segunda-feira, 30 de junho de 2008

Washington Aquino: "O pessoal de Binho quer me ver pelas costas"

Conforme foi anunciado, o governador Binho Marques demitiu,“ a pedido”, não se sabe de quem, a jornalista Juliana Lofêgo do cargo de gerente de comunicação da Secretaria de Saúde.

O último abacaxi que Juliana teve que descascar foi a história dos servidores do Departamento de Endemias no Vale do Juruá que estavam sendo usados pelo governo como cobaias humanas nas pesquisas da malária. Juliana logicamente fez de tudo para negar e provar o contrário do que este blog denunciou. Mas ela não teve tanto sucesso, o caso ainda corre na justiça.

Com Juliana também pegou cartão vermelho a competente jornalista Nayara Lessa, que ameaça impetrar uma ação na justiça contra o blogueiro Altino Machado por injúria e difamação. Segundo Nayra, Altino teria publicado na sua página pessoal na internet, algumas "inverdades" contra ela.

A jovem começou a trabalhar nesta segunda feira na assessoria de imprensa da Federação do Comércio.Outros servidores estão na berlinda para serem demitidos na Sessacre.

Não conheço pessoalmente a jornalista Juliana, escreveu o deputado estadual Luiz Calixto em seu blog.

O único imbróglio que nos envolveu foi sua bisonha defesa do uso de uma moto adaptada para transportes de doentes no município do Jordão, que denunciei na Assembléia, disse Calixto.

A tarefa de desempenhar a função de porta-voz da Secretaria de Saúde é espinhosa e inglória, pois o cargo exige muita competência para dar respostas às enormes falhas do sistema público de saúde, ressaltou o deputado.

O governador Binho Marques, ainda que tenha a cara mais singela do que a do Jorge Viana, é mais ágil na caneta para demitir sumariamente seus assessores, comentou Calixto.

Há rumores que o cargo venha a ser preenchido pelo jornalista Washington Aquino, finalizou o parlamentar em seu blog.

Seria meio difícil mas não impossível, Aquino, aceitar uma proposta dessas.

Por telefone Washigton Aquino deu uma gargalhada ao saber que estava sendo possivelmente cotado para algum cargo no governo e disse a editoria deste blog, que "a turma de Binho quer lhe ver pelas costas."

Aquino alfinetou e comentou que se tivesse que ser indicado para algum cargo do governo ele seria a última pessoa da população brasileira a ser chamada para assumir uma função dessas. Ele finalizou dizendo que ainda não foi convidado para nenhuma cargo oficialmente.

Washigton continua a frente do jornalismo matinal da Tv5, retransmissora da Band e toca projetos individuais, depois que foi demitido da Rádio Difusora Acreana, estatal, por tornar público erros de gestores do governo.


* Com informações do Blog do Deputado Estadual Luiz Calixto.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

O homem das mil crônicas


Entrevistei a poucos dias o mestre em comunicação social, professor Francisco Dandão.

A gravação foi exibida na rádio laboratório Iesacre.

Dandão falou sobre a importância da leitura para uma boa escrita e de algo mais.

Vale a pena ouvir.


Acompanhe a entrevista na íntegra no Blog do Venícios. (clique aqui)

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Acre usa deputados para tentar cooptar cobaias

A serviço do governo, deputados buscam acordo com agentes, prometendo reintegrá-los em folha. Eles recusam.

Dois dias depois de a deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC) manobrar na Comissão da Amazônia para evitar a ida de uma comissão de parlamentares ao Acre, a fim de investigar o uso de cobaias humanas na captura do mosquito transmissor da malária, o Governo do Acre apelou aos préstimos de outros dois deputados – Henrique Afonso (PT) e o estadual Taumaturgo Lima (PT) – para tentar abafar a repercussão do caso.

Afonso
Desde sábado, Afonso e Lima se reuniram em Cruzeiro do Sul com o presidente da Associação dos Servidores em Endemias do Juruá, Carlos Sérgio de Moura, a quem tentaram convencer a convidar para formalizar um acordo todos os agentes de entomologia colocados fora da folha mensal de pagamento.


Um dos primeiros a denunciar a situação, o agente Marcílio Ferreira da Silva foi chamado esta semana à Gerência de Vigilância Ambiental do Juruá, para assinar o ponto retroativo aos meses anteriores à denúncia. Os demais agentes teriam semelhante benefício caso concordassem com a retirada das denúncias feitas à Defensoria Pública e ao Ministério Público Federal.

Taumaturgo
Segundo os agentes, os deputados falam em nome do governo acreano e da Secretaria de Saúde e se mostram preocupados com a propagação da notícia. Na terça-feira, Afonso e Lima tentaram uma nova reunião. “Os 22 agentes que estão sendo por nós defendidos não aceitaram a proposta”, comentou a advogada Cecília Lanza. “Mesmo sob pressões, os agentes se mantêm irredutíveis na causa e exigem a apuração rigorosa do MP Federal”, acrescentou.

Abraspec recorre
O procurador da República no Acre, Anselmo Henrique Lopes, recebeu e está analisando farta documentação envolvendo o uso de cobaias nas pesquisas de malária na região. Lopes foi designado pela Procuradoria para cuidar das investigações. A Associação Brasileira de Proteção aos Sujeitos da Pesquisa Clínica (Abraspec) recorreu nesta terça-feira da decisão do juiz da 3ª Vara Federal do Acre, Jair Araújo Facundes, que extinguiu a ação civil pública contra o governo acreano e a União, alegando falta de provas.

