domingo, 26 de abril de 2009

A JUSTIÇA SOCIAL DE LULA E BINHO


O presidente Lula, desembarca em Cruzeiro do Sul, a cidade acriana mais ocidental da Amazônia na próxima terça-feira (28) . E não terá a companhia da Ministra da Casa Civil Dilma Rousself, que iniciou tratamento de um câncer no sistema linfático - axila esquerda. O presidente de olho num terceiro mandato para o PT, não deixará de fazer campanha eleitoral para à preferida Dilma e também para os petistas do Acre.

Na companhia do governador do estado, Arnóbio Marques, Lula deve anunciar, entre outros, um investimento de R$ 121 milhões para construção de uma ponte sobre o rio Juruá. Já se comenta que será um uma das maiores pontes da Amazônia com 550 metros, quatro faixas de rolamento e dois passeios de 18 e 20 metros. De acordo com a Assessoria a imponente arquitetura, faz parte do complexo de construção da BR 364 e ainda terá dinheiro do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), contrapartida do Departamento de Infraestrutura Terrestre da União. Vai ser um bom momento para a coligação Frente Popular do Acre (FPA) tentar fazer as pazes com o eleitorado de Cruzeiro do Sul, onde ainda não obtiveram uma vitória nas urnas.

Mas o que poucos sabem e que mesmo antes de se concluir a BR 364 de uma ponta a outra do estado, já se pensa numa grandiosa ponte. Pior que isso, existem trechos da rodovia sem manutenção e que nunca receberam uma gota de piche. Os atoleiros, são uma realidade eminente na vida das familias que moram ao longo da rodovia. Pequenas pontes ao longo do trecho estão inacabadas. A mesma promessa da ponte sobre o rio Juruá, foi prometida pelo ex-governador Jorge Viana em seu segundo mandato ao desembarcar no Aeroporto Internacional de Cruzeiro do Sul, logo após a reeleição. Utopia semelhante é a conclusão da BR até 2010.

Mas, este mesmo governo (PT no Acre) já foi pego de calça curta diante de suas promessas e inverdades.

Só para refrescar a memória, o Ministério Público Federal do Acre (MPF), fez estourar mais um caso de corrupção referente a rodovia federal em questão. A denúncia apontava um roubo de R$ 22 milhões. O dinheiro desapareceu entre 1999-2006, mandato de Jorge Viana no estado. Além de Viana, dois de seus homens: Sérgio Yoshio Nakamura e Tácio de Brito, ex-diretores do Departamento de Estradas e Rodagens do Acre (Deracre) - foram denunciados à Justiça Federal. O MPF também denunciou Joselito José da Nóbrega, diretor de obras do Deracre e os empresários Carlos Eduardo Ávila de Souza (Construtora Ideal), José de Ribamar Nina Lamar (Cepel Construções Ltda), Antonio José de Oliveira e Mauro José de Oliveira (Contrutora Construmil). Ambos fizeram mágica para o asfalto reduzir de espessura, sumiram com contratos e autorizaram pagamentos indevidos. Irregularidades que o Tribunal de Contas da União, não castigou, mas que peritos da Policia Federal autenticaram.

Parecia que o MPF, estava somente limpando as prateleiras. Em seguida mais denúncia, dessa vez contra contra Orleir Messas Cameli (que subiu nos palanques de Jorge Binho e Cia) e Orleilson Gonçalves Cameli (Construtora Colorado Ltda) e o engenheiro civil Juan Carlos Tamwing Isihuchi, representante do município de Cruzeiro do Sul na fiscalização e coordenação de obras de pavimentação e drenagem em logradouros naquela cidade. De um convênio que teria liberado pouco mais de R$ 4 milhões, evaporou R$ 1,8 milhão. Não foi dificil para os procuradores desconfiarem da mamata, já que Construtora Colorado de propriedade justamente de um primo do ex-prefeito, no caso, o ex-governador do Acre Orleir Cameli, foi a única empresa que disputou a licitação.

A chuva de denúncias da justiça, fez o teto desabar justamente em cima da cúpula "moralista" da Frente Popular. Apenas relacionanto os fatos envolvendo corrupção, diz o dito popular:"que tem telhado de vidro não atire a primeira pedra". Com o petista Binho Marques foi assim. Uma semana depois que ele declarou: - hoje tem muita gente ganhando dinheiro no Acre, mas honestamente - disse. E ainda chutou o pau da barraca desafiando quem provasse algum esquema de corrupção em seu governo. Não deu outra, dias após, os jornais calaram a boca de Binho revelando que o Comando da Policia Militar deu um prejuizo de R$ 1,2 milhão nos cofres públicos pagando gratificações irregulares para PM's e praças.

Mas voltando a história da ponte no Juruá, Lula deve assinar o protocolo de liberação dos recursos da obra em um gabinete a portas fechadas, com ar-condicionado e cercado de seguranças e jornalistas. O ideal seria constatar o que estar no entorno do projeto que eles pretendem executar sobre o rio Juruá. O mar de pobreza é assustador. As margens do extenso rio Juruá por onde a ponte deve passar, se escondem milhares de barracos enfileirados, palafitas e muita miséria, desemprego, tráfico de drogas e de animais, criminalidade, prostituição, violência, falta de educação, saúde entre outros. Lógico, problemas sociais que não são únicos dos moradores dos bairros Miritizal e Lagoinha, onde famílias todos os anos no inverno ficam desabrigadas por conta da cheia do rio. A água do Juruá sempre leva tudo, dos imóveis té a dignidade das pessoas que habitam nesses bairros.

Bem mais na frente tem o bairro da Cobal. É uma bomba relógio que pode explodir a qualquer momento no centro da cidade. As familias vivem há anos cercadas por um aglomerado de enormes tanques reservatórios de combustiveis da Petrobrás. É neste estopim que as balsas atracam para descarregar de Manaus toneladas de diesel, gasolina, gás liquifeito de petróleo que abasteça todas as cidades vizinhas e parte do Amazonas. No mesmo ambiente crianças banham, soltam pipa, casais namoram e usuários de drogas se escondem.

Mas para eles a prioridade não é o povo. Toda essa realidade continuará escondida de baixo de uma ponte, que vai apenas embelezar os olhos de muita gente. Tapar o sol com a peneira, mascarar a miséria e os excluídos é prática comum dos politiqueiros. A prioridade são obras faraônicas. Aqui fica uma afirmativa: o que o povo ver, assegura voto.

Com estes contrastes sociais, a corrupção vai se perpetuando.

Foto: reprodução - Secom/Ac

Nenhum comentário:

Postar um comentário