domingo, 31 de maio de 2009

SOBRE LIVROS, LITERATURA E LIVREIROS


Rápida entrevista com Clodomir Monteiro da Silva, presidente da Academia Acreana de Letras. O imortal fala de Bienal da Floresta do Livro e da Leitura e sobre o trabalho de livreiros no Acre, entre eles Artur Jerosh.

Clique para ouvir o áudio:

BIENAL DA FLORESTA DO LIVRO E DA LEITURA


Livros e literatura ao alcance de todos. A maior festa literária do Acre é promovida em praça pública e promete estimular o bom gosto pelos livros de centenas de visitantes

A capital do Acre, também está fazendo um ensaio durante 10 dias que pode se aproximar da virada cultura paulista, se no futuro os organizadores capricharem e fizerem atividades mais ousadas, neste mesmo evento. Rio Branco, de olho no turismo realiza a I Bienal da Floresta do Livro e da Leitura, a ser realizada de 29 de maio a 7 de junho, no centro da cidade. A população terá acesso a livros com redução de até 20% do que é praticado no mercado local e ainda atividades culturais, e uma recheada programação onde os leitores terão contato com escritores de vários estados.

A praça da revolução onde está a estatua de Plácido de Castro símbolo da história dos heróis que lutaram para o Acre não ser território boliviano, foi transformada numa gigantesca biblioteca ao ar livre. Crianças e os adultos caminhavam entre diversas obras e seus autores. Para muita gente é a chance de tocar em peças dos imortais da literatura e seus textos consagrados.

Editoras de todo o pais montaram 40 estandes, onde o público encontra as mais diversas obras. Na programação estão painéis, oficinas e conversas com escritores, mesas redondas, shows musicais, exibição de filmes relacionados à literatura. Tudo isso acontecerá nos espaços localizados no entorno da Praça da Revolução entre eles o auditório da Prefeitura de Rio Branco, do CEBRB, da Biblioteca Pública, do Sesc e a Tenda Bolha, espaço construído especialmente para as crianças terem acesso a internet livre em 14 computadores.

Neste sábado, segundo dia de atividades, dezenas de pessoas saíram de casa para acompanhar a programação com direito a indicações de leitura pela rádio Aldeia, o som é transmitido direto para o local do evento. Durante o fim de tarde, Manoel Paim, Pedro Vicente (livreiros) e Clodomir Monteiro da Silva, presidente da Academia Acreana de Letras, falaram ao público presente no auditório da Biblioteca Pública sobre a importância de um dos históricos livreiros do Acre, o falecido Arthur Jerosh. Já à noitinha, teve um grupo de chorinho que animou com música ao vivo.

CONVIDADOS – Entre os escritores nacionais convidados está Celso Sisto que já publicou: Ver-de-ver-meu-pai, Assim é Fogo!, Beijo de Sol, Mas Eu Não Sou Lobisomem!, O Dono da Voz, O Encantador de Serpentes, Porque na Casa Não Tinha Chão, O Pequeno Cantador, Quase que Nem em Flor, Enquanto eles Dormem, Amor Meu Grande Amor, Anjo de Papel, Francisco Gabiroba Tabajara Tupã, A Noiva do Diabo, Vó que Faz Poema, Ora, pitombas!, Emburrado! e O Cocô do Cavalo do Bandido. Na Bienal da Floresta, Celso Sisto comandará as oficinas de Contadores de Histórias.

Homero Fonseca, publicou: Roliúde, Pernambucânia – O Que Há nos Nomes das Nossas Cidades, Pequeno Teatro da Vida, A Arte de Viver Teimosamente, A Vida é Fêmea e Viagem ao Planeta dos Boatos.

Raimundo Carrero, já publicou os livros: A História de Bernarda Soledade – A Tigre do Sertão, Somos Pedras que se Consomem (pelo qual recebeu o prêmio de Melhor Romancista do Ano , da Associação Paulista de Críticos de Artes e o Prêmio Machado de Assis, da Biblioteca Nacional), As Sombrias Ruínas da Alma (pelo qual recebeu o prêmio Jabuti) e em 2003 lançou Ao Redor do Escorpião... Uma Tarântula.

Cláudio de Oliveira, já tem no seu currículo os livros: O vagalume, O Que Vier Eu Traço, Já Era Collor, (em co-autoria com os cartunistas potiguares Edmar Viana, Everaldo Lopes, Emanoel Amaral e Ivan Cabral), Pittadas de Maluf, Lula - Ano Um e Pizzaria Brasil, livro em que reúne os trabalhos de seus 30 anos como chargista político.

Também participam da Bienal da Floresta os escritores Fernando Monteiro, Alexei Bueno, Gilberto Mendonça Telles, Márcio Souza, João de Jesus, Jorge Tuffic, José Ignácio de Loyolla, Luiz Galdino, Cláudio Aguiar, Hidelberto Barbosa, Francisco Dantas, Maria Lúcia dal Farra, Marcos Accioly, Nelson Patriota, José Castilho Marques Neto, Antonio Roberto Bertelli, Fábio Lucas, Luis Ruffato e Francisco Gregóriom, além de vários autores regionais.

A expectativa é de boas vendas para os expositores, mas também que as pessoas entendam que os livros abrem caminhos para erradicar a violência, constroem cidadania contribuem para diminuir as desigualdades sociais.

Na foto, Rafaela da Silva, 9 anos, viajando na leitura.

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sexta-feira, 29 de maio de 2009

TRE DO ACRE AINDA NÃO DECIDIU SOBRE PREFEITO ACUSADO DE COMPRA DE VOTO


Paulinho (foto) vira o jogo no TRE e pedido de vistas do processo mantém prefeito no cargo

Bastou a pressão exercida nos últimos dias pelas principais lideranças da Frente Popular do Acre (FPA) para a situação do prefeito da cidade de Plácido de Castro, Paulo de Almeida (PT), que era crítica, se ransformar em confortável, no Tribunal Regional Eleitoral. Na última quarta-feira (20), o TRE/AC iniciou o julgamento do recurso eleitoral que pode acarretar na cassação do prefeito eleito de Plácido de Castro, Paulinho Almeida, por compra de votos. Naquele diz a juíza Denise Bonfim não teve dúvidas em sugerir a perda do mandato do prefeito acusado.

