sábado, 28 de março de 2009

LITÍGIO E SANGUE EM TERRAS QUE FORAM DE PLÁCIDO DE CASTRO


Fazendeiro coleciona montanha de provas e denuncia que terras históricas do Acre foram invadidas por sem-terra. Estado teria se omitido, facilitado as ocupações e a retirada ilegal de madeira.

Há oito anos o comerciante da Banca dos Plásticos no bairro da Base, Heleno Dias Monteiro (foto), 67, disputa na justiça a posse de suas terras de quase 6 mil hectares. A fazenda Luiz Gomes, margem do rio Rapirrã, em Plácido de Castro (68 km da capital) já na divisa do Acre com a Bolivia, fazia parte do antigo seringal Capatará, que pertenceu ao comandante e líder da Revolução Acriana, José Plácido de Castro, que ali ficou seis meses acampado na colocação Apuí, para chegar na cidade de Riberalta na Bolívia durante a Revolução.

Heleno Monteiro, conseguiu no Amazonas, Pará e Bolivia a confirmação de toda a cadeia dominial desde 1891, quando as terras foram desbravadas por Mileno Bevenuto de Santiago. Terras que Plácido de Castro não teria transferido para seu irmão Genesco de Oliveira Castro, que com sua esposa Ilka Jobim, da família de Nelson Jobim (Ministro do STJ), tornou-se herdeiro. Ao longo dos anos as propriedades passaram por várias mãos e foram divididas. Uma das partes foi comprada por Heleno Dias Monteiro, em julho de 1988 de Durval de Queiroz e sua esposa Ivone. As suspeitas de que Plácido de Castro seria um grileiro de terras, foram desfeitas em outubro de 2005, quando vieram a público jornais e documentos guardados em cartórios de Cobija na Bolivia. Apesar de haver registros de que o herói acriano tinha muitas propriedades.

O comerciante com autorização judicial diz que desmatou 20% de acordo com a lei, e o restante que deveria ser preservado foi invadido. A área de reserva legal tem nascentes de água que dão origem a três igarapés, entre eles o Rapirrã e Isidório. A terra em litígio produzia, 6 mil latas de castanha por ano. Mas nos últimos anos posseiros exploraram a floresta ilegalmente, cortaram cercas, invadiram o pasto, mataram e roubaram gado e cavalos apesar das várias ordens de despejo. A mesma propriedade já foi alvo de conflitos armados e derramamento de sangue envolvendo sem-terra. Até escolas foram incendiadas para incriminar o comerciante. Quatro casas de seu Heleno foram incendiadas; trabalhadores da fazenda foram seqüestrados e rendidos por 26 horas.

Os crimes permanecem até hoje silenciosamente e sem nenhuma providencia dos órgãos responsáveis. Recentemente o proprietário Heleno Dias, teve mais de 90 cabeças de gado roubadas, denunciou os envolvidos, procurou a policia e disse onde os ladrões estavam. A insistência foi tamanha para fazer as prisões que o delegado da cidade de Plácido de Castro teria afirmado que “não tinha carro na delegacia para fazer as diligências”. O proprietário que tinha no pasto 1.862 animais, perdeu cerca de 523 cabeças de gado e cavalos. Os sem-terra devastaram ilegalmente 4.200 hectares de floresta nativa. O prejuízo de seu Heleno é estimado em mais R$ 8 milhões.

TRÁFICO DE DROGAS E ARMAS EM TERRAS QUE CONTAM A HISTÓRIA DO ACRE – A contenda judicial para reintegração de posse fez o atual proprietário, Heleno Dias, entender o que se escondia por trás de tantos interesse nas terras.

Em 2004 o dono das terras denunciou que o seringal Capatará era rota de tráfico de drogas e armas, tendo em vista o fácil acesso a Bolívia e ao Brasil. O município de Santa Rosa, do lado boliviano, era o caminho mais curto para chegar a Plácido de Castro, no Brasil. O descanso dos traficantes era feito na Aduana, posto de fiscalização federal da Bolivia. Através do rio Abunã a viagem demora cerca de dois dias. Por meio de varadouros é possível sair da cidade boliviana, atravessar o igarapé Rapirrã e chegar ao asfalto da rodovia AC 40, gastando menos de duas horas. O acesso a rodovia era assegurado por entradas nos quilômetros 63, 52, 58 e 48 da AC 40, era o caminho livre para atuação de justiceiros. Armas e drogas foram encontradas pelas policias no local, existem registros inclusive de mortes e desova de corpos próximos da região. Guias na selva facilitavam o narcotráfico. Laudos do Instituto de Criminalistica do Acre de posse do fazendeiro, comprovam tudo.