O presidente da Abraspec, advogado Jardson Bezerra apresentou embargo de declaração contra a sentença. O recurso pede que o juiz exponha claramente os pontos omissos, contraditórios e obscuros da sentença.

A partir da resposta do juiz, a sentença será novamente publicada e, dependendo do seu teor, a entidade entrará com apelação no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília. “Quem supõe que o caso encerrou, engana-se. Se necessário, vamos até o Supremo Tribunal Federal, porque, reiteramos, trata-se uma grave violação de direitos humanos”, prometeu.

Chico Araújo - Agência Amazônia

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Porongas, frio, politica e etc...

Sem cantar “vovó Alice” e “Zumbí e Chico” a banda acreana Los Porongas fizeram um ótimo show, ontem à tarde, por volta das 17 horas (horário do Tião Viana) no calçadão do novo mercado velho. Nem mesmo o frio, que tomava de conta da cidade, foi capaz de desanimar a banda que ser orgulha de ser acreana.
“O show foi quente, apesar do frio!”. Palavras de um fã que ao final do show gritou em alto e bom som para todos ouvirem.

Além da rapaziada do Los Porongas, a festa contou também com a banda
Filomedusa e Marupiara Jabuti-Bumbá.

De acordo com o Comando Geral da Policia Militar, mais de 5 mil pessoas estiveram presentes no “Show da Hora”. Evento este, que marcou o inicio de uma maior integração do Acre com o restante do Brasil a partir do momento em que a lei, de autoria do Senador Tião Viana, entrou em vigor obrigando os acreanos a adiantarem os relógios em uma hora.

A expectativa do governo do estado é que em três semanas a maioria da população já tenha incorporado o novo horário à sua rotina. Nesta terça-feira, primeiro dia de vigência da nova hora, o movimento nas repartições públicas e no comércio foi normal, registrando apenas alguns atrasos.

Em pronunciamento público, Binho Marques disse que o novo horário integra o Estado ao processo de desenvolvimento do País. "Esse ajuste é extremamente necessário. O Acre não é mais uma ilha, um lugar exótico. Estamos integrados a um novo Brasil. Isso é uma realidade", afirmou o governador.

A festa do governo no calçadão do novo mercado velho, serviu para enfatizar o primeiro dia de vigência da nova lei e também uma forma de fazer campanha antecipada com direito a fogos e tudo mais em prol do candidato da Frente Popular, o atual Prefeito de Rio Branco Raimundo Angelim.

Será que foi apenas eu que percebi isso?

Deixando de lado a parte pôdre (politica), veja abaixo as fotos da banda Los Porongas fazendo a poesia virar música. Clique nas imagens para ampliá-las.

*Do
Blog do Venicios.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Carta do leitor: inoperância bancária

A denuncia é referente, o que há muito tempo, infelizmente, já se tornou rotina em Rio Branco, falamos do atendimento dispensado aos clientes do Banco do Brasil, principalmente os da agência Aquiry, localizada no prédio do antigo Banacre.

Para se ter uma idéia, dia desses, por volta do meio dia, uma autoridade do Poder Judiciário tentou falar com um funcionário, infelizmente acabou voltando para a repartição sem ter a demanda atendida.

Geralmente a situação é crítica principalmente no horário de pico, de onze a treze horas da tarde, nesse período, outros problemas relacionados, dentre eles as enormes filas, dos caixas eletrônicos em constantes panes, são vistos.

Por outro lado, não se sabe porque, os extratos para quem tem cheque especial estão saindo com duas cobranças, isto é, além do valor do pacote abusivo, o banco cobra por taxas indevidas que já estão incluídas no contrato de serviço, por mês são mais de vinte e cinco reais que o cliente tem que pagar, fora os juros se cair no vermelho.

Se isso já não bastasse, os gerentes da referida agência resolveram "tratar mal" os clientes que procuram reclamar, seja quem for, não interessa se o cidadão tenha ou não cheque ouro, lembra do caso acima de um magistrado?

Pelo jeito, teremos que recorrer ao órgão de defesa do consumidor ou mesmo a JUSTIÇA para revermos o dinheiro "meu", "seu", "nosso" subtraído diretamente da fonte (conta), sem à devida explicação por parte do Banco oficial, aliás, é bom que se diga, os estabelecimentos financeiros, incluindo o BB são campeões de denúncias no Procon de todo o Brasil.

Recentemente em São Paulo, foram distribuidas pelo Ministério Público seis ações civis contra dez bancos, que de maneira indevida, cobram taxas por cada folha de cheque compensada, situações relatadas aqui ferem frontalmente o Código de Defesa do Consumidor e normas do Banco Central.

Cadê o novo Superintendente do Banco do Brasil no estado que não toma uma atitude para acabar com essa "baderna" nas agências oficiais? Que saudades do nosso estimado e extinto Banco do estado do Acre-BANACRE que não discriminava ninguém, rico ou pobre todos mereciam o mesmo valor e tratamento!

O leitor do blog preferiu não se identificar.

* Meu comentário:
Fica a dica para as autoridades competentes investigarem e cobrarem melhor atendimento ao público.

A farsa dos índios isolados da Amazônia

Uma ‘tribo perdida’ da Amazônia foi destaque nos jornais mundo há semanas atrás. O indigenista José Carlos dos Reis Meirelles Júnior, de 61, autor da ‘descoberta’, fez crer tratar-se de uma ‘descoberta inédita’. E foram muitos a destacar o feito. A farsa foi desmontada pelo jornal inglês The Guardian. De acordo com a publicação, a tribo ‘perdida’ seria conhecida desde 1910. Ou seja, a ‘descoberta’ já havia sido constatada quase um século atrás.