Segundo a autora da ação, Coligação 100% Popular, que tinha como candidato a prefeito o Dr. Roney (PMN), segundo colocado nas eleições de 2008, Paulinho Almeida teria doado cestas básicas, camisetas, uma caixa d’água e dinheiro a eleitores em troca de votos. Os advogados de defesa, Odilardo Marques, e de acusação, Ruy Duarte, fizeram sua defesa. Mas o Procurador Regional Eleitoral, Paulo Henrique Brito, opinou pela cassação do prefeito, dizendo que as provas constantes do processo são suficientes para a perda do mandato.

Na mesma sessão a juiza Denise Bonfim, relatora do processo, manifestou-se pelo afastamento de Paulinho Almeida e, consequentemente, da vice-prefeita Francinéia Melo da Silva. A relatora explicou que as testemunhas foram enfáticas ao afirmar que foram procuradas por pessoas ligadas ao Prefeito de Plácido de Castro, com o objetivo de conseguir seus votos em troca de caixas d’água, dinheiro e até promessas de emprego. “Não resta dúvida de que há provas suficientes nos autos que confirmam a prática de crime eleitoral”, disse a magistrada. O julgamento foi suspenso em razão do pedido de vista do juiz Jair Facundes.

O Tribunal Regional Eleitoral do Acre, retomou o julgamento de Paulinho nesta sexta-feira, 29. Novamente o julgamento não foi concluído, tendo em vista que a desembargadora Eva Evangelista, foi quem pediu vistas no processo desta vez. Mas votaram pela cassação do petista as juízas Denise Bonfim e Maria da Penha. Os juizes Jair Facundes, Mauricio Haweinberg e Ivan Cordeiro, declararam voto favorável ao prefeito e decidiram pela inocência do prefeito.

A expectativa agora do presidente do TRE desembargador Arquilau de Castro é de que o processo seja finalmente concluído na sessão da próxima terça-feira, 02 de junho.

O prefeito de Plácido de Castro foi eleito com 4.361 votos (47%), enquanto o segundo colocado, Doutor Roney (PMN), obteve 4.289 votos (46,22%). Um diferença de apenas 72 votos a favor do candidato eleito.

"ME DIGA COM QUEM ANDA QUE TE DIREI QUEM É"

Na foto o "desastrado" Governador do Estado, Binho Marques (PT) ao lado do enrolado na justiça e Prefeito da cidade de Plácido de Castro, Paulinho Almeida (PT).

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quinta-feira, 28 de maio de 2009

CASSOL NO BANCO DE RESERVA


Justiça Federal determina afastamento de governador de Rondônia

MP acusa Ivo Cassol de usar policiais para obstruir investigações.
Assessoria nega que tenha havido ameaça a andamento de processo.


A Justiça Federal determinou o afastamento, por 90 dias, do governador de Rondônia, Ivo Cassol (sem partido) e quatro delegados da Polícia Civil do estado.

Na decisão, que atende a uma ação civil pública do Ministério Público Federal, o juiz federal substituto Flávio da Silva Andrade determina ao presidente da Assembleia um prazo de 48 horas para que o vice-governador, João Aparecido Cahula, assuma o cargo de governador.

ACESSE O
G1 PARA LER MAIS.

AOS MOLDES DA CENSURA NO REGIME MILITAR

Um aviso fixado no quadro de avisos do Comando Geral da Polícia Militar do Acre (PMAC) informa que, qualquer material publicado no local deve passar pelo visto do Comandante Geral, Cel Romário Célio, ou do Sub Comandante, Cel Jeremias Ramalho. O aviso foi assinado pelo Sub Comandante e reproduz uma determinação do Comandante Geral.

A determinação, foi motivada porque um oficial colocou uma nota de repúdio ao sistema de promoções de oficiais da PMAC no quadro de avisos. O referido policial alega que foi prejudicado pelo critério de promoção merecimento, em outras palavras, ele teria sido vítima de uma “cangalha”, termo usado na gíria policial quando uma pessoa deixa de ser promovida porque outro tomou o seu lugar através de apadrinhamento.

O documento, automaticamente, remete aos tempos tenebrosos da ditadura militar, quando o regime militar instalou a Divisão de Censura e Diversões Públicas da Policia Federal, responsável por censurar qualquer material que desagradasse o governo. Dessa forma, publicações que contivessem qualquer assunto contrário ao governo eram censuradas.

Na Policia Militar do Acre, ao que parece, instalou-se um sistema semelhante ao dos “anos de chumbo”, como ficou conhecido o período mais repressivo da ditadura militar. Pois, o Comandante e o Sub Comandante ficarão responsáveis por selecionar o que pode (ou não) ser exposto para os policiais no mural do quartel. Portanto, materiais considerados subversivos a hierarquia e a disciplina, de acordo com o crivo dos coronéis, serão impedidos de chegar ao conhecimento da tropa através do mural.

Veja mais no blog do Ricardo Bessa.

terça-feira, 26 de maio de 2009

COMANDO DA POLICIA MILITAR PROMOVE OFICIAIS

Oficiais promovidos ao posto de major da Polícia Militar

* Por Ricardo Bessa

A Polícia Militar do Acre (PMAC) promoveu 12 oficiais durante solenidade realizada, nessa segunda-feira, em frente ao quartel da PM. A solenidade é parte da comemoração dos 93 anos da corporação, e contou com a presença de várias autoridades, inclusive com a do governador em exercício, César Messias, e da Secretária de Segurança Pública, Márcia Regina.

