingenuo na politica e escolhe seus governantes por obras visuais no centro da cidade e até mesmo pelo dito popular maria vai com as outras, porque fulano vota eu também vou votar, tem sido assim nas ultimas eleições e creio que vai perdurar por muito tempo ainda, até que o povo acorde para o mau que estão fazendo para a democracia no nosso Estado. Falo em tom de desabafo também, não sou politico, não tenho filiação partidária nem muito menos trabalho "no governo", apesar de pagar meus impostos que não são baixos e ter sempre a sensação de que trabalho sim "pro governo" de tanto que pagamos de impostos nesse país, mas hoje resido em São Paulo, longe da familia e dos amigos e torço muito para um dia nosso estado ter um crescimento verdadeiramente sustentavel, que nos forneça emprego ao cidadão, bairros com situação humana de se viver e que politicos igual esses que aí governar fiquem bem longe do poder, pois não merecem estar a frente de uma terra tão bonita e de história sublime e que muitos preferem se aproveitar dela para fazer propaganda até hoje. Que Deus abençoe todos nós e sejamos sempre cidadãos do bem comprometido com nossos ideais, carater e valores morais. Grande abraço a todos. Erik Araújo

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