Descobriu-se que tudo não passava de uma jogada de marketing. Os envolvidos na ‘descoberta’ queriam chamar a atenção para os perigos da indústria madeireira. Meirelles e Funai, para a qual trabalha, reconheceram que a publicação das imagens foi feita de modo a que parecessem, de fato, uma tribo perdida. “Sobrevoamos a região para mostrar as suas casas, para mostrar que eles estão lá, para mostrar que eles existem”, afirmou Meirelles Júnior. “Isto é muito importante porque existe quem duvide da sua existência”.

Na mesma semana em que a ‘tribo perdida’ chegou aos jornais, um grupo de agentes de endemias de Cruzeiro do Sul, no Acre, denunciou ter servido de iscas humanas em estudo da malária. Quatro dos agentes confirmaram a denúncia em depoimento ao defensor Jonathan Xavier. Um deles, Marcílio Ferreira da Silva, contou ficar entre 6 e 12 horas exposto a picadas do Anopheles — mosquito transmissor da malária. Ele conta que recebia em média 300 picadas por dia. O governo do Acre negou, mas um relatório da própria Secretaria de Saúde comprova a prática. O estardalhaço em torno da 'tribo perdida' tinha o claro objetivo de diminuir o impacto do caso das cobaias humanas do Juruá.


Série na Discovery
Antes da ‘descoberta’ correr tinta mundo afora, a ‘tribo perdida’ já era conhecida de alguns privilegiados estrangeiros. Três meses antes, uma equipe de TV inglesa entrou floresta adentro, na Amazônia peruana, fez contato com uma tribo indígena e propôs uma espécie de reality show — filmariam em detalhes a vida diária da tribo, durante um bom período, para produzir uma série.

A série já tinha até título: World's Lost Tribes (Tribos Perdidas do Mundo), e seria exibida pelo canal Discovery Channel. A idéia não deu certo. E, para complicar, durante o contato, um vírus dos brancos atingiu os índios. Quatro delas morreram. A escritora Jay Griffiths ficou indignada com a divulgação das fotos.
Em artigo escrito para o jornal inglês The Guardian, ela se diz indignada com as recentes imagens da tribo descoberta no interior do Acre - em que índios assustados apontam suas flechas para um pequeno avião que sobrevoa a tribo. No texto, ela condena a mania dos brancos de “tirar do isolamento” tribos que chamam de “perdidas” no fundo das florestas.

Estudiosa do assunto, autora de um livro sobre índios, a escritora interpreta a foto: “A mensagem não podia ser mais clara: deixem-nos sozinhos”. Mas este é um aviso inútil, prossegue. A trás dessa imagem virão as ONGs que se atribuem o papel de defender as tribos e imaginam que têm muito a lhes ensinar.
“Depois, o mercado editorial promove o aventureiro. As igrejas fundam missões. As corporações enviam mineradores e destruidores da floresta. E as companhias de TV enviam suas equipes. Em um mundo honesto, todos deveriam ser acusados de tentativa de assassinato”, diz ela.

Racismo
Para Jay, esse processo de invasão mostra “que existe ainda um profundo racismo contra os povos indígenas”. Ela deu outro exemplo: “Na Amazônia peruana encontrei um missionário evangélico que estava em busca de tribos não contactadas, dizendo que estava amaciando o caminho para funcionários de empresas petrolíferas”, recorda.

“As ligações entre missionários e outras indústrias extrativistas são bem documentadas”, ironizou. Avisou que não é contra "antropólogos e ativistas, e mesmo jornalistas, que sabem tratar o assunto com respeito".

A Cicada Films, que mandou a equipe de TV ao Peru, negou enfaticamente que sua equipe tenha invadido áreas proibidas. Alega que seus funcionários já encontraram, no local, índios doentes. Representantes dos índios, no entanto, sustentam que, autorizados a visitarem uma tribo conhecida, os funcionários da Cicada a acharam muito aculturada e foram, sem autorização, mais para o fundo da floresta.

Jornal inglês questiona reportagem sobre ‘tribo invisível’ na Amazônia

STUART GRUDGINGS

RIO DE JANEIRO (Reuters) — Uma organização que defende os direitos dos povos indígenas negou nesta terça-feira que, junto com o governo brasileiro, tenha enganado a mídia no mês passado sobre fotos de uma tribo isolada da Amazônia.

O jornal britânico Observer informou no domingo que a tribo não seria “não descoberta”, mas sim conhecida do governo brasileiro há quase cem anos, e que as fotos foram uma tentativa de divulgar o risco que os índios enfrentam por causa da ação dos madeireiros.

A reportagem levou alguns órgãos de imprensa a qualificar as fotos de fraude.
Mas a organização que ajudou a divulgar as fotos no dia 29 de maio, a Survival International, cuja sede fica em Londres, afirmou que não havia descrito a tribo como “perdida” e havia dito na época que o objetivo era mostrar ao mundo sua existência.

“Esses índios estão em uma reserva expressamente estabelecida para a proteção das tribos não-contactadas. Dificilmente eles eram ‘desconhecidos’”, assinalou em um comunicado o diretor da Survival International, Stephen Corry.

“O que é verdade, e continua sendo, é que até onde se sabe até agora, estes índios não tiveram nenhum contato pacífico com pessoas de fora.”