Seu Heleno, chegou a revelar ainda que os “invasores das terras eram de luxo, era uma milícia armada”, conta ele. Todos recebiam dinheiro para ocupar e fazer os lotes. Andavam armados e mascarados nos pastos. O comerciante, também apresentou recibos e cheques comprovando que sindicalistas estavam vendendo ilegalmente as terras. Em 2007 prefeituras, secretários municipais e vereadores de Plácido de Castro foram flagrados no transporte e na retirada ilegal de madeira do seringal Capatará.

No início dos conflitos pelas terras, o Centro de Defesa dos Direitos Humanos do Acre, denunciou que entre os invasores estavam policiais militares, servidores públicos, comerciantes. Ativistas foram ameaçados de morte, depois que tornaram público à indústria de revenda de lotes rurais que inviabilizava inclusive a arrecadação de terras para a reforma agrária.

'GOVERNO INCENTIVAVA INVASÕES' – As principais invasões ocorreram no ramal 63 e 58 da rodovia AC 40. Calcula-se que atualmente menos de 200 pessoas estejam ainda dentro da área. A venda ilegal de terras continua até hoje. Segundo o INCRA, menos de 20 dos ocupantes tem realmente necessidade de ficar no local.

Em 2003, a justiça ordenou que os invasores abandonassem voluntariamente as terras da fazenda Luiz Gomes ou seriam expulsos pela policia. Em Plácido de Castro foi assinado um acordo na presença de 12 representantes do movimento para reintegração de posse e divisão do lotes, mas os sem-terra rejeitaram a proposta.

Cansado da disputa pelas terras, seu Heleno tentou se desfazer do problema e ofereceu as terras para desapropriação, para uso em reforma agrária: “O governo fechou os olhos para esse conflito. Eu quis vender a área para eles, mas recusaram pagar os R$ 12 milhões que pedi. O Ouvidor Agrário, Gercino Silva me ajudou nas negociações. Eu queria que a lei fosse respeitada”. Diz Monteiro.

Seu Heleno, suspeita que o governo esteja aceitando as invasões: “A maioria dos conflitos foram na época do mandato do governador Jorge Viana, foi inclusive o próprio governo que recomendou que os invasores ficassem no local. A senadora Marina Silva, que foi do Ministério do Meio Ambiente sabia que o povo estava derrubando a reserva. Eu tenho 40 reclamações no IBAMA e no IMAC de que estavam desmatando ilegalmente. Se eu tivesse cometido os crimes ambientais que esses ocupantes fizeram na minha propriedade, tenho certeza que eu já estaria preso”. Conta o comerciante.

No dia 11 de novembro de 2002, a então, Juiza de Direito Substituta da Comarca de Plácido de Castro – AC, Zenair Ferreira Bueno, recebeu Ofício do Comandando da Policia Militar do Acre, afirmando que: “Excelentíssimo Senhor Jorge Viana, Governador do Estado do Acre, havia ordenado a suspensão de missões de reintegração de posse pela PM nas terras em disputa”, assim, descreve o oficio assinado por José Balica Ribeiro – Tem.PM, representante da guarda em Plácido de Castro .

O comerciante que foi ameaçado de morte cinco vezes, guarda em local sigiloso uma verdadeira montanha de papéis, distribuídos em quatro caixas de 20 quilos. São documentos jurídicos, DVD`s e fitas em VHS com imagens, fotografias que contam a história das invasões e a novela da família para reaver a propriedade. Provas inclusive que descrevem a cadeia dominial da terra, de acordo com registros colhidos em cartórios internacionais.

O processo de reintegração de posse tramita no Superior Tribunal de Justiça e mesmo sub júdice a Eletroacre e o Prefeito de Plácido de Castro, Paulinho Almeida pretendem fazer benfeitorias no local. “O Banco do Brasil, financiou algumas invasões e eu denunciei no Tribunal de Contas da União (TCU)”, Acrescenta o comerciante.

“A terra é minha eu tenho provas disso tudo. Foram os sindicalistas que começaram essa briga. Eu acredito que vou ter meu patrimônio desocupado por essas pessoas. Aquela terra é importante e histórica para o estado também, não entendo por que não fazem nada”. Finalizou o comerciante.