O Comandante Geral da PM, Coronel Romário Célio, diz que as promoções realizadas contribuem para um melhor serviço prestado a sociedade por parte da corporação e afirmou lamentar o fato de não ter ocorrido outras promoções. “Isso engrandece a corporação, porque traz um policial mais motivado, que certamente vai prestar um melhor serviço a sociedade. E, lamentamos o fato de não haver outros policiais promovidos porque temos excelentes oficiais na Polícia Militar e outras pessoas poderiam ter sido promovidas, mas esses se destacaram”, disse o Comandante.
Os policiais promovidos ocupavam os postos de tenente e capitão, caracterizados como oficiais subalternos e intermediários, respectivamente. E, a partir da promoção, os tenentes adquirem a patente de capitão e os capitães passam a ser majores.

Dentre os promovidos estão o capitão Marcos Kimpara, primeiro colocado na ordem de antiguidade para promoção a major, além dos capitães Atahulpa Batista e Luciano Dias, mais modernos de acordo com o jargão policial. A antiguidade, ou ordem de precedência, se dá pela data de ingresso na corporação, ou a colocação nos cursos de formação.
Portanto, os policiais que ingressaram primeiro e os que foram primeiros colocados nos cursos de formação, das suas respectivas turmas, são mais antigos que os demais. Kimpara foi promovido atendendo o critério da antiguidade, por ter sido o primeiro colocado no curso de formação ao ingressar na PM. No entanto, os outros dois capitães foram promovidos segundo o critério do merecimento, e são mais modernos que a maioria dos demais.

Para Luciano Dias, as promoções representam o reconhecimento do trabalho e pressupõe uma maior responsabilidade para os promovidos. “Essa promoção representa o reconhecimento de um trabalho que estava sendo feito. E se confunde também com a responsabilidade que a gente vai ter a partir de agora”, disse o recém promovido major.

Processo de seleção - O critério merecimento é utilizado nas promoções a partir do posto de capitão, em que o Governador opta pelos oficiais a serem promovidos em uma lista enviada pela Comissão de Promoção de Oficiais da PM. Sendo assim, é obrigatório apenas um oficial atender o critério da antiguidade.O Major Paladino, um dos oficiais que está no topo da lista de antiguidade, publicou nota criticando a utilização desse critério para as promoções. Segundo ele, nesse processo o governador acaba escolhendo de acordo com a sua vontade o oficial a ser promovido.

“Este Oficial PM para esclarecimento ao público, além de ser o mais antigo é o 1º colocado também no critério de merecimento, com conceito sintético “EXCELENTE”, conceito esse, superior a do Oficial PM que está sendo promovido”, desabafa o major.

Romário Celio defende que, os critérios ultilizados para a promoção privilegiam os oficias que se destacam. "Os que foram promovidos se destacaram, não significa que os que não foram promovidos não tenham destaque ou não tenham mérito. No entanto, houve um processo de seleção", disse Célio, numa clara referência a indignação de alguns oficiais que não foram promovidos.

Segundo informações de colegas do major Paladino, ele já pegou “cangalha” por seis vezes. O termo "cangalha" é usado na gíria policial quando alguém mais moderno é promovido no lugar de outro mais antigo.A promoção dos oficiais superiores, que são os oficiais com postos a partir de major, só ocorrerá na sexta-feira. No entanto, a lista dos promovidos já foi anunciada pelo governo.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

DESABRIGADOS PELA CHEIA AINDA NÃO SACARAM FGTS


Presidente Lula precisa reconhecer que Rio Branco passou por uma situação de emergência para que o dinheiro seja liberado.

Famílias que foram atingidas pela cheia do Rio Acre neste ano, já voltaram para casa e agora tentam sobreviver à proliferação de doenças e a falta de condições financeiras para recomeçar a vida. No total 4.09 famílias tiveram suas casas inundadas pela água, recorreram aos abrigos públicos ou se hospedaram provisoriamente na residência de parentes; perderam bens pessoais e até a auto-estima.

O cenário nos abrigos era quase de um campo de guerra. As pessoas se amontoavam em barracos improvisados de lona, dividiam banheiros pequenos, água e até a comida, receberam os cuidados do poder público, mas a situação era incomoda.

O prefeito de Rio Branco Raimundo Angelim (PT), decretou situação de emergência e o estado homologou a lei. A medida foi tomada para pedir ajuda financeira e mais estrutura para as vitimas. Com o decreto, os moradores das áreas atingidas ganharam o direito de sacar recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), no valor de até R$ 2,600; dinheiro que ajudaria na reconstrução do lar. A prefeitura prometeu entregar kites de limpeza para as famílias, assim que retornassem para casa. Empresas privadas fizeram sua parte colaborando, parlamentares conseguiram destinar também recursos para os municípios atingidos.

Mas o cenário agora é outro na periferia por onde a água passou deixando os estragos. Quem tenta recomeçar procura saídas econômicas para voltar a sorrir. O prometido dinheiro do FGTS, ajudaria muito quem foi atingido pela cheia, mas o presidente Lula por meio do Ministério da Integração ainda não reconheceu o decreto lei de Angelim. Sem a sanção presidencial, a Caixa Econômica não tem autorização para liberar a verba.

De acordo com o coronel Gilvan Vasconcelos, coordenador da Defesa Civil, assim que Lula reconhecer a situação de emergência que a capital passou, a Caixa Econômica Federal receberá relatórios onde constam informações dos bairros, ruas e famílias atingidas que precisariam sacar os recursos do FGTS. A partir daí a CEF, fará os procedimentos necessários para que as famílias possam ter acesso ao dinheiro.

ALBERAN MORAES - NOVO HITS

BINHO PROMOVE UM MILITAR DENUNCIADO POR CORRUPÇÃO E OUTRO LOTADO EM SEU GABINETE

Um dos "homens de confiança" do governador também será promovido. Dezenas de militares que esperam há anos uma promoção foram colocados no “final da fila”, como forma de boicote.