As fotos dos índios pintados com pigmentos e ameaçando com arcos e flechas o avião onde estava o fotógrafo foram divulgadas pela mídia do mundo todo. Muitos órgãos de imprensa informaram que se tratava de uma tribo “perdida” e uma descoberta completamente nova.

O funcionário da Funai José Carlos Meirelles, que tirou as fotos, disse à época: “Nós fizemos o sobrevôo para mostrar as casas, para mostrar que eles estão lá”, segundo a Survival International.

Em uma entrevista à TV árabe Al Jazeera, que o Observer usou como fonte para sua reportagem, Meirelles deixou claro que encontrar a tribo não foi tarefa fácil. Usando coordenadas de satélite, ele disse ter sobrevoado uma ampla área da floresta por três dias e somente ter localizado a tribo no terceiro dia, quando faltavam poucas horas para terminar o vôo.

O Observer não fez comentários de imediato sobre sua reportagem.

O diretor da Survival disse que a decisão de fotografar os índios se justificou porque aumentou a pressão sobre o governo peruano para que houvesse ações contra o corte de madeiras perto da fronteira com o Brasil. Os defensores das tribos dizem que os madeireiros são a principal ameaça aos povos indígenas da região.

“A publicação das fotos levou o governo peruano a investigar o fato, o que foi um grande passo, uma vez que apenas alguns meses atrás o presidente do Peru questionou publicamente a existência de índios não-contactados”, disse ele.


Chico Araújo - Agência Amazônia.

Grupo nega ter enganado mídia sobre tribo da Amazônia

Uma organização que defende os direitos dos povos indígenas negou nesta terça-feira que, junto com o governo brasileiro, tenha enganado a mídia no mês passado sobre fotos de uma tribo isolada da Amazônia.

O jornal britânico Observer informou no domingo que a tribo não seria "não descoberta", mas sim conhecida do governo brasileiro há quase cem anos, e que as fotos foram uma tentativa de divulgar o risco que os índios enfrentam por causa da ação dos madeireiros.

A reportagem levou alguns órgãos de imprensa a qualificar as fotos de fraude.
Mas a organização que ajudou a divulgar as fotos no dia 29 de maio, a Survival International, cuja sede fica em Londres, afirmou que não havia descrito a tribo como "perdida" e havia dito na época que o objetivo era mostrar ao mundo sua existência.

"Esses índios estão em uma reserva expressamente estabelecida para a proteção das tribos não-contactadas. Dificilmente eles eram 'desconhecidos"', assinalou em um comunicado o diretor da Survival International, Stephen Corry.

"O que é verdade, e continua sendo, é que até onde se sabe até agora, estes índios não tiveram nenhum contato pacífico com pessoas de fora."

As fotos dos índios pintados com pigmentos e ameaçando com arcos e flechas o avião onde estava o fotógrafo foram divulgadas pela mídia do mundo todo. Muitos órgãos de imprensa informaram que se tratava de uma tribo "perdida" e uma descoberta completamente nova.

O funcionário da Funai José Carlos Meirelles, que tirou as fotos, disse à época: "Nós fizemos o sobrevôo para mostrar as casas, para mostrar que eles estão lá", segundo a Survival International.

Reuters

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Contaminação por DDT mata silenciosamente no Acre

Lista com os nomes de 114 prováveis vítimas, acompanhada de dossiê, incluindo material áudio-visual, será encaminhada ao Ministério da Saúde e à presidência da Funasa pelo vice-presidente da Comissão da Amazônia, deputado federal Sérgio Petecão (PMN/AC).

A contaminação por Dicloro-Difenil-Tricloroetano (DDT) pode está relacionada à morte de 114 funcionários da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) no Acre, entre os anos de 1994 até hoje. O último óbito foi registrado há 12 dias em Rio Branco.

O guarda de endemias aposentado Augustinho Castro e Silva sofreu uma parada cardíaca, resultado do alto grau de envenenamento no organismo. Segundo os amigos, foram meses de dor e solidão, sem qualquer acompanhamento por parte da direção do órgão ao qual ele dedicou a maior parte da sua vida.

Outros 300 funcionários, ainda em atividade, apesar dos evidentes problemas de saúde relacionados ao contato com o inseticida, lutam para provar que estão contaminados e receber a assistência necessária por parte do governo federal, incluindo gastos com medicamentos e indenização por danos morais e materiais sofridos em decorrência da contaminação.

‘’No ano de 95, morriam de dois a três, todo mês. Todas as vezes que enterrávamos alguém ficamos na expectativa de quem seria o próximo’’, desabafa o motorista oficial Aldo A. Silva, o grande incentivador do movimento que pretende expor para o país a triste situação a que estão relegados os funcionários da Funasa que foram contaminados pelo DDT durante as cruzadas contra a malária na zona rural do Acre.

Aldo tem 57 anos e também está contaminado. Confiante, ele acredita que unidos os servidores sairão vitoriosos e conseguirão evitar novas mortes. ‘’Tem um companheiro nosso que está em estado terminal de câncer. Oito dos nossos já morreram vítimas dessa doença, que comprovadamente tem uma relação muito estreita com o DDT. O que nós queremos é que as autoridades reconheçam isso e nos ofereçam as condições de buscar a cura ou pelo menos terminar dignamente os nossos dias’’, suplica.

Falta de equipamentos de proteção facilitou envenenamento

Segundo Aldo, a falta de equipamentos de proteção facilitou o envenenamento dos agentes de endemias (antigos guardas da Sucam) e motoristas que tinham contato direito com o DDT. ‘’Nosso único equipamento de proteção era o capacete de alumínio. Ele protegia a cabeça, mas deixava as narinas completamente expostas, em contato direto com o inseticida, que também penetrava diretamente na nossa pele’’, revela.