'RAIO X' DA CAPITAL ABANDONADA


O escritor Jorge Silva do Nascimento do blog ACREUCHO, fez durante os últimos dias um verdadeiro raio X de Rio Branco, a capital de todos os acrianos.

Jorge Nascimento, registrou em fotografias a situação deprimente de quase todas as ruas de nossa capital.

São imagens que delatam a falta de investimentos públicos da Prefeitura e do Estado, e nos remetem a uma dúvida. Qual o real destino do nosso dinheiro, gerenciado pelo prefeito Raimundo Angelim (PT) e sua trupe, junto com a equipe do Governo?

As fotos mostram que nossa capital não precisa de investimentos é um planetário, construção de pontes, passarelas, viadutos. Os moradores desses lugares por onde o blogueiro passou querem no mínimo dignidade para morar. Para não haver dúvida com relação as imagens, o blogueiro ainda dá o endereço na internet de onde cada foto foi captada.

Os posts, 'O buraco nosso de cada dia', 'É de chorar', 'O melhor lugar para...' e 'Meu caro Astério Moreira...conta outra', mostram que de fato os buracos nas ruas da capital fazem parte da nossa rotina e ninguém parece mais se incomodar. Para ver as imagens, basta apenas clicar nos links acima.

De fato nossa cidade tem aspectos de que nunca será 'o melhor lugar para se morar até 2010' com propõe o governo que ultimamente anda no mundo da lua (Binho da Lua, ops, Tonho da Lua - personagem do ator Marcos Frota na novela Mulheres de Arreia da TV Globo), querendo construir um planetário. Maior viagem, isso!

sexta-feira, 27 de março de 2009

ESQUEMA DE CORRUPÇÃO NA PM DO ACRE TERIA DESVIADO MAIS DE 1 MILHÃO DOS COFRES DO ESTADO.

A Secretaria de Gestão Administrativa do Estado, guardava a sete chaves desde 2007, uma fraude milionária envolvendo uma verdadeira quadrilha formada por soldados, cabos, sargentos e oficiais do primeiro escalão do Comando da Policia Militar do Acre. Pelos menos 106 militares estão envolvidos no escândalo. Os policiais eram obrigados a fazer a guarda de presídios para que o Estado pagasse de forma indevida gratificações. O comando da PMAC, fez até uma relação onde constam os nomes dos envolvidos e suas funções na corporação.

Repórter 24 horas, teve acesso com exclusividade a publicações e documentos internos da PMAC que revelam como a fraude era realizada.

O esquema de desvio de dinheiro público ocorria dentro da PMAC, com militares que eram destacados para fazer a guarda dos presídios, o que é proibido por legislação especifica. Por lei, pm's só podem fazer a guarda da parte externa das unidades de recuperação social, o serviço interno seria atribuição de agentes penitenciários. Mesmo sabendo das irregularidades, o comando da PMAC, autorizava que os homens além do policiamento ostensivo fossem encarregados de fazer a segurança de detentos. O remanejamento dos policiais e o desvio de função foram criados pelo alto comando para que todos retirassem dinheiro dos cofres públicos por meio do recebimento de 'Gratificações de Atividade Penitenciária'. Há registros de que os policiais que recebiam as gratificações de até R$ 600,00, nunca pisaram nos presídios.

Fazia parte da máfia o terceiro sargento da PMAC – José George Marques da Silva, principal encarregado pelo Departamento de Folha de Pagamento da Policia Militar. Era o sargento que recebia ordens para efetuar os lançamentos das gratificações aos policiais. Em acordo com os comandantes, um policial militar fazia os contatos preliminarmente e passava para o Sgt Pm George Marques, nomes e matrículas dos outros policiais que seriam destacados para o presídio. Em seguida, Sgt. George Marques, lançava os valores supostamente devidos na Folha de Pagamento da PMAC, que eram remetidos à Secretaria de Gestão Administrativa autorizando definitivamente o dinheiro no salário do mês. Sargento George, destacava ainda para o mesmo crime o Cabo PM Zioney e o hoje Sargento Alcinei. Cada pagamento que era efetuado ilegalmente tinha a participação de pelo menos dois militares.

“Vale ressaltar que essa fraude financeira perdurou por mais de dois anos e aconteceu por falta de fiscalização, controle efetivo e conferência periódica da folha de pagamento. Não há dúvida que houve um excesso de confiança no Chefe do Departamento de Folha de Pagamento da Corporação (Sgt Pm George Marques)”. Descreve o Cel. PM José dos Reis Anastácio, no Boletim Geral número 041 de 09 de março de 2009, que delata de forma minuciosa os crimes e pede homologação de solução para o Inquérito Policial Militar (IPM) instaurado.