O capitão Luciano Dias Fonseca, um dos oficiais que estaria envolvido no desvio milionário de R$ 1,2 na Policia Militar do Acre, segundo denúncia, será promovido pelo governador Binho Marques (PT), no fim de tarde desta segunda feira, 25, ao posto de major. Dias é o responsável pela Companhia de Trânsito da capital. Para ele a felicidade de ver o trabalho reconhecido se confunde com o senso de mais responsabilidade.

De acordo a denúncia formalizada na Corregedoria Militar e no Ministério Público Estadual, Luciano Dias fazia parte do grupo de militares que recebiam gratificações destinadas para agentes penitenciários no valor de R$ 600. O dinheiro era liberado junto com o pagamento mensal de cada servidor, mas os militares nunca desempenharam as funções pagas. Os recursos saiam dos cofres públicos com a "mãozinha" de militares que elaboravam a folha de pagamento da PM, também colaborou com o escândalo a Secretaria de Gestão Administrativa. 106 militares foram indiciados, podem perder a farda e ser expulsos da PM.

Luciano, aparece na lista elaborada pela própria PM que aponta 41 homens da corporação que participavam do esquema fraudulento em todo o estado e estavam sendo investigados. O período que eles receberam para fazer a guarnição de presídios, mas nunca cumpriram o plantão, corresponde de 2007 a 2009.

Militares negam o envolvimento no crime, para completar o comandante Romário Célio, disse que não existiam irregularidades, mas as investigações continuam em sigilo. Pesa também contra Luciano, segundo denúncias da advogada Joana D'arc (ativista em direitos humanos) à justiça, que ele teria entrado na PM pela "janela", sem fazer concurso público, de forma irregular.

Entre os três militares que serão promovidos durante cerimônia de formatura no comando aparece o capitão Atahualpa Batista que passará ao posto de major. Batista teria sido promovido pelo fato de ser um dos homens de "confiança do governador", lotado em seu gabinete. Batista tem boa reputação entre a tropa e trabalha no gabinete militar.

“Ganha o Acre, a Polícia Militar que está comemorando 93 anos de fundação. Os profissionais promovidos são dedicados e capacitados para em conjunto com a corporação possam garantir avanços significativos no Sistema”. Afirmou Márcia Regina, secretária de justiça e segurança pública estadual.

“Os policiais promovidos são exemplos a serem seguidos”, disse Binho Marques, assegurando a idoneidade de todos .

O comandante geral da PM, coronel Romário Célio, destacou as qualidades dos promovidos. “Temos excelentes nomes na corporação. Mas as qualidades desses três se destacaram”.

O que a equipe de governo não esclarece é por que apenas três militares estão sendo promovidos, enquanto dezenas deles aguardam há anos pelo mesmo beneficio assegurado em lei.

Os pm’s que estão na fila de espera dizem que a atitude do governo ao contemplar apenas 3 servidores é uma clara represália aqueles participaram de um protesto recente reivindicando melhores salários.

LEIA TAMBÉM:

COMANDO DA PM SILENCIA MAJOR QUE REPUDIOU PROMOÇÕES FEITAS POR BINHO NA CORPORAÇÃO

NO ACRE, UM LAR PARA AS VÍTIMAS DA PEDOFILIA

Na Casa Lar Ester, em Rio Branco, meninas abusadas sexualmente resgatam a esperança no futuro

Por Cecília França

Bruna* chegou a Casa Lar Ester, em Rio Branco, capital do Acre, com 13 anos, grávida em decorrência de um abuso sexual. Desesperada, pensou em tirar o bebê. Hoje, quatro anos depois, ela continua vivendo no abrigo, em companhia da filha, que é considerada a alegria da casa. Atualmente Bruna estuda e, segundo a coordenadora do lar, é uma mãe exemplar. Vítima da pedofilia, ela deu a volta por cima e reconstruiu sua vida após o trauma. Infelizmente, nem todas conseguem, mesmo no novo lar.

A Casa Lar Ester mostra-se aconchegante logo à primeira vista. A construção em formato de triângulo lembra uma casa de bonecas e a pintura clara, em tons pastéis, dá o ar de tranquilidade de que as moradoras tanto precisam. Nas portas dos quartos estão pendurados quadros com imagens de meninas angelicais, representando a inocência roubada das moradoras daqueles cômodos. Atualmente, a casa abriga nove meninas entre 7 e 18 anos, encaminhadas pelo Conselho Tutelar, Ministério Público ou Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) após sofrerem abuso sexual.

De acordo com Ana Márcia Lima da Silva, 25, coordenadora interina da casa, a rotatividade de moradoras é muito alta e eles já chegaram a abrigar 20 meninas ao mesmo tempo. Desde 2002, a Casa Lar atendeu cerca de 200 garotas. Ana Márcia conta que o projeto nasceu há sete anos, idealizado pela Jocum (Jovens com uma Missão), organização missionária evangélica, com o objetivo único de propiciar um futuro para as vítimas de abuso.

“Algumas moram com a gente há quatro anos, mas tem aquelas que ficam uma semana e saem, fogem. Cada uma tem uma reação dentro da casa”, revela a coordenadora. Ana Márcia conta que as meninas chegam no abrigo emocionalmente abaladas já que, além de terem sido vítimas de abuso, foram retiradas do convívio da família.

“Para amenizar isso a gente trabalha o lado espiritual e conta também com psicólogos e assistentes sociais. Elas chegam muito machucadas”, afirma. A rotina na casa é rígida, com atividades a partir das 6h30 e obrigatoriedade de frequência escolar e em cursos profissionalizantes. Cada uma é tratada e protegida como uma “estrela”, significado de Ester.