‘’Todas as vezes que borrifávamos uma casa na zona rural era comum encontramos cachorros, gatos e galinhas mortos pelos quintais. O que nós não sabíamos é que também estávamos sendo envenenados aos poucos e que um dia seriamos obrigados a lutar para poder provar que fomos contaminados no pleno exercício de nossas atividades, e que o governo federal tem uma dívida conosco’’, declara.


Lágrimas de revolta
Mário Wilson de Oliveira, 53 anos, trabalhou como guarda de endemias durante 20 anos, até que começou a sentir dores constantes nas articulações, tonturas e náuseas. Não demorou muito para o quadro evoluir para um derrame que o mantém de cama há 9 anos. O que Mário, a esposa e os três filhos não sabiam é que tudo isso estava relacionado ao contato com o DDT e que a família seria obrigada a arcar por conta própria com todas as despesas relacionadas ao tratamento.

Além da paralisia dos membros inferiores e superiores, Wilson também teve a fala afetada, mas é capaz de transmitir, num simples olhar, a dor e revolta guardadas dentro de si. Ao ser perguntando se tem consciência sobre os reais motivos da sua doença, ele chora, numa clara demonstração de lucidez, mas total incapacidade física imposta pelas complicações decorrentes do envenenamento.
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Inseticida age diretamente no sistema nervoso
Quem olha para Antônio Souza Oliveira, 44 anos, não imagina os estragos que os 10,71 ml/dl de DDT presentes no seu organismo têm provocado à sua saúde. Ao contrário de Wilson ele mantém todos os movimentos e aparentemente parece uma pessoa saudável. Mero engano, Antônio tem crises profundas de depressão, acompanhadas de queda de pressão e outros sintomas relacionados ao desequilíbrio do sistema nervoso.

Com o apoio da família, Antônio foi o primeiro funcionário da Funasa a responsabilizar o órgão judicialmente pela contaminação por DDT, requerendo o pagamento das despesas com remédios e indenização por danos morais e materiais pelos transtornos sofridos.

A ação, impetrada na 2ª Vara da Justiça Federal de Rio Branco, se fez acompanhar de laudo toxicológico, estudo neurofisiológico, laudo médico do trabalho, e vários outros exames, realizados em laboratórios especializados de Goiânia e Brasília, comprovando o alto grau de contaminação. Segundo a portaria nº 12, de 06 de junho de 1983, da Secretaria de Segurança da Saúde, o valor normal de presença de DDT no organismo humano é de até 3 mg/dl, o que significa que a quantidade encontrada em Antônio está três vezes acima do padrão tido como normal.

Antônio afirma ainda que encontrou agentes de endemias em Recife com até 400 mg/dl de DDT no organismo, e alerta que várias mulheres de funcionários também podem estar contaminadas em decorrência do contato direto com a roupa dos maridos, durante a lavagem.

Afastado das suas funções de agente de endemias desde setembro de 2005, Antônio controla os efeitos da contaminação com três medicamentos, hoje avaliados em R$ 1.060,00. O juiz federal Pedro Francisco condenou a direção da Funasa a bancar os gastos com os remédios e ainda pagar R$ 50 mil reais a título de indenização por danos morais e materiais, mas o órgão recorreu da sentença.


Sérgio Petecão vai requerer providências em Brasília
A lista com os nomes de 114 prováveis vítimas, acompanhada de dossiê, incluindo material áudio-visual, será encaminhada ao Ministério da Saúde e à presidência da Funasa pelo vice-presidente da Comissão da Amazônia, deputado federal Sérgio Petecão (PMN/AC). Na semana passada, ele se reuniu com um grupo de 20 funcionários contaminados e ouviu atentamente o depoimento de cada um deles.

‘’Eu conheço de perto o trabalho desenvolvido por essas pessoas, sei que eles deixam de lado as suas famílias para se embrenharem na mata para combater a malária e agora que estão doentes e precisando da ajuda do governo federal não podem simplesmente serem ignoradas’’, disse o parlamentar.

O presidente da Câmara de Vereadores de Rio Branco, Pedrinho Oliveira (PMN) – funcionário da Funasa licenciado – também participou da reunião. Apesar de fazer parte do quadro administrativo, ele se submeteu ao exame para detectar a presença de DDT no organismo e descobriu que também está contaminado.

‘’Isso demonstra o alto grau de contaminação desse produto, até nós que manipulávamos as fichas dos guardas de endemias fomos afetados’’, revela, garantindo que apóia a luta dos colegas e vai ajudar no que for possível para encaminhar as suas reivindicações, seja na esfera municipal, estadual ou federal.

Além da indenização pela contaminação por DDT, os agentes de endemias e motoristas da Funasa, que se encontram nessa situação, querem o direito a aposentadoria por 25 anos de serviço, a exemplo com o que já acontece com outras categorias.

‘’Um professor se aposenta com 25 anos de serviço porque trabalha com o giz, material bem menos tóxico do que o DDT, por que nós, que estamos envenenados, que demos a nossa vida para matar o mosquito da malária e salvar milhões de outras vidas, também não podemos ter direito, por que essa discriminação com a gente?’’, questionou Océlio Alves do Nascimento, acrescentando que o último exame realizado revelou um percentual de 70% da presença de DDT no seu organismo.