“É inadmissível e inaceitável se imaginar que o Sargento PM George, não tinha ciência e controle do pagamento das gratificações. Que parte dos indiciados não soubessem que estavam recebendo aqueles valores indevidos e principalmente que todos não pudessem imaginar que não faziam jus aquelas gratificações e, não lhes sendo devidas, deveriam comunicar a irregularidade a quem de direito, além é claro de devolvê-las aos cofres do Estado, o que não fizeram até o presente momento, a exceção do soldado PMAC, André de Magalhães Miranda, que devolveu em parte”. Assim escreveu o Cel. PM José dos Reis, em seu relatório.

Segundo o Cel PM José dos Reis, no pedido de homologação e solução do Inquérito Policial Militar, “o terceiro Sgt. PMAC José George Marques da Silva e seu grupo teriam desviados dos cofres do Estado valores superiores a R$ 1.190.000,00 (um milhão, cento e noventa mil reais), conforme planilhas apresentadas no inquérito”. Afirma o Coronel.

Os envolvidos teriam cometido transgressão disciplinar, infringido disposições regulamentadas em vigor na Corporação, dentre eles o Regulamento Disciplinar e Código de Ética dos Policiais Militares. Assim que a fraude foi detectada a Secretaria de Gestão Administrativa providenciou o bloqueio dos pagamentos.

No mesmo Boletim Informativo interno, o Comandante Geral da Policia Militar do Acre – Cel. PM Romário Célio Barbosa Gonçalves, teria recomendado no dia 18 de fevereiro de 2009, que as provas anexadas ao Inquérito Policial Militar (IPM) fossem encaminhadas ao Juiz Auditor Militar. Determinou ainda que os comandantes fizessem o indiciamento dos envolvidos e aplicasse sanções disciplinares. O Chefe da Seção da Folha de Pagamento da corporação teria sido obrigado a entregar senhas e não teria mais acesso aos pagamentos dos policiais.

Francisco S. Costa

quinta-feira, 26 de março de 2009

TJ AFASTA PREFEITO DE PORTO WALTER

Em sessão realizada na manhã desta quarta-feira, 25, o Pleno do Tribunal de Justiça, acolhendo representação do Ministério Público Estadual, decidiu afastar do cargo o Prefeito do Município de Porto Walter, Neuzari Correia Pinheiro.

A decisão considerou a instrução da ação penal a que ele responde como incurso nas sanções dos artigos 1º, incisos I (apropriar-se de bens ou verbas públicas, ou desviá-los em proveito próprio) e II (utilizar-se indevidamente, em proveito próprio ou alheio, de bens, rendas ou serviços públicos) do Decreto-Lei nº 201/67; art. 89 da lei nº 8.666/93 (dispensar ou inexigir licitação fora das hipóteses previstas em lei) e art. 288 do Código Penal (formação de quadrilha), na forma dos artigos 29 (concurso de agentes) e 69 (concurso material de crimes) do Código Penal.

Além do Prefeito, respondem à ação penal Jonas Daniel de Araújo, Valéria Messias de Oliveira e Gerisson Rodrigues de Lima, funcionários que integram a sua administração.

Segundo o Ministério Público, no período de 2006 a 2007, o Prefeito desviou dos cofres públicos a importância de R$ 282.261,20, utilizando-se da emissão de notas fiscais frias de prestação de serviços à Prefeitura. O MP alega, ainda, que o Prefeito emitiu passagens aéreas com verbas públicas, em proveito de seus familiares, demonstrando, assim, descaso com os princípios e normas que regem a administração pública.

O afastamento também teve respaldo no fato de que o atual prefeito de Porto Walter se encontra no comando da máquina administrativa municipal, o que poderia causar grande prejuízo à instrução processual, haja vista que está sob a guarda de documentos que serão utilizados em juízo, bem como por ser superior hierárquico de todos os servidores públicos, inclusive daqueles que foram arrolados na denúncia como testemunhas dos autos.