Futuro - Incentivar a esperança em dias melhores é um dos objetivos da Casa Lar Ester. Ana Márcia conta que os voluntários ensinam as meninas a sonhar e planejar o futuro. Ela destaca a história de uma garota que chegou ao abrigo com 13 anos e não sabia nem mesmo usar o vaso sanitário. “Ela morava com o pai em um barco, não sabia coisas básicas e sonhava em ir para a escola”. Hoje essa garota estuda e, segundo Ana Márcia, espera reencontrar o pai para cuidar dele na velhice.

As meninas abrigadas pela Casa Lar Ester não são obrigadas a deixar o abrigo assim que completam 18 anos, pois nem sempre as famílias estão prontas para recebê-las, econômica e emocionalmente. A coordenadora ressalta ainda que em 90% dos casos em que as meninas foram abusadas dentro da própria casa, as mães não se separam dos agressores.

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sexta-feira, 22 de maio de 2009

FAMÍLIA DE HILDEBRANDO FOI Á ÚLTIMA A SABER DAS COMPLICAÇÕES DE SAÚDE DELE NO PRESÍDIO


Advogada e ativista em Direitos Humanos Joana D’arc (foto) teme pelo “silêncio repentino” de Hildebrando no presídio

O advogado do ex-deputado Hildebrando Pascoal, Sanderson Moura, que participa nesta sexta-feira, 22, de audiências no interior do estado, alertou mais uma vez que seu cliente corre risco de morte na cadeia em virtude do tratamento que vem recebendo. No inicio da noite de quinta-feira, 21, Pascoal sofreu mais uma crise de hipertensão no presídio e teve que receber atendimento médico às pressas. Moura, adiantou que fará pedidos à justiça, para que o ex-deputado federal receba auxilio médico de maneira especial. O estado de saúde do ex-coronel da Policia Militar do Acre tem se agravado desde que sua prisão foi decretada, já somam quase 10 anos encarcerado e várias internações.

A ativista em Direitos Humanos e advogada Joana D’arc, que acompanha as diversas crises no sistema penitenciário do Acre, lamentou o ocorrido e disse que vai procurar Sandenson para lhe oferecer ajuda. Joana quer atuar em parceria com seu colega em defesa de Hildebrando.

Joana D’arc disse que Hildebrando vem sofrendo tratamento degradante e desumano no presídio, é submetido a uma alimentação de péssima qualidade e só recebe apoio médico nas crises de saúde. Segundo ela, existem laudos médicos que comprovam que Hildebrando além da hipertensão, sofre de síndrome do pânico – adquirido na prisão, e possui ainda diverticulite do cólon (doença rara, provocada por má-alimentação que destróe o intestino e provoca hemorragias).

A ativista disse que a situação se agrava, quando a família do preso é a última a saber das complicações de saúde: “fui eu que informei a esposa de Hildebrando, que ele teve uma crise de hipertensão, eles ficaram preocupado com a situação”disse Joana.

De acordo com advogada, já ocorreram mais de duas mortes dentro de presídios em Rio Branco até hoje, sem que o sistema de segurança pública esclareça os motivos. Joana, não descarta que haja uma trama para silenciar Pascoal, “eu gostaria de entender, o que estão pretendendo? Hildebrando, corre riscos físicos e mental, cada dia os problemas dele se agravam e ninguém faz nada. Eu vou averiguar pessoalmente o que vem acontecendo”, finalizou.

Hildebrando Pascoal ficou conhecido como o político e militar que comandava um grupo de extermínio no Acre na década de 90. Ainda não foi julgado por todos os crimes.

“PIRANGUEIROS” DENUNCIAM SUPOSTO ESQUEMA FRAUDULENTO

Durante manifestação, realizada na manhã dessa quinta-feira, em frente ao Ministério Público Estadual(MPE), os mototaxistas não-permissionários denunciaram a existência de um suposto esquema de vendas e aluguel de placas, por parte de alguns mototaxistas permissionários.

Segundo o representante da categoria, Celso Mendes, o fato estaria prejudicando-os, pois eles pleiteiam novas permissões para continuarem trabalhando, no entanto, elas estariam nas mãos de pessoas que não trabalham como mototaxistas.

Mendes contou como funciona o suposto esquema. Segundo ele, os mototaxistas assinam um documento no cartório acertando a venda, ou aluguel da placa, porém na prefeitura a permissão continua sendo do primeiro dono. “Um cunhado meu comprou uma placa. Ele, não tem curso de capacitação e está trabalhando”, relatou Mendes.
Um mototaxista não-permissionário, que preferiu o anonimato, disse que uma placa custa, em média, 5 mil reais. Segundo ele, a metade dos mototaxistas de Rio Branco estão com as placas alugadas. Sendo que, de acordo com ele, a maioria dessas pessoas não possuem cursos e algumas sequer têm a carteira de habilitação. “Eu conheço um mototaxista que tem quatro placas alugadas. Tem moto alugada até para presidiário, que está no semi-aberto”, disse ele.
Segundo Mendes, o sindicato dos mototaxistas sabe da existencia do esquema, porém é conivente, e não denúncia o fato à prefeitura. De acordo com ele, a denúncia será formalizada amanhã, no Ministério Público. “Amanhã, nós vamos trazer, por escrito, o número das placas que estão irregulares”, falou o mototaxista.
Os mototaxistas não-permissionários se reunirão com o Promotor Edmilson de Oliveira amanhã, as 10 horas.
Do blog do RICARDO BESSA.

CLÉLIO RABELO, DESABAFA

Pessoal, depois de quase cinco anos desempregado, dos quais metade deste tempo sem qualquer renda formal, não me restou outra saída. Faço este desabafo ciente de que dele resultarão críticas, ataques, calúnias e difamações, mas não temo tudo isso.

Espero que seja, antes de tudo, redentor. Fui militante do PT de 1988 até idos de 2003, quando excluíram-me do partido à minha revelia. Embora tenha ocupado cargo comissionado entre 1999/2001 (aproximadamente), fui ignorado e execrado em face disso posteriormente. Conto com os verdadeiros democratas para divulgar o artigo que se segue e que autorizo a reprodução, desde já.