‘’Eles nunca tiveram respeito pela gente. Quando íamos para a zona rural não tínhamos nem lugar para acampar. Quantas vezes não dormir em chiqueiro de porco ou curral de boi. Agora, eles continuam nos relegando o segundo plano, escondendo da opinião pública que estamos doentes. Deixando-nos morrer a míngua’’, desabafa José Rocha de Aguiar.

O vice-presidente da Comissão da Amazônia, deputado federal Sérgio Petecão (PMN/AC), garantiu que vai requerer informações detalhada sobre o caso à presidência da Funasa, para saber se algum encaminhamento já foi dado, e também solicitar providências urgentes ao Ministério da Saúde. ‘’Todas as reivindicações são justas e acredito que contarei com o apoio de toda a bancada acreana para honramos esses homens que tanto já fizeram pelo nosso Estado e agora precisam de ajuda’’, concluiu Petecão.

Muitas promessas e pouca ação

O DDT começou a ser utilizado na Segunda Guerra Mundial para eliminar insetos e combater as doenças emitidas por eles como a Malária. Demora de 4 a 30 anos para se degradar.

Os EUA foram os primeiros a proibir seu uso, por volta dos anos 70, em virtude de seu efeito acumulativo no organismo. Alguns estudos sugeriram que é cancerígeno, provoca partos prematuros, causa danos neurológicos, respiratórios e cardiovasculares.

No Brasil, deixou de ser fabricado na década de 80. A Justiça Federal proferiu, em janeiro de 1997, sentença determinando que o Ministério da Saúde instituísse programa científico federal voltado à substituição do inseticida DDT nas campanhas de saúde pública.

A Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde baixou a Portaria nº 11, de 8 de janeiro de 1998, que proibi o uso do DDT nos programas de controle de doenças transmitidas por insetos, inclusive da malária.

Projeto de autoria do senador Tião Viana (PT/AC) tramita no Congresso Nacional , desde 2002, visando oficializar através de lei a proibição da fabricação, comercialização e exportação do produto.

Mas até hoje, apesar das muitas promessas, nenhuma iniciativa foi tomada de fato, visando o bem estar das pessoas, especialmente do Acre, que foram contaminadas pelo produto e que sofrem as conseqüências do envenenamento.

Dulcinéia Azevedo
Fotos de Damião Castro


sexta-feira, 20 de junho de 2008

Reportagem da Tv Árabe Aljazeera, mostra os índios isolados no Acre

Reportagem especial: Jornalista da Tv Aljazeera escreve sobre índios isolados


A Tribo pode ter pensado que a aeronave da expedição era um grande pássaro [FUNAI / Estado do Acre]

An Jazeera's Gabriel Elizondo fala exclusivamente com o homem que descobriu uma tribo anteriormente desconhecida na Amazônia, e que espera para protegê-los contra a destruição do mundo exterior.

José Carlos Meirelles é o homem que levou a expedição que produziu notáveis imagens dos povos indígenas isolados liberada pelo governo brasileiro no início deste mês.

Falando a Al Jazeera, na sua primeira entrevista desde então, Meirelles mostrou como ele encontrou a tribo após passar 37 anos trabalhando e vivendo profundamente na Amazônia.

Agora, ele é responsável por encontrar provas da existência de dezenas de povos indígenas anteriormente desconhecidas.

Ele é um "sertanista" - o nome dado a uma escolha de poucas pessoas da Floresta Amazônica que buscam populações isoladas e, em seguida, criar um remoto posto avançado para controlar e protegê-los de contacto com a "civilização".

"Quando pensamos que poderíamos ter encontrado uma tribo isolada, um sertanista como eu fiz caminhadas na mata para dois ou três anos para a recolher provas e nós marcá-lo em nosso sistema GPS [Global Positioning System]", disse Meirelles Al Jazeera.

"Nós então marca o território dos índios e passamos a proteger sem fazer contato com eles. E finalmente nós criamos um pequeno posto avançado em que podemos controlar a sua protecção".

Localizando a tribo
Para encontrar a tribo, Meirelles disse que havia dezenas de novas coordenadas GPS que ele queria explorar a partir do ar, mas o orçamento era apertada para obter um avião.

José Carlos Meirelles tem dedicado a sua vida para a Amazônia. Por último, a Fundação Nacional Indiano (Funai) e do estado brasileiro do Acre - quando a tribo tinha sido achada forneceu um avião, piloto, e dois fotógrafos.

Ele poderia usar o avião por três dias ou 20 horas - o que ficou em primeiro lugar. "Eu tinha anos de GPS coordenado e um amigo meu me enviou alguns coordenadas do Google Earth e mapas que mostraram uma estranha clareira no meio da floresta e perguntou-me o que era", disse Meirelles.

"Eu vi o processo de coordenadas e percebi que estava perto da área eu tinha explorando com o meu filho e assim eu disse que era preciso voar sobre ele." Para os dois primeiros dias Meirelles voou um raio de 150 quilômetros ao longo do percurso a região fronteiriça com o Peru e vi barracos que pertencia a tribos isoladas.

Mas ele não vê qualquer povo.
"Quando as mulheres ouviam o avião, eles corriam para dentro da floresta, pensando que é um grande pássaro", disse ele. "Esta é uma área remota , aviões não voam sobre ela."

A tribo vive em uma das regiões ultraperiféricas
da Amazônia. Mas as fotos dos barracos e as áreas agrícolas indígenas foram valiosas provas de que as comunidades foram crescendo, de acordo com Meirelles, por que a política de contacto não foi avançada.