O relator do processo foi o Desembargador Arquilau Melo, que votou pelo afastamento do Prefeito, sendo acompanhado pela maioria dos membros do Tribunal, com exceção do Desembargador Feliciano Vasconcelos.

quarta-feira, 25 de março de 2009

TESTEMUNHAS DO CASO PIANKO PRESTAM DEPOIMENTO NA PF

O assessor especial dos Povos Indígenas do Acre, Francisco Pianko, denunciado ao Ministério Público Federal e investigado pela Policia Federal por abuso sexual contra índias menores de idade, estaria realizando manobras para tirar Antônio Apurinã da Administração Regional da Fundação Nacional do Índio (FUNAI/AC).

A informação foi confirmada por índios que com medo de retaliações preferem não se identificar. De acordo com os indígenas, Antônio Apurinã é casado com Letícia Yawanawá – uma das pessoas que denunciou Pianko ao MPF.

Como forma de vingança, Pianko teria ido a Brasília nos últimos dias acompanhado de Joaquim Yawanawá (irmão de Letícia) e Biraci Brasil, outro líder indígena. O grupo teria procurado o Presidente Nacional da Funai, Márcio Meira, para pedir a exoneração de Antônio Apurinã, o representante acriano com base em supostas denúncias.

De acordo com os índios que preferem manter o anonimato, lideranças indígenas estariam sendo pagos com recursos públicos para defender em jornais locais Pianko das acusações.

Segundo indígenas, Pianko tem um perfil poligâmico. Manteria uma esposa com filhos na aldeia Ashaninka e outra esposa na etnia Yawanawá, esta última é filha postiça de Biraci Brasil Yawanawá e sobrinha de Joaquim Yawanawá. Foi Joaquim que procurou a imprensa na semana passada para defender Pianko e negar os estupros na aldeia.

A Policia Federal, já tem novos indícios contra Pianko com base nos depoimentos de testemunhas apresentados nesta semana. Nesta quarta-feira o Secretário de Justiça e Direitos Humanos (SEJUDH), Henrique Corinto, deve comparecer a sede da PF com mais provas, em ‘defesa do representante dos povos indígenas do Acre’. As vítimas ainda não foram ouvidas pela PF, algumas lideranças da etnia Yawanawá estariam evitando a saída das menores da tribo.

terça-feira, 24 de março de 2009

‘FUI VÍTIMA DE UMA ARMAÇÃO DOS MEUS INIMIGOS’, DIZ EUDO LUSTOSA

Ativista dos direitos humanos, ex-militante do PT acusado de tráfico de drogas sai da cadeia, quebra o silêncio e conta que foi vitima de uma cilada dos inimigos armada por membros do Partido dos Trabalhadores.


Formado em filosofia, teologia, ex-professor e hoje cuidador de idosos no Lar dos Vicentinos, Eudo Lustosa Brasil (foto), 52, natural de Rio Branco – Acre, atuou durante 20 anos no estado em defesa dos direitos humanos e cidadania e nunca largou os ideais petista. Eudo coordenou o Centro de Defesa dos Direitos Humanos do Acre (CDDH). Foi um período que colecionou muitos inimigos, pois fez cerca de 500 denúncias à justiça por tráfico de drogas, pedofilia, maus tratos entre outros crimes envolvendo policiais civis, militares, políticos, membros do judiciário e até a família de Hildebrando Pascoal [acusado de comandar o esquadrão da morte]. Dos casos comprovados e apresentados a justiça por Eudo, menos de 100 foram resolvidos até hoje. Eudo Lustosa combatia a pedofilia com rigor: “Eu fui uma das primeiras pessoas a denunciar Antônio Manoel [condenado a 60 anos de prisão acusado de pedofilia] à Tapajós [Maria Tapajós, Juiza da Infância e da Juventude do Acre, morreu em 2008]”.


Em 1994, Eudo Lustosa recebeu uma denúncia na baixada da Sobral de que um médico famoso (atualmente acomodado em um órgão federal) teria feito ligadura de trompas em duas gêmeas a pedido de Hildebrando. “Eu denunciei na Policia Federal que o Hildebrando abusava sexualmente das duas meninas e ainda pagava a mãe para ficar em silêncio. Nessa época ele era coronel e comandante da PM. As meninas eu sei que a justiça mandou para Itália. Até hoje espero uma resposta da Federal”, revela Eudo. No mesmo período Lustosa apresentou ao Tribunal de Justiça acriano uma relação de pessoas influentes envolvidas com crimes de pedofilia. “Até hoje não recebi resposta; tinha gente importantíssima na minha lista”, diz Lustosa. Mas o ativista não agia sozinho: tinha a força silenciosa do juiz e hoje desembargador Gercino da Silva Filho, Ouvidor Agrário Nacional e de outros ativistas obrigados a fugir do estado para não serem executados, todos ameaçados por um grupo de extermínio formado por policiais. “A gente pagou muito caro por isso, muito caro, mas não me arrependo e eu acho que fiz justiça social”, diz Lustosa.