(Primeiro, um breve histórico meu. A seguir, o desabafo)

CURRICULUM VITAE
Clélio Borges Rabelo (FOTO), (Registro Profissional nº 0137/MTb/Ac) é jornalista há cerca de 30 anos, com experiência profissional em diversos veículos de comunicação (jornal, rádio, TV e assessoria de imprensa). Começou na profissão atuando como estagiário na TV Globo Brasília, na década de 1970, de onde despontou para a mídia impressa e televisada regional e nacional.

Foi repórter, apresentador, redator, chefe de redação e editor-chefe da TV Gazeta de Rio Branco (Acre) entre os anos 1989 a 2001. Em períodos alternados, exerceu funções semelhantes nas afiliadas das redes: Globo (TV Acre – Rede Amazônica de Televisão), Bandeirantes (TV União), Record (TV-5) e TV Aldeia (emissora governamental acreana afiliada da TV Cultura de São Paulo). Matérias suas foram veiculadas em nível nacional na extinta Rede Manchete de Televisão, Rede Record, Rede Amazônica, e Canal Rural.

À frente da TV Gazeta, canal 11, de Rio Branco, compartilhou os Prêmios Líbero Badaró de Jornalismo (Televisão), concedido pela fundação de mesmo nome, e Prêmio CNT/Ministério dos Transportes, categoria documentário.

Na mídia impressa, foi correspondente da revista Veja e dos jornais Notícias

Populares e O Globo. Trabalhou como repórter e colunista político e cotidiano em: ORio Branco, (ex-integrante do condomínio Diários e Emissoras Associadas, de Assis Chateaubriand), e A Gazeta, onde exerceu também a função de editor temático (meio ambiente), e ainda: jornais Página 20 e A Tribuna, todos em Rio Branco, Acre.

Foi assessor de imprensa do SEBRAE Acre e dos sindicatos dos Bancários, Trabalhadores em Educação, Servidores Públicos Federais e da Polícia Civil.

Atuou como repórter e redator-chefe em diversas campanhas no horário eleitoral gratuito no rádio e TV para variados partidos políticos, sendo o mais recente a propaganda eleitoral de Tião Bocalom, candidato a prefeito de Rio Branco nas últimas eleições municipais pelo PSDB e que, por menos de 3% dos votos, não foi para o segundo turno (ele começou a campanha com 11% das intenções de voto, saltando para cerca de 26% ao final do pleito, sem participar de um único comício).

Por fim, trabalhou ainda como Coordenador de Divulgação do Governo do Estado do Acre durante o primeiro mandato do ex-governador Jorge Viana (PT), entre 1999 e 2002.

Ressalte-se que todas estas informações são verdadeiras e passíveis de comprovação documental, se necessário.

“Ir para o Acre”

*Por Clélio Rabelo

O Zé Leite dizia que ninguém vem para o Acre impunemente. O curioso é que a frase, sub-repticiamente, denota um sentido preconceituoso, como a admitir que trata-se de uma terra de forasteiros ou de gente de estirpe duvidosa. A assertiva partiu de alguém que hoje é reverenciado como ícone da acreanidade e do jornalismo Aquiri. Não é bem assim.

O direito sagrado de ir e vir é intrínseco a todos os seres. Dá ao homem a liberdade de escolher onde quer viver, trabalhar, constituir família. Exerci esses direitos desde que aportei aqui há 22 anos. O fiz de bom grado e liberto de qualquer amarra pregressa. Me deparei com uma terra e uma gente esplêndidas. Me apaixonei, constitui família e vivi grande parte de meus melhores e piores momentos pessoais e profissionais. Estes antagonismos independem do lugar em que se vive.

Tive o privilégio de vivenciar os grandes momentos do jornalismo acreano e as transformações sociais, políticas e econômicas das últimas duas décadas.

Me exauri em busca do melhor de minha profissão, graças ao que foi possível dadas as condições materiais e humanas oferecidas, e às limitações atinentes à minha atividade.

Pude conviver e/ou entrevistar pessoas de todas as classes sociais e que me fizeram compreender melhor a realidade da qual fui expectador, personagem e agente do processo histórico deste período.

Conheci as histórias, os dramas, mazelas, virtudes, qualidades e defeitos de mendigos, garis, bêbados, prostitutas, trabalhadores braçais ou não – todos assentados na base da pirâmide social.

Nos outros estágios desta mesma escala, fiz o mesmo com funcionários públicos ou privados e personalidades de renome local,estadual, regional e ainda nacionais e estrangeiras: Al Gore (ex-vice-presidente dos EUA), Luiz Inácio Lula da Silva (“O cara”), Fernando Henrique Cardoso, José Sarney, Paulo Maluf, Wanderley Cardoso, Amado Batista, Angélica e tantas outras.

Também me deparei com a maldade humana de um Hildebrando Pascoal (para ficar apenas nesse exemplo). No entanto, filei cigarro de Chico Mendes e conheci as agruras e o trabalho social de pessoas como Bacurau, D. Moacir Grechi, ou artístico de um Betho Rocha e tantos outros ícones da cultura acreana.

Aprendi o sentido das expressões Amazônida e Acreanidade. Revelei, de forma inédita na TV, que o verbete “morrer” significa, dentre outras definições, “ir para o Acre”.

– É esse o cerne da questão.

Ao vir para o Acre, o fiz em busca da vida em sua plenitude. Todavia, ela foi ceifada pela conduta déspota e ditatorial de uma corrente política que eu, desavisada e ingenuamente, contribuí para a assunção ao poder. Capitaneada pela arrogância, prepotência e pela implacável perseguição política e ideológica, essa mesma corrente, há mais de uma década, conduz e direciona os destinos políticos do Acre. – A qualquer custo, a ferro e fogo.