No último dia, com apenas um par de horas de vôo tempo restante, Meirelles avistou uma grande comunidade e de inúmeras mulheres correr para dentro da floresta com os seus filhos.

Ele voou de volta ao longo área mais tarde, reconheceu que os homens estariam voltando da caça.
Após alguns de viagem, ele capturou a imagem icónica pintado de vermelho-tribos atirando lanças na aeronave. "Quando eu vi eles pintados vermelho, eu estava satisfeito, eu era feliz", disse ele. "Porque pintado vermelho significa que estão prontos para a guerra, o que me dizem que estão felizes e saudáveis defender o seu território."

Sobre esta expedição ele identificou três novas comunidades. Meirelles disse que estão se deslocado entre o Brasil e o Peru devido à exploração madeireira ilegal através da fronteira.

"Muitos outros estados do Brasil têm a exploração madeireira ilegal que está ameaçando as populações indígenas, mas não no Estado do Acre - não há nenhuma exploração madeireira aqui", disse Meirelles.

"É proveniente do Peru, especialmente a retirada do mogno , lá é uma terra onde tudo é permitido."

"Os índios estão a ser empurradas para o Brasil, o que provoca conflitos com os índios já aqui, mas se eles permanecer no Peru sabem que vão morrer após contacto com os madeireiros."

Contato perigoso

Meirelles não irá dar do seu GPS as coordenadas para ninguém - "nem mesmo sob tortura", diz ele - receosos de que, se a sua localização exata saia eles poderiam estar em perigo, como até mesmo um contato físico com poderia matar toda a tribo em uma questão de semanas.
Meirelles diz que há cerca de 70 isolados tribos no Brasil.

Ele diz que as fotos e vídeo que estão sendo liberados para o mundo são poderosos e inquestionável prova àqueles que dizem tribos isoladas não existem mais. "Alan García [presidente do Peru] declarou recentemente que os índios foram isolados em uma criação da imaginação dos ambientalistas e antropólogos - agora temos as imagens.

Agora, existem as imagens para todo o mundo."
Durante quase duas décadas Meirelles tem vivido em um posto avançado no Acre estado próximo da fronteira com o Peru.

É uma das mais remotas áreas do mundo e da cidade mais próxima é de sete dias de barco. Ele não electricidade, telefones ou internet, e sua única comunicação com o mundo exterior é um rádio de duas vias.


Para os três meses do ano ele vive em uma modesta casa de madeira de um quarto na pequena cidade de FEIJÓ, em um dos cantos mais remotos do noroeste Brasil, e é neste ponto que ele falou a Al Jazeera.

"Genocídio"
Sendo um sertanista e de vida profundamente na selva é difícil trabalhar em vários níveis.

Diz-se que só existem cinco autênticos em todos os sertanistas esquerda do Brasil - e a maioria deles são homens mais velhos.
Meirelles foi uma vez ferido no pescoço por um tiro por uma seta acidentalmente confrontados na selva, embora ele veja isso como parte do trabalho.

"Esta região do Brasil [a Amazônia] provavelmente tem a maior concentração de tribos sem contato no mundo", disse ele. Ele alega o Brasil tem 69 referências às tribos isoladas com pouco ou nenhum contato com o mundo exterior - 22 dos quais foram confirmados, por ele próprio.

Antigamente tinha política governamental para integrar tribos isoladas na sociedade após o contato, mas estudos mostraram dois terços, meses depois morreram no primeiro contacto. "Isso não é contato, que é genocídio", disse Meirelles. Assim, ele e alguns colegas foram determinantes para a mudança política "nenhum contato". "Essas pessoas têm vivido em sua própria terra por 500 anos por escolha deles", disse ele.

"Eles podem decidir quando querem contato, não eu ou qualquer outra pessoa. A política da Funai é a protecção, não queremos entrar em contato com eles; para executar experiências com eles para saber sobre que eles são, como vivem ou grupo étnico que eles Também pertencem. " "Desde que eles existem, elas são bonitas."

Fonte: Gabriel Elizondo - Al Jazeera. (Tradução)

Clique aqui e veja o texto original publicado no site da Tv Aljazeera.

Governistas impedem investigação sobre cobaias na Amazônia

Deputada do Acre manobra na Comissão da Amazônia para barrar investigação.

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Agente de endemias faz captura de anofelino sem a devida proteção /ARQUIVO
CHICO ARAÚJO
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BRASÍLIA — Mesmo diante das provas — entre as quais um relatório da própria Secretaria de Saúde — o governo do Acre e seus aliados insistem na tese de que não há e não houve uso de cobaias humanas em estudo da malária no Vale do Juruá. Ontem, a Comissão da Amazônia rejeitou a proposta dos deputados Ilderlei Cordeiro (PPS-AC) e Sérgio Petecão (PMN-AC) de se formar uma delegação parlamentar para ir ao Acre apurar o caso. As manobras para evitar as invetstigações foram articuladas pela deputada Perpétua Almeida (PC do B- AC), aliada do governo acreano.

“Foram realizadas capturas de anofelinos com isca humana, com o auxílio de capturador Castro em período de 12 horas de duração (...)”, descreve Herberto de Carvalho Dantas Filho, técnico em entomologia da Funasa/PA, relatório sobre a captura de Anopheles — o mosquito transmissor da malária — em Cruzeiro do Sul. O documento foi encomendado pela Secretaria de Saúde e se refere ao período de agosto a outubro de 2005. Uma equipe de 14 agentes capturou 3.665 amostras de larvas das espécies Anopheles darlingi e Anopheles triannulatus nesse período.