Em novembro de 2005, jornais de todo país noticiaram a prisão em flagrante do ativista dos direitos humanos do Acre no aeroporto internacional de Brasília. Na bagagem, segundo a denúncia, ele carregava cerca de 7 quilos de oxidado de cocaína que seriam desembarcados em Marabá (PA). A denúncia teria sido feito por anônimos a Policia Federal. A droga foi distribuída na bagagem em vários pacotes em duas malas. Pelo serviço de ‘mula’, Eudo teria recebido cerca de R$ 2 mil de acordo com informações da PF. Policiais suspeitaram do envolvimento de uma quadrilha, mas não investigaram o caso a fundo. Na época, Naluh Gouveia, hoje conselheira do Tribunal de Contas (TCE) era deputada estadual (PT) e foi uma das poucas que saiu em defesa do ativista. Na câmara de Rio Branco, Donald Fernandes que era vereador pelo (PPS) e Beth Pinheiro também do mesmo partido, disseram que o acusado poderia ser um dependente químico precisando de tratamento.


Eudo Lustosa foi condenado a 8 meses de prisão em regime fechado, mas usou os benefícios e recursos oferecidos pela justiça, ficou ainda 90 dias em cela especial na PF de Brasília. Cumpriu 2 anos e 5 meses em regime fechado no presídio Antônio Amaro e agora está no semi-aberto. Durante o dia trabalha na Secretaria de Saúde do Estado e as 7 h da noite deve está em casa, sob pena de perder o benefício. A pena encerra em outubro de 2010. “Eu acho que foi uma armação muito bem feita do pessoal do esquadrão da morte, dos meus inimigos, pra me incriminar.”


Lustosa desconfia também que a prisão tenha sido uma armação do Partido dos Trabalhadores por meio de um dos filiados que lhe era bem próximo: “O Rudney, meu compadre do PT, me ligou perguntando seu eu podia levar seis quilos de farinha pra irmã dele em Bélem (PA). Eu fui na Sobral e ele colocou tudo na minha bagagem. Mas o que mais me impressionou em Brasília quando eu fui preso é que a Policia Federal nunca me mostrou essa droga que estava nas minhas malas, nem minhas impressões digitais encontraram na droga. O Rudney está foragido até hoje, eles [ PT e esquadrão da morte] pagaram muito bem esse rapaz; ele não precisava disso”, diz Lustosa.


Na mesma semana em que foi preso, a cúpula do Partido dos Trabalhadores municipal tratou rapidinho de expulsar o militante é um dos fundadores da sigla no Acre. Assis Perreira, presidente do diretório, alegou que o partido não poderia ter em seus quadros pessoas que tivessem cometido delito previsto no Código Penal. O ex-petista nega que atuava como traficante para algum político ou quadrilha, como chegou a ser especulado. Afirma ainda que fez exames a pedido da justiça, onde foi negativo o uso e a dependência de entorpecentes.


Hoje o ex-aliado faz críticas a administração petista. “Eu acho que o PT, falta acertar com a saúde. Estado e município demoraram nas ações de combate a dengue, por exemplo. Hoje tem 9 médicos com dengue internados no Hospital Santa Juliana. A Frente Popular precisa acertar no social, investir na pobreza, na periferia, nos jovens que caem no mundo das drogas. A segurança tá muito debilitada; lá em Plácido de Castro a delegacia não tem um carro para fazer investigações. Eu acho que tem muita coisa pra mudar ainda”, diz.


Livro bomba - Pai de três filhos, casado, Eudo Lustosa conta que prepara uma obra literária onde pretende fazer revelações bombásticas, inclusive sobre a sua infância e a família. Vai escrever ainda as pressões e ameaças que sofreu e o drama de ter ficado preso injustamente.


“Eu acho que o título vai ser ‘Sem Medo de Ser Feliz’ ou algo assim, ou uma bomba mesmo. Uma bomba, todo mundo vai comprar pra ver o que é”, revela o aspirante a escritor.


Vai relatar também nos textos sua experiência dos 8 aos 15 anos ao lado do bispo Dom Giocondo Maria Grotti, por quem foi criado e tem profundo carinho.

Francisco S. Costa