Os senhores Jorge Viana, Tião Viana, Aníbal Diniz, Francisco “Carioca” Nepomuceno, Edvaldo Magalhães e Sérgio Roberto de Souza – além de tantos outros asseclas, abdicaram de todos os ideais de liberdade e justiça social que juntos apregoávamos num passado nem tão distante. Sobreviver profissional e politicamente no Acre dos dias atuais pressupõe abrir mão de nossos valores mais intrínsecos. Significa “rezar na cartilha deles” ou dizer “amém” aos seus ditames.

Minha formação moral e ética não aceita essa submissão. Me rebelei e paguei e ainda pago um preço muito alto por isso. Não me restou outra saída. Me despeço do Acre com a alma, o coração e a família em frangalhos. Fui incompetente para administraressas incongruências e até mesmo os meus conflitos pessoais.

Agradeço profundamente aqueles que foram solidários comigo (poucos). Torço para que os déspotas e obscurantistas sejam efêmeros no Acre. A tão propalada “florestania” significa confinar o cidadão acreano mais carente à imensidão da mata, dissociado de sua integração econômica, política e cultural do restante do país e do mundo.

Isso, em troca de um endividamento externo do governo estadual (erário) de proporções imprevisíveis para o futuro, travestido de obras ornamentais que, se por um lado transformaram cenários dos principais bairros da capital (centro e adjacências primordialmente), em nenhum momento resolveu de forma substancial os verdadeiros problemas da população: o desemprego, a violência, a falta de perspectivas e a reversão substancial do cenário de miséria preponderante na maior parte de Rio Branco e das periferias do interior.

Estes são cenários onde imperam, além de enormes índices de criminalidade, a pobreza e a falta de infra-estrutura. Florestania é a suma de um lema capitaneado por ONGs e entidades estrangeiras difusoras de um discurso inócuo e impreciso, mas que esconde o interesse pela tão propalada internacionalização da Amazônia.

A aldeia global de que falou MacLuhan é outra coisa. Deturparam tudo em nome dos propósitos provincianos de alguns asseclas que não medem esforços para aniquilar aqueles que ousam a se contrapor a suas práticas escusas, funestas e coisas tais.

O Zé Leite também se referia àqueles que chegavam ao Acre “puxando a cachorrinha” para depois se locupletarem. Volto sem a minha, que morreu junto com meus sonhos e ideais. Melhor ter sido assim do que chafurdar da lama onde hoje atola a matilha cuja sanha é alimentada pela cobiça e pelo esquecimento do significado da palavra decência.

*Clélio é jornalista e pai de família
cleliorabelo@pop.com.br

quarta-feira, 20 de maio de 2009

MAURA DE OLIVEIRA, VITIMA DE MAUS TRATOS E PEDOFILIA

Quem observa a felicidade de Maura de Oliveira (FOTO), 40 anos, nem desconfia de seu passado soturno: ex-menina de rua, sem referência familiar, vítima de maus tratos e pedofilia.


Aos 6 anos de idade, foi retirada das ruas por um comerciante português, no Rio de Janeiro, para sua primeira casa. Mas o que seria o ambiente de amor, acolhimento e proteção contra os perigos do mundo, revelou-se hostil. Ao invés vez de contar com o amor de adultos responsáveis, Maura enfrentou o abuso sexual. No lugar do cuidado que a sua fragilidade física e emocional exigia, ela foi confrontada com surras e violência psicológica para ficar calada e continuar a ser violada.


Aos 10 anos, foi para o Rio Grande do Sul, com a filha e genro do pedófilo para ser, novamente, abusada. Desta vez, sofria as vilezas de um militar que a bolinava e a ameaçava até os 13 anos, quando a família foi transferida para Rio Branco (AC).


A vida de Maura seria apenas mais um dado nas estatísticas de violência e abuso sexual praticada contra crianças e adolescentes no Brasil, não fosse por um detalhe: a intervenção da Justiça. “Posso dizer que nasci de novo em Rio Branco, conquistei minha liberdade por meio da Justiça, que fez valer meus direitos quando nem existia o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente)”, declarou. “Não acredito em destino traçado, construímos nossa própria história, mas não sei se a minha vida teria o mesmo fim, se estivesse em outro Estado. Graças a Justiça do Acre, minha vida mudou completamente”, completou Maura.


Maura explicou que conheceu os seus direitos por meio do hábito da leitura. Procurou, então, sem que ninguém da família soubesse, a OAB do Acre, cujo Presidente era Adherbal Maximiano e a Vice-presidente, Élia Castelo da Silva, que a direcionaram à Segunda Vara Criminal, na época integrada com a Vara de Menores. A advogada Élia Castelo salientou que ficou sensibilizada quando ouviu a história de Maura e que procurou ajudá-la de todas as formas possíveis, principalmente conduzindo-a aos órgãos competentes.


O titular da Segunda Vara Criminal era o atual Desembargador Francisco das Chagas Praça, que, de acordo com o depoimento dela em seu livro Menina de ontem, demonstrou total atenção e sensibilidade a sua dor. O magistrado, em 9 de maio de 1985, por meio de decisão sumária, concedeu a guarda provisória de Maura a uma amiga, visando sua proteção (veja o resumo da decisão abaixo):


“... o Dr. Francisco da Chagas Praça... deferiu, sem dolo nem malícia, a Guarda Provisória da menor Maura de Oliveira à primeira qualificada Marisa Molina de Melo... do que, para constar, lavrei o presente termo...”


Maura definiu esse documento, em seu livro, como mais importante do que a certidão de nascimento ou o bilhete da sorte premiado.


De acordo com Francisco das Chagas Praça, é gratificante quando a Justiça cumpre o seu dever com presteza e responsabilidade. “Cumpri apenas com minha obrigação, apesar de que, na época, uma decisão dessa era uma exceção à regra, mas era o melhor a ser feito”, ressaltou. Para o Desembargador, o juiz deve sempre estar aberto às necessidades e problemas da população, não podendo se esquivar de sua principal missão: ser um servidor público.