Em depoimentos ao defensor Jonathan Xavier, de Cruzeiro do Sul, quatro agentes confirmaram ter servido de ‘isca humana’, como atesta o relatório, durante a captura do anofelino. Um deles, Marcílio Ferreira da Silva, garante ter contraído 12 malárias e recebido uma média de 300 picadas por dia. Fotos e documentos mostram agentes durante a captura sem a proteção devida. Contudo, o juiz da 3ª Vara Federal do Acre, Jair Araújo Facundes, entendeu que “a captura por atração humana de anofelinos não ofende a dignidade da pessoa humana, não é degradante nem cruel”.

A Associação Brasileira de Apoio aos Sujeitos da Pesquisa Clínica (Abraspec) ingressou dia 30 de maio na Justiça Federal com uma Ação Civil Pública pedindo suspensão do uso de cobaias e a condenação do Acre e da União. No dia 16, Facundes extinguiu a ação argüindo falta de provas nos autos. A Abraspec juntou — após protocolar a inicial — fotos e outros documentos, que, segundo o presidente da Abraspec, Jardson Bezerra, não foram considerados. A entidade vai recorrer da sentença ao Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, em Brasília.

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Perpértua: articulações para não investigar /CD

“Motivos convincentes”

Durante a votação do pedido, Perpétua fez uma “exposição de motivos convincente” contrária à ida da comitiva parlamentar ao Acre. A deputada valeu-se de nota técnica da Secretaria de Saúde, da sentença do juiz Jair Araújo Facundes, da 3ª Vara Federal do Acre, e até apelou para o colega Marcelo Serafim (PSB-AM), para impedir a criação da comitiva parlamentar.

A nota técnica usada por Perpétua, e parte é reproduzida na sentença de Facundes, sustenta “na verdade, o que existe é um simples procedimento de rotina de captura do anofelino (...)”. No entanto, relatório da própria Secretaria de Saúde (trecho transcrito acima) confirma o uso de ‘isca humana’.

Ao respaldar a argüição da colega, Marcelo Serafim, que é farmacêutico, usou a mesma defesa do governo do Acre: “A captura do mosquito por atração humana é um procedimento normal, adotado em todo o mundo, inclusive nas regiões tropicais do meu Estado, onde a malária também faz muitas vítimas”. Perpétua, por sua vez, garantiu que o Brasil não faz pesquisas usando cobaias humanas. “Para nós este assunto está encerrado. Lamentamos muito que o tema tenha tido motivações políticas como intuito evidente de macular o governo”, disse.

Para o presidente da Abraspec, tanto Serafim quanto Perpétua estão “equivocados” e, ao defenderem essa linha de raciocínio, permitem que pessoas humildes sirvam de ‘iscas humanas’, o que é proibido por lei. Segundo Bezerra, a ar argumentação dos deputados contraria resolução 357, de 9 de fevereiro de 2006, do Ministério da Saúde, que proíbe o uso de ‘iscas humanas’ para captura dos mosquitos da malária.

O assunto não está encerrado, como diz a deputada. A Procuradoria da República no Acre abriu um procedimento administrativo para investigar o caso. O procurador Anselmo Henrique foi designado para comandar as investigações, “e até onde sei, ele já tem em mãos farta documentação do uso de cobaias no Acre e em outros estados da Amazônia”.

TRE rejeita denúncia contra Petecão

O Tribunal Regional Eleitoral julgou na tarde de ontem o processo em que o deputado estadual Sérgio Petecão era acusado, pelo empresário Narciso Mendes, de ter comprado votos para se eleger. O processo contra o deputado foi rejeitado pela corte por unanimidade.

O relator do processo foi o juiz federal Jair Facundes, que durante seu discurso afirmou que as provas anexadas no processo eram poucas para que houvesse condenação. “As provas têm que ser robustas, qualificadas”, destacou Facundes.

Para testemunhar no caso, o TRE selecionou, aleatoriamente, três pessoas que tinham os nomes citados numa lista com outras 58 pessoas. Das três selecionadas, apenas uma foi encontrada para prestar esclarecimentos à Justiça.

Por causa disso, a juíza Denise Bonfim ainda pediu que outras testemunhas fossem ouvidas, mas o pedido foi rejeitado por outros membros da corte. Após o pedido rejeitado, a juíza seguiu o voto do relator.

O advogado Emilson Brasil, que representou o empresário Narciso Mendes, disse que entrará com recurso no Tribunal Superior Eleitoral.

“A parte vencida está no direito de recorrer à instância superior, e nós vamos promover ação competente para embargar e entrar com o recurso extraordinário”, adiantou Brasil.

O advogado Odilardo Marques, que fez a defesa de Sérgio Petecão, disse que ficou comprovado que seu cliente não cometeu nenhum crime eleitoral e que acredita que o TSE não revogará a decisão do TRE.

“Para o Petecão, nãi há mais nada a fazer, agora é manter o mandato da maneira que está sendo feita. Já para a parte contrária pode haver recurso, mas dificilmente eu acredito que o TSE vá desconstituir a decisão do colegiado aqui do Tribunal Regional Eleitoral”, declarou o advogado.

Odilardo disse ainda que as provas que constam no processo eram insuficientes para que houvesse a condenação de Sérgio Petecão.

“Não havia sequer uma prova de compra de votos, a promessa de benfeitoria e de cunho social para a coletividade não caracteriza, em momento nenhum, a captação ilícita de sufrágio”, concluiu Odilardo.

(Nayanne Santana)