Francisco Praça comentou, também, acerca da influência de sua decisão à mudança de vida de Maura de Oliveira. “Fico feliz em saber que essa moça superou todos os obstáculos e venceu na vida”, finalizou.


Maura de Oliveira se formou em História, fundou a ONG Life, no Rio de Janeiro, voltada para crianças, jovens e adultos que estejam de alguma forma excluídos socialmente (seja pelo desemprego, violência, abuso sexual, preconceito etc.). As principais áreas de atuação são: cidadania, saúde, educação e meio ambiente. Também escreveu os livros "Menina de ontem" e "1º emprego já".


“É uma noite muito especial, pois retorno ao lugar onde alcancei minha libertação, onde pude acreditar que a Justiça é para todos, pois lutou pela minha dignidade e me projetou para o futuro”


Na noite de ontem, 19, na Biblioteca Pública Municipal, Maura de Oliveira lançou sua obra em Rio Branco, por meio do Projeto Sempre um Papo. Durante o evento, Maura disse que seu retorno ao Acre representava um grande momento em sua vida. “É uma noite muito especial, pois retorno ao lugar onde alcancei minha libertação, onde pude acreditar que a Justiça é para todos, pois lutou pela minha dignidade e me projetou para o futuro”, ressaltou.


"A Justiça do Estado do Acre fez a mulher que eu sou hoje”


Maura agradeceu, principalmente, ao Desembargador Francisco das Chagas Praça, a Adherbal Maximiano (Ex-Presidente da OAB) e à advogada Élia Castelo da Silva. “Quero agradecer de forma especial a essas pessoas que fizeram parte da etapa mais importante da minha vida. A Justiça do Estado do Acre fez a mulher que eu sou hoje”, salientou.


AGÊNCIA TJ/AC

MAURA DE OLIVEIRA, VÍTIMA DE PEDOFILIA EMOCIONA DEPUTADOS COM DEPOIMENTO


Durante a sessão especial alusiva ao Dia Nacional de Combate à Violência e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, a ex-menina de rua Maura de Oliveira emocionou todos os presentes com seu depoimento.


Hoje, aos 40 anos, Escritora, Fundadora e Presidente da ONG Life, atua na coordenação de projetos sociais, ministra cursos profissionalizantes e promove eventos, autora do livro que mostra toda sua historia ‘Menina de Ontem', nem de longe se imagina que ela tem uma linda e comovente história de coragem e superação para contar. Com uma infância difícil, jogada de casa em casa, ela teve que lutar desde cedo contra maus tratos, medo e contra a pedofilia.


Mais do que ninguém sabe a dor de uma criança que teve sua inocência e seus sonhos roubados por seres aparentemente sem coração. "Tive a oportunidade de acompanhar dois pedófilos um de 50 anos e outro de 60, na época tinha apenas 6 anos. Falar das dores é muito difícil, falar uma vez já é difícil imagina repetir a história várias vezes, porque falando você automaticamente revive a cena novamente. "A criança vive aquela dor e consegue até imaginar o agressor, digo por experiência própria, e não digo que hoje não vejo mais, uma vez que são marcas que ficam para a vida toda", explica emocionada.


Para ela até mesmo os momentos mais difíceis como aqueles em que não tinha um teto, um alimento, um cobertor, condições básicas para que um ser humano possa viver dignamente, nada disso se compara aos dias de horrores de maus tratos e violência sexual que sofreu. Aos 16 anos no Estado do Acre teve a oportunidade de lutar na justiça por sua liberdade e saiu vitoriosa. "Descobri aos 8 anos que a maldade existia. Muitas famílias me viam nas ruas me levavam para casa, chegando lá eu era recebida com uma vassoura na mão, ainda era agredida quando a dona não gostava do serviço, me xingavam de todos os nomes possíveis, difíceis ate para uma criança assimilar.


Foram muitos os momentos de desespero que passei, quando tive a oportunidade de denunciar no Fórum daqui do Estado os agressores. Relatei só a parte da violência doméstica, não tive coragem de contar a parte da pedofilia, porque essa parte a criança prefere pular, dói falar, ela se sente culpada e, afinal de contas, quem iria se voltar na época contra um membro pedófilo do Exército e uma diretora da Fumbesa?", questionou. Ainda emocionada falou da satisfação de retornar ao Estado do Acre e também de retornar a Assembleia Legislativa onde trabalhou na década de 80 como redatora. "Aos 26 anos revisava textos para o Diário Oficial desta Casa e neste mesmo período prestei concurso para Secretaria de Educação. Passei e lecionei no Colégio Acreano. Hoje, sento no banco da praça e lembro das vezes que tive que dormir ali. Superei tudo isso com muito trabalho e tudo isso devo a vocês", agradeceu. Maura apresentou ainda uma boneca chamada Maurinha, que faz parte do trabalho que realiza com crianças vítimas da pedofilia.


Ela contou que fez alguns cursos necessários e que não usa técnicas até porque os resultados não são alcançados da noite para o dia. "Essa boneca faz parte do trabalho pedagógico que realizo com as crianças, faço também massagens, trato as crianças do mesmo jeito que gostaria de ter sido tratada na minha infância, com carinho, respeito e atenção", ressaltou. Dia histórico Para concluir, Maura disse que acredita no trabalho da CPI aprovada pela Aleac, uma vez que a mesma será importante para a sociedade. "Acredito nessa CPI, precisamos ser fortes para andar de cabeça erguida e com dignidade. Só através das autoridades, juntamente com a sociedade, poderemos combater esse crime, estou com vocês nesta luta. Hoje estar aqui, novamente neste Estado é um dia histórico para mim. Não sou daqui nem sei de onde vim,, então escolhi o Acre como meu Estado", concluiu.


Agência Aleac